Jesus, Rei e Senhor !

O Evangelho deste domingo, Festa de Cristo Rei do Universo, termo do ano litúrgico, não parece mesmo condizer com a pompa e circunstância dos poderosos deste mundo. Mas é aqui, suspenso na cruz, exposto e absolutamente despojado de tudo, que Jesus é reconhecido como nada tendo feito de condenável para merecer qualquer castigo.“Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza”, pede um dos crucificados.O que converte o ladrão não é uma pregação, uma repreensão, ou mesmo um milagre de Jesus, como pretendia o outro ladrão, mas o seu sofrimento que, sendo igual ao dos outros, é vivido pelos outros. Com transparente serenidade, paz, sem azedumes nem acusações. Como Verdadeiro Rei e Senhor.As últimas palavras de Jesus dirigidas ao pobre condenado e arrependido, e a todos nós também, são o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, mesmo dos mais marginais, e a proclamação solene de que não há nada, nem ninguém, definitivamente perdido para Deus.“Hoje estarás comigo no paraíso“, sentenciou Jesus. Quem o poderia dizer, se não fosse verdadeiramente Rei e Senhor ? P. Fausto in Diálogo nº. 1932 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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Não temais !

“Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído“. Podendo parecer exagerado e bloqueador, os efeitos das alterações climáticas, as guerras em curso, as perseguições religiosas, e tantas e tantas formas de violência, confirmam a verdade destas palavras de Jesus, no Evangelho deste XXXIII domingo do Tempo Comum.Se o prognóstico é tão aterrador, consola-nos a certeza de que o homem é eterno, pois, “nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá”.“Quando sucederá isto”, perguntam os discípulos. Jesus não responde ao quando, porque todos os dias está a acontecer, mas indica-nos como caminhar: com perseverança e como testemunhas.Neste “mar de lágrimas”, que é tantas vezes a nossa vida, saber o infinito cuidado de Deus, mesmo por um qualquer cabelo, nos conforta, anima e convida a darmos sempre rosto à esperança.E é o que o mundo hoje mais precisa. P. Fausto in Diálogo nº. 1931 (Domingo XXXIII do Tempo Comum – Ano...

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“Em jubilosa esperança”

No passado fim de semana proclamámos densa e intensamente a nossa Fé na Ressurreição dos mortos, ao celebrarmos a solenidade de Todos os Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos.Passados oito dias, no Evangelho da Missa deste domingo, os saduceus apresentam a Jesus uma história, em tudo bizarra, para ridicularizar a hipótese da ressurreição. Que lhes disse Jesus sobre o assunto, que ainda hoje faz confusão a muitos cristãos?“De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher”?Enquanto os saduceus raciocinam por exclusão, Jesus fá-lo por inclusão. Cada amor verdadeiro que tivermos vivido multiplicar-se-á aos outros nossos amores, sem invejas nem exclusões, sem limites nem nostalgias.Na história do Céu não há lugar para o meu ou para o teu, nem se conjugam os verbos ter ou tomar, porque ninguém será possuído por ninguém.Há muitos cristãos como os saduceus, aos quais a eternidade se afigura pouco interessante, talvez porque seja percebida como duração em vez de intensidade, como diminuição em vez de aumento, como restrição em vez de plenitude, como prolongamento do presente, quando, na verdade, é a forma de vida plenamente realizada em Deus e na plena comunhão com todos, todos, todos os demais.Entretanto, aos nossos olhos, este mistério permanece algo escondido, porque só fora do espaço e do tempo será plenamente revelado, experimentado e celebrado. Eternamente. Até lá vivemos em “jubilosa esperança”. P. Fausto in Diálogo n.º1930 (Festa da Dedicação da Basílica de Latrão – Ano...

