Celebrada a Festa de Cristo Rei e Senhor, iniciamos novo ano litúrgico orientados pelo Evangelho de S. Mateus, que hoje põe Jesus a comentar com os seus discípulos a vida pacata e simples dos contemporâneos de Noé: “comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio que a todos levou”.
Jesus não fala de pecados ou de injustiças, não fala de vícios nem de excessos, apenas do quotidiano, uma vida sem profundidade ocupada em satisfazer a lista básica das necessidades.
“Os dias de Noé” são também os dias em que vivemos muitas vezes sem saber porquê, “sem darmos por nada”, imunes e insensíveis ao que se passa à nossa volta, esquecidos das vítimas da guerra, das crianças vitimas da fome, da violência, de abusos e abandono, de mulheres compradas, vendidas, violadas, de migrantes, de doentes, de desempregados… enfim, do mundo em que vivemos, para o qual Jesus veio e cuja festa de Nascimento queremos preparar.
O tempo do Advento é precisamente o tempo para despertarmos do sono e da superficialidade em que muitas vezes vivemos escravizados pelos apetites incontrolados de consumo, que nos distraem dos rostos das pessoas com que diáriamente nos cruzamos.
O Advento torna-se, então, esse Tempo precioso em que se “trabalha” melhor a atenção a Deus e aos outros a começar pelos de casa.
P. Fausto
in Diálogo nº. 1933 (Domingo I do Advento – Ano A)
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