Chamados e discípulos!

  Respondendo à apresentação de Jesus feita no domingo passado por João Baptista, eis-nos nas margens do mar da Galileia, perto de Cafarnaum, a acompanhar Jesus no que parece ser o início de uma nova etapa da Sua vida. O Seu discurso curto e incisivo era vigoroso e claro, como o de João Baptista, e não deixava ninguém indiferente, nem mesmo os pescadores que, diariamente, arrancavam ao mar o magro sustento dos seus. E aconteceu que numa daquelas caminhadas junto ao mar, Jesus viu dois homens a lançarem as redes e gritou: “Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens”. Eram dois irmãos, Simão e André. A reacção foi imediata e franca, porque “eles deixaram logo as redes e seguiram-nO”. E o mesmo aconteceu, um pouco mais à frente, com outros dois irmãos, que consertavam as redes. Estes foram chamados para uma missão especial, mas a todos é lançado o mesmo desafio: “Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”. Não somos, pois, chamados a fazer a mesma coisa, nem temos de percorrer o mesmo caminho no seguimento de Jesus, mas a todos os chamados ao Reino é pedida generosidade, fidelidade e confiança na resposta ao Mestre. É isto que caracteriza o verdadeiro discípulo de Cristo.   P. Fausto in diálogo 1547  (III Domingo do Tempo Comum – Ano...

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O Tempo Comum.

  Comum mas não banal. A vida não é apenas feita de festas; uma melodia não tem apenas tempos fortes e a natureza não está sempre em flor. Tudo na vida tem os seus tempos, os seus movimentos, em ordem a novos impulsos e novos passos. A Liturgia também respeita este ritmo. Os domingos do Tempo Comum são domingos em que o cristão, sempre envolvido na dinâmica transformadora do Mistério Pascal, vive o seu compromisso de fidelidade cristã nos bons e maus momentos da comum existência. Ser bom um dia não custa muito; fazer uma coisa extraordinária ou ser herói uma vez pode não ter grande mérito. O verdadeiro heroísmo está em fazer bem feitas as coisas mais normais do quotidiano, apesar da rotina e do cansaço. Este é o tempo comum que vivemos e celebramos, e nada mais nos ajuda que atender ao anúncio forte, claro e vigoroso de João Baptista aos seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Palavras que nos são dirigidas, para não serem esquecidas, em cada Missa, antes da comunhão. É a resposta generosa ao desafio de João Baptista que torna o tempo comum da nossa existência em Tempo de Graça e de Páscoa. P. Fausto in diálogo 1546  (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Epifania do Senhor!

  Com a Epifania continuamos a celebrar a manifestação de Jesus. É como que a festa do Natal que se vai desdobrando, permitindo, assim, aprofundar melhor os vários aspectos do Mistério de Deus feito Homem. No Natal contemplamos Jesus apenas reconhecido pelos seus, os pastores de Belém, e na Epifania é aos Magos que se manifesta, aos que vêm de longe, a toda a Humanidade. Não há povos abandonados. Não há nações privilegiadas. Porque “Os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e beneficiam da mesma promessa”, como ensina São Paulo aos cristãos de Éfeso, a missão da Igreja não é outra senão continuar a dizer incansavelmente a todos os homens que são filhos de Deus, herdeiros da Promessa e cidadãos do Reino e proporcionar-lhes os meios que melhor ajudem a chegar à gruta de Belém. Que Jesus, Luz das nações, nos conceda a graça de seguirmos a Sua luz e inunde o nosso coração com a alegria da Sua presença, para sermos também estrelas a indicar o caminho para quantos se queiram encontrar com o Menino que veio para todos. P. Fausto in diálogo 1545  (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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Senhora do nosso tempo, rogai por nós!

