As dúvidas de Tomé !

Os apóstolos, passados oito dias da primeira aparição do Ressuscitado que lhes ofereceu o dom da Reconciliação e da Paz, continuam vencidos pelo medo, mas, apesar das portas bem trancadas, Jesus visita-os de novo, com Tomé, desta vez, também presente.Sem delongas, depois da saudação pascal, Jesus dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente“. Três verbos simples e concretos: olha, põe, toca! Não há recriminações nem sermões. Não há ordens. Apenas compreensão e disponibilidade para a mais bela e fecunda experiência.Aquele que antes duvidava e exigia a prova dos factos, passa agora da incredulidade ao êxtase: “Meu Senhor e meu Deus“.Na mão de Tomé, que certamente treme enquanto se aproxima dos sinais do amor, estão também todas as nossas mãos e as nossas dúvidas. Consola-nos, porém, a Bem-aventurança com que termina o Evangelho do Domingo da Misericórdia: “Felizes os que acreditam sem terem visto”. P. Fausto in Diálogo nº. 1952 (Domingo II da Páscoa (da Divina Misericórdia) – Ano...

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PÁSCOA É A FESTA !

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro”. Assim começa o Evangelho de S. João, neste Dia de Páscoa, sem rodeios nem comentários.No coração desassossegado desta mulher, à saudade por Aquele que a libertara do poder demoníaco, vem juntar-se a escuridão pela ausência de respostas diante do sepulcro vazio: “levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”. E começou o alvoroço.A festa da PÁSCOA é a FESTA, por excelência, que a Igreja vive com especial fervor ao longo de 50 dias, porque nela celebra o ponto culminante da obra redentora de Jesus Cristo. E ao longo do ano tornamos a revivê-la no primeiro dia de cada semana, o Domingo, como Dia do Senhor.Que a alegria dos Aleluias que enchem as nossas Igrejas na Vigília Pascal, ecoando pelo ano fora, encha o coração de todos nós, pois, sem a Páscoa, a vida seria desilusão e inutilidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1951 (Domingo de Páscoa d Ressurreição do Senhor – Ano...

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Semana Santa

Para os cristãos esta é uma semana especial, é a semana central da história e da fé, porque, entre este Domingo e o próximo, somos chamados a seguir dia a dia, quase hora a hora, a última semana da vida de Jesus.A semana de todas as dores, que começa em Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, torna-se, assim, entre todas a Maior, a mais Santa e Misteriosa Semana, em que o Filho de Deus lava os pés aos apóstolos e dá-lhes o seu corpo a comer, é por eles abandonado e por um atraiçoado, e, não Lhe bastando, deixa-se desnudar, prender e içar na Cruz, para que, de braços abertos, todos se possam sentir abraçados e acolhidos.Entendeu isto, não um discípulo, mas um estranho, que, habituado por profissão a situações de tortura, sofrimento e morte, não resiste, diante do Crucificado, a fazer uma autêntica profissão de Fé: “Este era verdadeiramente Filho de Deus!”Na verdade, morrer assim, morrer de amor por todos é só “coisa” de Deus! O centurião compreendeu-o muito bem e o seu testemunho ficou para memória futura. P. Fausto in Diálogo nº 1950 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

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“Lázaro, sai para fora”

O V Domingo da Quaresma é conhecido pelo povo como Domingo de Lázaro. Tudo se passa em Betânia, desta vez junto do túmulo deste amigo de Jesus, passados já quatro dias da sua morte. O ambiente é de tristeza, dor e lágrimas no rosto de todos os presentes. Até Jesus se comove profundamente!De todo o Evangelho, esta é a página em que mais se manifestam todas as emoções de Jesus: comove-se, perturba-se, chora e brada, mostrando, assim, aos presentes, a profunda amizade que nutria por Lázaro e pelas irmãs.As palavras de Marta, que nos parecem quase de amorosa censura pelo atraso do Amigo, são aproveitadas por Jesus para dizer algo que transcende o tempo: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”, e, junto ao túmulo, manifestar que é o Senhor dos vivos e dos mortos: “Lázaro, sai para fora, desligai-o e deixai-o ir”. Contra toda a esperança, assim aconteceu!O que se passou com Lázaro, passa-se também connosco todas as vezes em que desistimos, bloqueamos e nos deixamos paulatinamente morrer, fechados na gruta vazia e obscura duma vida em que já nada vale a pena. P. Fausto in Diálogo nº. 1949 (V Domingo da Quaresma – Ano...

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A alegria de Deus é o homem feliz !

Jesus, no templo, dá de caras com um cego de nascença e cura-o. Ninguém, pelo relato do Evangelho, sente pena pelos olhos vazios do cego ou se mostra solidário pela sua penúria e dependência, nem a sua cura provoca qualquer gesto de admiração e alegria. Bem pelo contrário!Face ao espanto e à alegria de um homem que vê pela primeira vez o sol, as flores, o rosto de sua mãe…, os fariseus, que conhecem bem as regras, que conhecem o que é bom e o que é mau, nada sentem, porque só lhes interessa a lei e não o homem feliz. E assim se comportam como verdadeiros funcionários e guardiões do sagrado, mas analfabetos de coração.Para estes, os coxos, os mendigos, os cegos, os leprosos, etc, etc, porque pecadores, devem resignar-se à sua condição, desde que o sábado seja respeitado. Para Jesus, ao contrário, a glória de Deus não está no preceito observado, mas no homem feliz, livre e de coração convertido.É este o Deus revelado que nos convida a abrir o coração ao Seu Amor Misericordioso, para podermos saborear e celebrar a Alegria que nos vem da certeza da Páscoa. P. Fausto in Diálogo nº. 1948 (Domingo IV da Quaresma – Ano...

