S. José, Mestre do silêncio e da escuta !

Em pleno coração da “Semana do Ó” não passa despercebida a S. Mateus a figura de S. José, verdadeiramente central no Evangelho deste domingo, porque a sua noiva, antes de terem vivido em comum, engravidara.“Porque era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo”. Só o Amor ditava esta decisão que lhe destroçava o coração, mas evitava as consequências legais para aquela por quem estava ternamente enamorado e comprometido.Eis, S. José, o homem dos sonhos, de mãos calejadas pelo trabalho e com o coração justo, enternecido e ferido!Como não aprender com S. José que nunca fala, mas sabe escutar o mais profundo do seu ser e por isso permanentemente atento aos sonhos de Deus?“Não temas tomar Maria, tua esposa, porque o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo”. Ao despertar do sono, “José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa”.Porque Deus nunca mete medo, José é feliz, não porque realiza o seu sonho, mas o sonho de Deus, sem nunca se deixar vencer pelo medo. P. Fausto in Diálogo nº. 1936 (Domingo IV do Advento – Ano...

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Apesar de tudo… Alegres !

“És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro”? Eis a questão que João Baptista, entretanto na cadeia, faz chegar a Jesus. Na resposta, Jesus não dá explicações, não faz promessas de que vem para resolver os problemas da humanidade com uma explosão de milagres, mas enumera factos: cegos, coxos, surdos, leprosos… são curados. É verdade que os milagres enumerados não mudaram o mundo, não se erradicou o sofrimento, a fome e a pobreza, não se resolveram os conflitos, mas há uma onda positiva, uma Boa Nova que muda a vida e, ainda que pequenina, faz florescer a esperança e desafia à alegria. E Jesus acrescenta em jeito de comentário: “Bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo”. Uma visão ligeira do mundo basta para vermos como o mal prolifera, a acumulação escandalosa da riqueza é gritante, as assimetrias sócio-económicas são profundas e, enfim, estamos num mundo que nos parece cada vez mais indiferente e contrário ao projecto dAquele cuja festa de nascimento queremos celebrar. Este, porém, é o nosso mundo. Com este Domingo, encontramo-nos a meio do Advento e a Liturgia convida-nos, apesar dos sinais em contrário, a saborearmos já antecipadamente a alegria pela festa que se aproxima. E os cristãos, mais que os outros, têm razões de sobra para o fazer! P. Fausto in Diálogo n.º 1935 (Domingo III do Advento – Ano...

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Arrependei-vos !

Com as imagens fortes do fogo e do machado, João Baptista não pretende semear medos. Ele bem sabe que o medo não leva a lado nenhum, não liberta do mal e não será também por medo que o leão há-de comer feno e o lobo conviver com o cordeiro.A frase central do Evangelho de hoje é: “Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus”. É porque Deus está perto, que João Baptista, no deserto, dirige palavras talvez ásperas mas oportunas. Tão perto, que veio para ficar e estar connosco. É essa a força que nos move e comove, e que cresce dentro de nós, para construirmos uma sociedade que torne possível a harmonia do lobo e do cordeiro, do menino e da víbora, dos humanos entre si, homens ou mulheres, árabes ou judeus, muçulmanos ou cristãos, brancos ou negros… Esse é o sonho de Deus, que exige de cada um de nós conversão sincera não de aparências e palavras bonitas, mas de factos e compromissos audazes.Não estranhemos, pois, as palavras fortes mas sinceras de João Baptista, que, dirigidas no deserto aos fariseus e saduceus, são válidas também para nós, que nos preparamos para celebrar o Natal de Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1934 (Domingo II do Advento – Ano...

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Ai dos distraídos !

