Ao ouvirmos hoje a Palavra de Deus, sentimo-nos envergonhados porque, como os apóstolos, também julgamos muitas vezes que o Mestre dorme, está longe, não intervém…Quantas vezes temos a impressão de que Deus não se importa muito connosco. Quantas vezes uma doença súbita, a morte de um familiar ou amigo, uma tragédia, não empurram para o desespero e levam a negar a própria existência de Deus?Quantas vezes, diante da injustiça e da violência gritamos vingança, exigimos castigo e acusamos Deus?Ainda há pouco, quando o mundo mais gemia com a pandemia, tantos se interrogavam se Deus não dormia…Em todas as circunstâncias, há que aprender a lição que Jesus deu aos apóstolos para não perdermos a serenidade e a confiança, mesmo nos momentos difíceis, e não merecermos também a censura de Jesus no Evangelho de hoje: “Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?“ P. Fausto in Diálogo nº 1740 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como”.É assim que Jesus fala de coisas grandes. Sem raciocínios. Com verdade e simplicidade desarmantes, sempre a partir da vida, de modo a fazer-se entender por todos, mesmo os sem instrução. Não admira, pois, que as multidões se acotovelem, tantas vezes, à Sua volta, sedentas de palavras vivas e com sentido.Numa sociedade cada vez mais automatizada e sujeita ao simples premir de botão, num tempo em que “tudo, já e agora” é tarde, falar do Reino de Deus como sementeira realizada pelo lavrador, com cuidados, amor e paciência, sempre na expectativa de boa colheita, tantas vezes não conseguida, é linguagem ultrapassada e incompreensível, mas é a que Jesus adopta para falar da sábia pedagogia de Deus na realização da história da salvação.Deus não desiste de semear, e com abundância, sementes que, devidamente cultivadas no coração de cada um, dão frutos de alegria, paz e fraternidade, frutos preciosos do Reino de Deus em que todos, pelo Baptismo, devemos estar empenhados. P. Fausto in Diálogo n.º 1739 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreCelebrado o Pentecostes, retomamos o Tempo Comum e bem cedo damos conta do ambiente difícil em que Jesus desempenha a Sua missão. Por um lado, a multidão que seguia o Senhor sequiosa da Sua palavra; por outro, os escribas que não hesitavam em caluniá-lO como possesso do demónio. Também os próprios familiares não O compreendiam. E os discípulos, no meio de tudo isto, iam fazendo o seu caminho, não sem dificuldades e hesitações.Jesus, porém, sem desânimo, queixumes ou intimidações, prossegue a Sua missão. Não hesita mesmo, sem renegar os Seus parentes, em especial a Sua Mãe, a apelar para um plano superior, onde não contam os laços de sangue, mas a fidelidade à vontade do Pai: “Quem fizer a vontade de Deus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.Não parece que todos tenham entendido e acolhido a mensagem, mas a verdade é que Jesus, sem desmerecer os laços familiares, aproveita, desde logo, para dizer que não são os títulos e brasões de família, a riqueza, a posição social, ou outra qualquer coisa, que dão estatuto a uma pessoa, mas sim o facto de sermos Filhos de Deus. É isso que nos enobrece, Independentemente das circunstâncias. Ainda que às vezes nos custe. P. Faustoin Diálogo n.º 1738 (X Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreCom a Solenidade da Santíssima Trindade retomamos o Tempo Comum, o mais longo do ano litúrgico. É o regressar à normalidade com os olhos postos em Jesus, arauto e peregrino do Reino e nossa referência permanente no quotidiano surpreendente e muitas vezes doloroso.“Neste vale de lágrimas “, como se diz na Salvé Rainha, faz-nos sempre muito bem a frase de Jesus, proferida em contexto de envio e despedida, hoje recordada no Evangelho: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. Nunca a esqueçamos, porque é como se Jesus nos dissesse: nos teus sonhos e ilusões, nos medos e frustrações, estou presente. Quando te sentes abandonado e só, estou presente…“Eu estarei convosco todos os dias”, assegura Jesus. Sempre. Sem condições, nem sermões. Em todas as circunstâncias, mesmo de dúvidas.É este o Deus em que acreditamos, apesar da nossa incapacidade de abarcar o mistério de Deus, Uno e Trino. Deus, verdadeiramente Uno e Único, é Trindade. É Pai, Filho e Espírito Santo. É Família. É Comunhão e não solidão.É este Deus revelado por Jesus Cristo, que nos torna da sua família pelo Baptismo, que celebramos festivamente neste domingo. P. Fausto in Diálogo nº. 1737 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreDurante cinquenta dias celebrámos festivamente a glória de Cristo Ressuscitado e acompanhámos com atenção o processo catequético de Jesus com os discípulos. Vencidos os obstáculos e dificuldades, e, apesar de ainda não saberem tudo, estão preparados para a missão.Jesus não tem a pretensão de esclarecer todas as coisas, porque sabe que ao Espírito da Verdade cabe a missão de conduzir todos à verdade plena.E aconteceu o prometido, quando os discípulos estavam no Cenáculo, em oração, com Maria, Mãe de Jesus: “uma espécie de línguas de fogo poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. E o Espírito Santo, sem anular a natureza, transformou a vida dos Apóstolos.Agora, com novo alento e horizontes alargados, de janelas abertas e portas escancaradas, não se intimidam com o presente, nem temem o futuro. São homens novos. Verdadeiramente desconfinados. O medo, as dúvidas, a insegurança,… tudo ficou, finalmente, para trás.Como nos primeiros tempos, a Igreja continua a viver do mesmo Espírito, hoje e sempre invocado fervorosamente, pois, só assim, continua a ser a verdadeira e autêntica comunidade dos discípulos de Jesus Cristo. P. Faustoin Diálogo 1736 (Domingo de Pentecostes – Ano...