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Entre samaritanos !

O Evangelho de hoje revela-nos Jesus entre os samaritanos, entre gente de outra tradição e religião, como verdadeiro mestre em humanidade e pedagogo admirável. Contra todas as regras sociais, jurídicas e religiosas, encontra-se com uma samaritana, que vem ao poço comunitário buscar água para consumo da casa. O calor apertava e a sede e o cansaço aconselhavam uma paragem.Jesus, sentado na borda do poço, estabelece um verdadeiro diálogo com esta mulher samaritana, que, surpreendida com tal encontro, sente-se respeitada e compreendida. Sente-se renovada por dentro. E abandona o cântaro como se fosse um vestido velho de que já não precisa e corre ao povoado a comunicar boas notícias. Torna-se missionária.Também nós, como a mulher da Samaria, que vai ao poço buscar água para o consumo de casa e dele regressa rica de céu, se acolhermos Deus, rico em Misericórdia, teremos o coração luminoso e preparado para celebrarmos as próximas solenidades pascais. P. Fausto in Diálogo nº. 1947 (Domingo III da Quaresma – Ano...

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Das pedras à luz

Do deserto de pedras ao monte da luz. Da tentação à transfiguração. Eis o caminho que nos indica o Evangelho dos dois primeiros domingos da Quaresma, para que esta seja, mais que tempo de luto e penitência, conversão à luz.Agora é o tempo favorável da nossa transfiguração, o tempo de nos virarmos para a LUZ !A LUZ não é nossa, mas se nos expusermos e montarmos a nossa tenda diante de Cristo Luminoso, a escuta da Palavra, a Oração mais fervorosa e a Caridade mais diligente, tornar-nos-ão também luminosos, como os apóstolos.Se assim for, estaremos, ao fim da Quaresma, mais preparados para celebrar a Páscoa, que fará rolar a pedra e cantar a certeza de que a noite foi vencida para sempre. P. Fausto in Diálogo nº. 1946 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Tentações !

No Evangelho do 1° Domingo da Quaresma somos sempre convidados a acompanhar Jesus ao deserto, onde, tentado pelo demónio, jejuou 40 dias, teve fome e passou frio. Apenas o Espírito Santo estava presente.Tentação, palavra fora de moda, que a publicidade usa a propósito de coisas fúteis, tem um significado muito importante e actual: significa escolher como viver, ordenar as próprias escolhas, pois é escolhendo que somos livres.Com a primeira tentação, Jesus quebra a ilusão de que os bens, por si só, enchem a vida. O pão é um bem inquestionável, é verdade, mas Jesus aumenta a parada ao dizer que “nem só de pão vive o homem”. O pão é bom, contudo melhor é a Palavra de Deus, que suscita no coração humano sede e fome de céu.Mas não se fica por aqui o diabo, que, de Bíblia na mão, no pináculo do templo, desafia: “atira-te daqui abaixo”, pois Deus tomará conta de ti. Aquilo que parecia o mais elevado acto de fé e confiança em Deus, não passa de uma caricatura, uma pura busca do próprio proveito.Por fim, o diabo eleva ao máximo a parada: “tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. O diabo, ao contrário de Deus, entra em negociações com o homem e promete-lhe dinheiro fácil, uma poltrona cómoda, um pouco de poder. Tudo efémero, a troco, tantas vezes, do desrespeito pela dignidade da própria pessoa! P. Fausto in Diálogo nº. 1945 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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Cuidar o coração !

Se as Bem-aventuranças nos parecem difíceis de praticar, o Evangelho de hoje não fica atrás. Consola-nos, porém, a palavra de Jesus, também de Mateus (11, 28): “Vinde a mim, todos vós que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”, a garantir-nos que o Evangelho é também para gente normal e não só para heróis.Não se trata de uma nova moral, mais exigente, ou de uma nova lei, mas, ao anunciar princípios, que radicalmente mudam o estilo de vida apenas regido pelo permitido e proibido, Jesus vai ao fundo e aponta horizontes de heroicidade possíveis a quem não se contenta com parâmetros de mediania.No Evangelho deste Domingo, Jesus, ao dizer que não vem revogar mas completar tudo, quer chamar a nossa atenção para a importância do coração, que é preciso cuidar como verdadeiro laboratório, de onde se gera o que no dia a dia se expressa por pensamentos, palavras, actos e omissões.Preparemo-nos, então, porque, o que Deus verdadeiramente nos pede, desde o princípio da Quaresma, é a conversão do coração, a que nos desafia o rito da imposição das Cinzas. P. Fausto in Diálogo nº. 1944 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...

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Sal da terra e luz do mundo !

Depois da proclamação das Bem-aventuranças, Jesus volta a surpreender-nos ao dizer aos discípulos: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”.Não diz vós deveis ser ou esforçai-vos por ser… mas Vós sois já luz, porque a luz não é favor ou dever, mas fruto espontâneo de quem respira Deus.Apesar dos nossos limites, também a nós, neste domingo, Jesus diz que somos luz do mundo e sal da terra, não por mérito, mas por graça de Deus que nos capacita a tornar nosso o programa de vida das Bem-aventuranças.Alerta-nos, porém, para a eventualidade de nos tornarmos insignificantes, apagados ou insípidos. Neste caso para que serve o sal no saleiro ou a luz debaixo do alqueire? Absolutamente para nada.Estamos às portas da Quaresma. Não será oportuno desde já começar a pensar no nosso programa de vida pessoal e familiar quaresmal ? P. Fausto in Diálogo nº. 1943 (Domingo V do Tempo Comum – Ano...

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