Celebrada a Festa de Cristo Rei e Senhor, iniciamos novo ano litúrgico orientados pelo Evangelho de S. Mateus, que hoje põe Jesus a comentar com os seus discípulos a vida pacata e simples dos contemporâneos de Noé: “comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio que a todos levou”.Jesus não fala de pecados ou de injustiças, não fala de vícios nem de excessos, apenas do quotidiano, uma vida sem profundidade ocupada em satisfazer a lista básica das necessidades.“Os dias de Noé” são também os dias em que vivemos muitas vezes sem saber porquê, “sem darmos por nada”, imunes e insensíveis ao que se passa à nossa volta, esquecidos das vítimas da guerra, das crianças vitimas da fome, da violência, de abusos e abandono, de mulheres compradas, vendidas, violadas, de migrantes, de doentes, de desempregados… enfim, do mundo em que vivemos, para o qual Jesus veio e cuja festa de Nascimento queremos preparar.O tempo do Advento é precisamente o tempo para despertarmos do sono e da superficialidade em que muitas vezes vivemos escravizados pelos apetites incontrolados de consumo, que nos distraem dos rostos das pessoas com que diáriamente nos cruzamos.O Advento torna-se, então, esse Tempo precioso em que se “trabalha” melhor a atenção a Deus e aos outros a começar pelos de casa. P. Fausto in Diálogo nº. 1933 (Domingo I do Advento – Ano...

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Jesus, Rei e Senhor !

O Evangelho deste domingo, Festa de Cristo Rei do Universo, termo do ano litúrgico, não parece mesmo condizer com a pompa e circunstância dos poderosos deste mundo. Mas é aqui, suspenso na cruz, exposto e absolutamente despojado de tudo, que Jesus é reconhecido como nada tendo feito de condenável para merecer qualquer castigo.“Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza”, pede um dos crucificados.O que converte o ladrão não é uma pregação, uma repreensão, ou mesmo um milagre de Jesus, como pretendia o outro ladrão, mas o seu sofrimento que, sendo igual ao dos outros, é vivido pelos outros. Com transparente serenidade, paz, sem azedumes nem acusações. Como Verdadeiro Rei e Senhor.As últimas palavras de Jesus dirigidas ao pobre condenado e arrependido, e a todos nós também, são o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, mesmo dos mais marginais, e a proclamação solene de que não há nada, nem ninguém, definitivamente perdido para Deus.“Hoje estarás comigo no paraíso“, sentenciou Jesus. Quem o poderia dizer, se não fosse verdadeiramente Rei e Senhor ? P. Fausto in Diálogo nº. 1932 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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Não temais !

“Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído“. Podendo parecer exagerado e bloqueador, os efeitos das alterações climáticas, as guerras em curso, as perseguições religiosas, e tantas e tantas formas de violência, confirmam a verdade destas palavras de Jesus, no Evangelho deste XXXIII domingo do Tempo Comum.Se o prognóstico é tão aterrador, consola-nos a certeza de que o homem é eterno, pois, “nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá”.“Quando sucederá isto”, perguntam os discípulos. Jesus não responde ao quando, porque todos os dias está a acontecer, mas indica-nos como caminhar: com perseverança e como testemunhas.Neste “mar de lágrimas”, que é tantas vezes a nossa vida, saber o infinito cuidado de Deus, mesmo por um qualquer cabelo, nos conforta, anima e convida a darmos sempre rosto à esperança.E é o que o mundo hoje mais precisa. P. Fausto in Diálogo nº. 1931 (Domingo XXXIII do Tempo Comum – Ano...

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“Em jubilosa esperança”

No passado fim de semana proclamámos densa e intensamente a nossa Fé na Ressurreição dos mortos, ao celebrarmos a solenidade de Todos os Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos.Passados oito dias, no Evangelho da Missa deste domingo, os saduceus apresentam a Jesus uma história, em tudo bizarra, para ridicularizar a hipótese da ressurreição. Que lhes disse Jesus sobre o assunto, que ainda hoje faz confusão a muitos cristãos?“De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher”?Enquanto os saduceus raciocinam por exclusão, Jesus fá-lo por inclusão. Cada amor verdadeiro que tivermos vivido multiplicar-se-á aos outros nossos amores, sem invejas nem exclusões, sem limites nem nostalgias.Na história do Céu não há lugar para o meu ou para o teu, nem se conjugam os verbos ter ou tomar, porque ninguém será possuído por ninguém.Há muitos cristãos como os saduceus, aos quais a eternidade se afigura pouco interessante, talvez porque seja percebida como duração em vez de intensidade, como diminuição em vez de aumento, como restrição em vez de plenitude, como prolongamento do presente, quando, na verdade, é a forma de vida plenamente realizada em Deus e na plena comunhão com todos, todos, todos os demais.Entretanto, aos nossos olhos, este mistério permanece algo escondido, porque só fora do espaço e do tempo será plenamente revelado, experimentado e celebrado. Eternamente. Até lá vivemos em “jubilosa esperança”. P. Fausto in Diálogo n.º1930 (Festa da Dedicação da Basílica de Latrão – Ano...