Ao começar um novo ano civil, assiste-nos uma certeza: Deus não é indiferente à nossa sorte. Deus está connosco. Deus salva. É isto mesmo que quer dizer o nome de “Jesus”. Ele é o “Salvador” do povo anunciado a Maria e a José, e pelos anjos aos pastores na noite santa de Natal. Continuam a ser os “pequenos” os grandes depositários desta mensagem divina e os primeiros videntes do Menino que nasceu para nós. Dois velhinhos bons e muito piedosos, Simeão e Ana, são os agraciados com a presença de Deus Menino, que se submete às exigências da lei de Moisés, mostrando, deste modo, que em tudo se faz homem e da sua raça, excepto no pecado. Como então também hoje, não escolhe Deus os grandes e poderosos para anunciar o seu Reino, mas continuam a ser os simples e humildes quem mais condições mostram para serem mensageiros divinos da Paz, do Amor e da Fraternidade, que todos os povos e nações desejam e formulam em cada início de ano. 2017 está a começar e será tanto mais feliz e próspero, quanto mais nos colocarmos sob o manto dAquela que, sendo Mãe de Deus e Mãe nossa, invocamos amorosamente como Senhora e Rainha da Paz. Que Ela obtenha de Deus para toda humanidade um ano de maior justiça e de mais fraternidade. P. Fausto in diálogo 1544  (Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus  – Ano...

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Finalmente!

E a profecia cumpriu-se: “Nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Tão dentro do nosso tempo, que nos são dados nomes de reis, imperadores, governadores, províncias e cidades, faltando só, para a direcção ser completa, a rua e o numero da porta. Tudo nos surpreende: o Messias Senhor e da casa de David nasce numa manjedoura e a mensagem que traz de paz e alegria para todos os povos, apenas poucos e pobres pastores dela se dão conta. E que dizer da jovem mãe e do esposo José? – surpreendentemente belos e luminosos e absortos na beleza transcendente do Seu Menino! Ao seu redor nada existe que conforte e aconchegue, mas nada falta porque não falta Deus. Ó Santo Natal, Ó Divina Surpresa, aconchegai, iluminai e aquecei o coração dos homens e abençoai todas as famílias. P. Fausto in diálogo 1543  (Natal do Senhor – Ano...

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Com Maria e José…

  O último domingo do Advento e os dias que se seguem estão orientados à preparação imediata do Natal e melhor que ninguém nos podem ajudar Maria e José. Quem mais que Eles soube preparar o nascimento de Jesus? Ambos, escolhidos para constituir a mais bela das famílias humanas, foram visitados pelo mensageiro divino para não temerem a grandeza e o mistério do projecto de salvação a favor da humanidade, que passava pelo assentimento generoso de um e outro. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. E José? Que pensamentos terão passado pela mente de quem se tinha casado com amor, ao ver inexplicavelmente aumentar o volume da barriga da sua amada? Solidão, dúvidas e perplexidade, momentos de profundo sofrimento interior que o evangelista refere com admirável realismo. Tratando-se porém de um homem justo, o amor e respeito pela sua amada aconselhavam discrição e delicadeza em assunto de tanta gravidade. E foi em sonhos que veio a palavra de paz e de conforto: “José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa.” “Não temas”, “não temais”, porque o nosso Deus não veio para vencer pelo medo mas libertar-nos pelo Amor. Maria e José são a nossa melhor prova. P. Fausto in diálogo 1542  (IV Domingo do Advento – Ano...

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Alegrai-vos!

“Exultai de alegria… O Senhor está perto.” Com este domingo encontramo-nos a meio do Advento. E como na Quaresma, a Liturgia convida os cristãos a saborearem antecipadamente a alegria que hão-de viver mais expressivamente, ao celebrarem a Festa que se aproxima. Apesar de à nossa volta não descortinarmos razões para deslumbramentos e manifestações efusivas de alegria, não nos cabe o papel de profetas da desgraça, antes o de rostos da esperança e de confiança em Deus, que enviou o Seu Filho para transformar as condições em que vive a humanidade. O Senhor já veio e sabemos que os cegos, os coxos, os leprosos, os surdos… mereceram especial atenção, mas não resolveu os problemas da saúde, nem erradicou a pobreza, nem curou toda a gente…, mas conta com a nossa ajuda para realizar no tempo o Reino já inaugurado. Cabe-nos continuar a obra. E são felizes os que não se escandalizam com esta debilidade de Deus, que aceita os nossos ritmos e falhas na realização do Seu projecto de salvação para toda a humanidade. P. Fausto in diálogo 1541  (III Domingo do Advento – Ano...

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Convertei-vos!