Learn MoreNo último encontro com o Ressuscitado, os discípulos perguntaram: e agora? Agora, respondeu Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo”.Missão espinhosa e arriscada, confiada a gente tão pouco letrada, de mãos calejadas pela faina da pesca, mas de coração generoso! Todos aceitaram o desafio.A Ascensão não foi uma fuga. Não é uma despedida, porque o Senhor não os deixou. Afastou-se apenas da sua vista e continuou a “cooperar com eles”, que, sem perder tempo, “partiram a pregar por toda a parte”. Apenas confiados na Palavra do Mestre.Cada um de nós recebe hoje a mesma Missão dos Apóstolos, e, como então, Jesus diz-nos: agora é a vossa vez. Não vos canseis de anunciar que a meta da vida do homem, de todo o homem, é a morada eterna, a casa do Pai, onde todos têm lugar. P. Faustoin Diálogo 1735 (Solenidade da Ascensão do Senhor (VII Domingo da Páscoa) – Ano...
Learn MoreÀ medida que o Tempo Pascal caminha para o fim, o processo de “recuperação” dos discípulos também. Já não há dúvidas e reina a alegria e a unidade no grupo. Jesus aproveita, porém, os encontros dos últimos domingos, para reforçar, em jeito de testamento, o núcleo do discurso feito na Ceia de quinta-feira santa: “Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”. Não basta, pois, amar. Abstracções são ilusões. Também não basta amar os do nosso círculo, que simpatizam e dizem bem de nós… Ao lembrar o que faz a diferença cristã, Jesus eleva a fasquia ao máximo, e declara, sem hesitações, que a medida do amor é amar a todos sem medida. Como Ele. Apesar de difícil, esta exigência é o que distingue o verdadeiro discípulo: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”. Num tempo em que o “amor” anda na boca de toda a gente e se reveste de tantos conteúdos, as palavras de Jesus podem parecer duras, desadequadas e fora de moda, mas são as únicas cuja observância nos dignifica e torna felizes. P. Faustoin Diálogo nº. 1734 (VI Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreUltrapassadas as dúvidas sobre a Ressurreição, o discurso de Jesus parece centrar-se nas condições indispensáveis para o cumprimento da missão reservada aos apóstolos. É neste contexto que sinto as palavras do Evangelho deste 5° Domingo do Tempo Pascal: “Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto… para que dê ainda mais fruto”. Jesus, como sempre, não diz coisas complicadas, e nada melhor, hoje, que um passeio ao campo, para entender a Sua mensagem. Certamente que há vinhas abandonadas, desordenadas, sufocadas por ervas, com muitos ramos e pouca esperança de fruto. Na verdade, a videira não podada alonga-se em ramos cada vez mais esguios e enredados, com fruto reduzido e amargo, e morre precocemente. As vinhas podadas e tratadas, pelo contrário, apresentam-se viçosas, ordenadas, com fruto abundante e vida saudável. Todo o lavrador sabe isto. E sabe que podar não é cortar a eito e sem jeito, mas é preciso cortar para orientar, ordenar… para mais saúde e melhor fruto. E os discípulos agradeceram o passeio ao campo e acolheram a advertência solene que Jesus lhes fez: “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim”. O apelo à Comunhão de uns com os outros e de todos com Jesus é e será sempre actual. P. Fausto in Diálogo nº. 1733 (V Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreJá vai na 4ª semana desde que o sepulcro foi encontrado vazio. Sem explicações. Só a noite foi testemunha. Tudo isto deixara perplexos e amedrontados os discípulos. O Crucificado, porém, mostra as marcas dos cravos, responde às dúvidas dos discípulos e toma alimento com eles. E a todos devolve a alegria e a paz. Mas não dá por encerrado o processo catequético. Ao notar ainda nos olhos dos discípulos sinais de ansiedade e insegurança, Jesus lembra-lhes palavras já ouvidas, mas não totalmente compreendidas: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge”. Como quem diz coragem, não desisto de vós, não vos abandonarei. Dei a vida por vós, bem o sabeis. Não deixarei nunca alguém sozinho e para trás… Bem precisamos também nós, hoje, de reter, na memória e no coração, as palavras do Bom Pastor, que não dá lições de moral ou deixa um compêndio de doutrina, mas uma maneira nova de viver, que dá sentido à vida, mesmo que crucificada. P. Fausto in Diálogo 1732 (IV Domingo da Páscoa (Bom Pastor) – Ano...
Learn MoreA vergonha e o medo… paralisam os discípulos, nestes primeiros dias. Jesus, pressentindo o desassossego e o desconforto, nada pede, nada cobra. Não repreende nem se lamenta. Apenas oferece a Paz. “Sou Eu mesmo; tocai-me e vede: um espírito não tem carne nem ossos”, e mesmo assim, os discípulos, “na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar”. Mas Jesus não desiste: “Tendes aí alguma coisa para comer? E começou a comer diante deles…”. Não foi fácil aos discípulos dar este passo para a Ressurreição. O Jesus que viam, sendo o mesmo, era diferente, estava transformado. Comia, é certo, mas aparecia e afastava-se de portas fechadas, sem se saber como. Era preciso dar tempo ao tempo. Era preciso refrescar a memória à luz das Escrituras. E Jesus prossegue com infinita paciência o processo de recuperação dos seus, para os tornar testemunhas inabaláveis da Ressurreição. E como eles souberam cumprir! Cabe-nos a nós, hoje, continuar a mesma Missão, com a simplicidade, alegria e transparência da criança que não sabe reservar para si o segredo que lhe foi confiado. Porque a Boa Nova não é para poucos mas para todos, e a todos diz respeito. P. Faustoin Diálogo 1731 (Domingo III da Páscoa Ano...
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