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Solenidade de Todos os Santos

Os santos nunca são esquecidos, embora uns sejam mais conhecidos e venerados que outros, conforme os tempos e as circunstâncias em que viveram. Eles inspiram-nos e constituem sempre um exemplo e um estímulo para nós, que ainda peregrinamos.Há mártires, confessores e virgens; há crianças, jovens, adultos e velhos; há pais, mães e esposos; há reis e escravos, ciganos e indígenas; há médicos, advogados, artistas, cientistas, desportistas, jornalistas e outras profissões; há-os mais dedicados aos pobres, aos doentes, aos escravos, aos leprosos e ao ensino; há intelectuais, doutores e analfabetos; há missionários e há os que viveram a sua vocação no convento e outros no deserto; há leigos, diáconos, presbíteros e bispos; há santos negros, brancos, amarelos, asiáticos…Uns mais conhecidos que outros, há-os também desconhecidos, qual multidão incontável, que a Igreja não deixa de venerar e celebrar na Solenidade de Todos os Santos.Enfim, há santos de todas as grandezas e feitios, assim nós, chamados igualmente à santidade, os queiramos invocar e, sobretudo, imitar, porque a única maneira de ser cristão é ser santo. P. Fausto in Diálogo n.º 1929 (Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – Ano...

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O mestre publicano

Para aprendermos a rezar, Jesus, neste domingo, conta a história de dois homens no templo. Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, em pé, rezava: “Meu Deus, dou-vos graças por não ser como os outros homens… e nem como este publicano“.Como todos os fundamentalistas, o fariseu pensa que é o único que se salva num mundo de imoralidade, de violência e de desonestidade. Na sua oração nada mais faz que informar Deus dos seus méritos. É um narcisista assumido, só com virtudes e bons actos. É autossuficiente. Não precisando de Deus nem de ninguém, regressou a casa, sim, mas não reconciliado e em paz.O publicano, porém, nem sequer ousa levantar os olhos, e, batendo no peito, só se atreve a dizer “Tem compaixão de mim, que sou pecador”.Enquanto o fariseu constrói a sua religião sobre aquilo que faz (e faz muito !), o publicano edifica-a sobre aquilo que Deus faz por ele. E isto faz toda a diferença.Ouvirá Deus sempre as nossas orações? Sim. Deus ouve sempre, mas não os nossos pedidos, e dispensa os nossos pergaminhos, porque a oração não é fundamentalmente para receber, mas para sermos transformados como o publicano da parábola de hoje, que, humildemente, ao pedir apenas misericórdia, “voltou justificado para sua casa”. P. Fausto in Diálogo nº. 1928 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...

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Orar sempre ?

Jesus, para mostrar que é necessário orar sempre, sem nos cansarmos, convida-nos a frequentar a escola de uma pobre viúva, sozinha, fraca e indefesa, todavia forte e digna, que não se resigna com a injustiça nem cede aos poderes constituídos, mesmo de um juiz corrupto.Ora, se até um juiz iníquo acaba por fazer justiça àquela pobre viúva, Deus não fará justiça prontamente aos filhos que clamam por Ele? A conclusão de Jesus indica-nos o que pedir, como pedir e quando pedir.Será possível orar sempre? Trabalhar, dormir, estudar, praticar desporto… e ao mesmo tempo, orar? Sim, é possível. Quando se vive com o coração em Deus e com Deus no coração, as nossas mãos também rezam.A vida de oração não se mede pelo número de orações recitadas, nem depende da repetição incessante de fórmulas ou invocações, mas da intimidade da nossa relação com Deus, com os outros e connosco mesmo, no cumprimento fiel dos nossos deveres. P. Fausto in Diálogo nº.1927 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...

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Gratos em tudo !

Ao grito dos dez homens que a lepra irmanou, Jesus, que a todos escuta e a ninguém deixa indiferente, responde de imediato “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. E eles foram. E enquanto caminhavam sentiram-se curados.Perdidos no turbilhão da sua felicidade pela saúde recuperada, e antevendo os abraços reencontrados com os familiares, amigos e vizinhos, nove deles não voltam atrás, nem para dizer um “muito obrigado”.Um, porém, que por acaso era samaritano, regressa, volta atrás, lança-se aos pés de Jesus, abraça-o e agradece-lhe. Descobriu que não lhe bastava para ser feliz recuperar a saúde, regressar aos seus, à família, à sua vida normal…Dez foram os curados, observa Jesus, mas só um deles se salvou. Ao contrário dos nove, para o samaritano não lhe bastava a cura, mas a comunhão com aquele que o tinha curado. Sentia-se outro, diferente, por dentro e por fora. E voltou agradecido e convertido e salvo. P. Fausto in Diálogo nº 1926 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...