  Expressão forte, que não incute medo mas exige atenção e pede urgência, é proferida por João Baptista, em pleno deserto, e dirige-se aos homens de todos os tempos e lugares, porque não há quem se queira excluir verdadeiramente dessa nova época que o Messias inaugura e que, de forma tão poética, Isaías anuncia para toda a humanidade. O lobo com o cordeiro, o menino a brincar com a serpente, a pantera a dormir ao lado do cabrito, são imagens de um mundo novo, onde não há rivalidades, ambições, ódios e domínio de uns sobre os outros… Mas será este um sonho irrealizável, inútil ou ingénuo? – Acreditamos que não. Jesus já veio e o Reino de Deus está no meio de nós. Mas não faremos parte dele se não nos convertermos. O cristão, pelo seu modo de viver, no dia a dia, deve tentar levar à prática este ideal messiânico. E é nessa medida que se torna construtor de um mundo novo e feliz, que, inaugurado por Jesus, há-de realizar-se totalmente, quando Ele vier em plenitude e majestade. Até lá a responsabilidade de o fazer crescer é nossa. E não bastam boas intenções…, mas obras e verdade! P. Fausto in diálogo 1540  (II Domingo do Advento – Ano...

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Advento!

Entramos no Advento e iniciamos novo ano litúrgico com um apelo forte à vigilância e à confiança Recados e apelos sempre oportunos e actuais. “E não deram por nada”. Assim se refere Jesus, segundo S. Mateus, ao estilo de vida fútil e banal dos contemporâneos de Noé: “nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento… e não deram por nada”. Não há juízos de valor, acusações de imoralidade ou denúncia de injustiças, mas apenas o reconhecimento de uma sociedade sem sonhos nem profundidade. Uma sociedade sem horizontes, incapaz de ler os sinais dos tempos, desinteressada do futuro e do fim último, embriaga-se no consumo do presente e embrenha-se na vivência do quotidiano. O retrato traçado por Jesus aos tempos de Noé não está tão longe assim de muitos sectores da sociedade em que vivem e se movem os cristãos, porque vivem sem dar por nada, como se nada passasse à volta, como se nada fosse mais importante que o bem estar. A cultura fragmentária, individualista e hedonista em que vivemos faz com que “os dias de Noé” sejam também os nossos dias e tornem mais oportuna a Palavra de Deus que nos convida à vigilância, porque não sabemos o dia…, e à confiança, porque sabemos que Deus não é um ladrão que vem para roubar ou matar, mas vem porque nos ama infinitamente e nos oferece gratuita e largamente a riqueza da sua misericórdia. Este é o belo tempo do Advento que tornaremos apenas de consumo, se o vivermos como se à nossa volta nada passasse. P. Fausto in diálogo 1539  (I Domingo do Advento – Ano...

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“Hoje”!

  Determinante e determinado. Definitivo. Convergência de toda a história do homem e do mundo: Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo! Com esta solenidade termina o ano litúrgico. O tema da realeza de Cristo, também presente noutros momentos do calendário religioso, reveste-se hoje de um significado especial, ao pôr em relevo o carácter absoluto e definitivo da soberania de Cristo, Alpha e Omega da história. As circunstâncias em que se revela essa soberania são incomuns e no mínimo surpreendentes, porque o trono real não é de ouro, mas patíbulo de uma cruz, donde sobressai a afirmação ditada por Pilatos: “Este é o Rei dos Judeus”. O ambiente também não é de aclamação e vitória, mas de gozo, insulto e troça por quantos assistem ao espectáculo; os chefes dos saduceus zombam e os soldados, não ficando atrás, troçam e oferecem-Lhe vinagre e nem mesmo um dos legítimos condenados se contém: “não és tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também”. É neste contexto que Jesus se revela Rei e Senhor da vida e da morte. Antes anunciara “quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim” e agora, na cruz, começa a realizar o que prometeu ao garantir ao ladrão arrependido: “Hoje estarás comigo no paraíso”. O segredo é mistério de Amor infinito e de Misericórdia abundante e pacientemente oferecida a todos os homens sem distinção.   P. Fausto in diálogo 1538  (XXXIV Domingo do Tempo Comum – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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