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Solenidade de Todos os Santos

Os santos nunca são esquecidos, embora uns sejam mais conhecidos e venerados que outros, conforme os tempos e as circunstâncias em que viveram. Eles inspiram-nos e constituem sempre um exemplo e um estímulo para nós, que ainda peregrinamos.Há mártires, confessores e virgens; há crianças, jovens, adultos e velhos; há pais, mães e esposos; há reis e escravos, ciganos e indígenas; há médicos, advogados, artistas, cientistas, desportistas, jornalistas e outras profissões; há-os mais dedicados aos pobres, aos doentes, aos escravos, aos leprosos e ao ensino; há intelectuais, doutores e analfabetos; há missionários e há os que viveram a sua vocação no convento e outros no deserto; há leigos, diáconos, presbíteros e bispos; há santos negros, brancos, amarelos, asiáticos…Uns mais conhecidos que outros, há-os também desconhecidos, qual multidão incontável, que a Igreja não deixa de venerar e celebrar na Solenidade de Todos os Santos.Enfim, há santos de todas as grandezas e feitios, assim nós, chamados igualmente à santidade, os queiramos invocar e, sobretudo, imitar, porque a única maneira de ser cristão é ser santo. P. Fausto in Diálogo n.º 1929 (Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – Ano...

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O mestre publicano

Para aprendermos a rezar, Jesus, neste domingo, conta a história de dois homens no templo. Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, em pé, rezava: “Meu Deus, dou-vos graças por não ser como os outros homens… e nem como este publicano“.Como todos os fundamentalistas, o fariseu pensa que é o único que se salva num mundo de imoralidade, de violência e de desonestidade. Na sua oração nada mais faz que informar Deus dos seus méritos. É um narcisista assumido, só com virtudes e bons actos. É autossuficiente. Não precisando de Deus nem de ninguém, regressou a casa, sim, mas não reconciliado e em paz.O publicano, porém, nem sequer ousa levantar os olhos, e, batendo no peito, só se atreve a dizer “Tem compaixão de mim, que sou pecador”.Enquanto o fariseu constrói a sua religião sobre aquilo que faz (e faz muito !), o publicano edifica-a sobre aquilo que Deus faz por ele. E isto faz toda a diferença.Ouvirá Deus sempre as nossas orações? Sim. Deus ouve sempre, mas não os nossos pedidos, e dispensa os nossos pergaminhos, porque a oração não é fundamentalmente para receber, mas para sermos transformados como o publicano da parábola de hoje, que, humildemente, ao pedir apenas misericórdia, “voltou justificado para sua casa”. P. Fausto in Diálogo nº. 1928 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...

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Orar sempre ?

Jesus, para mostrar que é necessário orar sempre, sem nos cansarmos, convida-nos a frequentar a escola de uma pobre viúva, sozinha, fraca e indefesa, todavia forte e digna, que não se resigna com a injustiça nem cede aos poderes constituídos, mesmo de um juiz corrupto.Ora, se até um juiz iníquo acaba por fazer justiça àquela pobre viúva, Deus não fará justiça prontamente aos filhos que clamam por Ele? A conclusão de Jesus indica-nos o que pedir, como pedir e quando pedir.Será possível orar sempre? Trabalhar, dormir, estudar, praticar desporto… e ao mesmo tempo, orar? Sim, é possível. Quando se vive com o coração em Deus e com Deus no coração, as nossas mãos também rezam.A vida de oração não se mede pelo número de orações recitadas, nem depende da repetição incessante de fórmulas ou invocações, mas da intimidade da nossa relação com Deus, com os outros e connosco mesmo, no cumprimento fiel dos nossos deveres. P. Fausto in Diálogo nº.1927 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...

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