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Servos inúteis ?

Sim, “Quando tiverdes feito tudo, dizei: Somos servos inúteis”, assim se exprime Jesus numa das catequeses aos discípulos, em linguagem que nos surpreende e nos pode desorientar se for mal compreendida.Para Jesus são “servos inúteis” não aqueles que não valem nem servem para nada, mas aqueles que não estão à espera de qualquer compensação ou vantagem ou recompensa pelo que fazem, servos sem reivindicações, sem pretensões, sem segundas intenções.Fé verdadeira não é fazer voar árvores para o mar. Jesus nunca o fez. Fé verdadeira consiste em servir não por mérito ou castigo, como as crianças; não por sanções ou recompensas, como os medrosos, mas apenas por livre e puro amor. Desinteressadamente. Como Deus.Bem compreende estas coisas Santa Teresa de Calcutá, quando diz às suas monjas, “No nosso serviço não contam os resultados, mas o que de amor se põe naquilo que se faz. O serviço é mais verdadeiro, mais importante do que a utilidade que dele resulta”.Porque é tão difícil viver assim e chegar aqui, vamos-nos contentando em pedir ao Senhor que aumente a nossa fé, nem que seja como um grãozinho de mostarda. P. Fausto in Diálogo nº. 1925 (Domingo XXVII do Tempo Comum – Ano...

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Deus não dorme

A parábola do rico sem nome e do pobre Lázaro é uma das mais eloquentes páginas do Evangelho, que nos garantem que Deus, mesmo que nos pareça ausente, não dorme.Apesar de Deus nunca ser nomeado, pela narrativa de S. Lucas compreendemos que estava ali a contar uma a uma as migalhas dadas ao pobre Lázaro, vê o rico coberto de púrpura e de linho, olha o pobre vestido de trapos que lhe cobrem as chagas, vê onde dorme, vê os cães à porta e as carícias piedosas da sua língua; pelo contrário, o rico não olha e não vê; não tem tempo, não tem interesse, identifica-se com a sua riqueza, que é o seu verdadeiro nome.O dia das contas, porém, chega aos dois, mas com desfecho diferente: “Morreu o pobre e foi colocado ao lado de Abraão e o rico foi sepultado nos infernos”.O rico não faz mal a Lázaro, não o agride, não o expulsa, simplesmente nada faz por ele apesar de tropeçar nele todos os dias. O seu pecado é a indiferença.A esta luz, o mal maior que podemos fazer é não fazer o bem e o inferno é tão só o prolongamento na eternidade das nossas escolhas no tempo. P. Fausto in Diálogo n.º 1924 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...

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Meros administradores !

Hoje temos uma parábola (Lc.16,1-13) que nos parece no mínimo desconcertante, pelo aparente elogio da desonestidade dum administrador que, suspenso de funções, aguarda sentença de despedimento.Jesus, porém, ao dizer “Fazei amigos com a riqueza”, põe tudo no seu lugar e lembra-nos que na vida, contra todas as aparências, é mais feliz quem tem mais amigos e não quem tem mais moedas…E como se não bastasse, é clara, actual e avisada, a conclusão:“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Na verdade, na gramática daquele que é escravo do dinheiro, abundam os verbos ter, contar, acumular, multiplicar, e muitos outros, e muito pouco ou nada os de dividir, retribuir, dar, perdoar, mas na hora de “prestar contas” o que conta não são os bens que deixamos mas o bem que fizemos ou não fizemos com os bens de que fomos bons administradores. P. Fausto in Diálogo nº. 1924 (Domingo XXV do Tempo Comum – Ano...

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