Jesus sabe perfeitamente que o Seu tempo está a chegar ao fim e aproveita todos os momentos para deixar a sua mensagem. Hoje vemo-LO no templo de Jerusalém, no meio da multidão, a aconselhar cautela com os escribas, que, na sua maioria, gostam de honrarias e de primeiros lugares, e se fazem passar por pessoas virtuosas, quando, na realidade, não olham a meios para enriquecer, mesmo à custa dos mais pobres. E tudo em nome de Deus.O Evangelho, porém, não acaba, sem que antes Jesus mostre o seu apurado espírito de observação e deixe mais uma lição de vida, ao observar como as pessoas deitavam o dinheiro na caixa das esmolas. Os ricos lançavam grande quantidade de moedas, que, chocalhando, faziam notar a sua presença generosa. Mas também havia gente remediada e pobre, como aquela viúva, que deixou apenas duas pequenas moedas. Não se deteve e delicadamente deixou cair a sua oferta, como alguém que apenas quer ficar na sombra e desaparecer por detrás de uma das colunas do templo…Esta mulher foi, de todos, quem deu mais, disse Jesus aos discípulos. Porque todos os outros deram do que lhes sobrava e ela deu do que precisava. Era “tudo o que possuía para viver”.O exemplo desta mulher far-nos-á sempre sentir que só tem valor o que se dá / faz com amor. Mesmo as coisas mais simples. E sempre com humildade e discrição. P. Fausto in Diálogo nº1753 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Qual é o primeiro de todos os mandamentos”, perguntava a Jesus um certo escriba.Normalmente as interrogações dos fariseus, doutores da lei, príncipes dos sacerdotes e outros, não passavam de pura provocação. Desta vez, não. E Jesus, percebendo a reta intenção do escriba, remata: “Não estás longe do Reino de Deus”.Para o escriba “Deus é único e não há outro além dEle. Amá-lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios”.Jesus reconhece a resposta inteligente e não acrescenta mais nada à Lei antiga, redigida no Livro do Deuteronómio, mas sublinha a unidade intrínseca do amor a Deus e do amor ao próximo. Um é, assim, a prova do outro. São inseparáveis. Separá-los foi e será sempre a origem dos nossos males. Portanto, quem ama a Deus, se é coerente, ama aquilo que Deus ama. E o que Deus mais ama é o homem. Cada homem. E também tudo quanto foi criado para que o homem seja feliz. P. Fausto in Diálogo nº1752 (31º Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHoje, em Jericó, um verdadeiro banho de multidão aguardava Jesus, que se dirigia para Jerusalém com os discípulos. No caminho, todos iam falando e ninguém se ouvia, até que uma voz clara e determinada grita: “Jesus, Filho de David tem piedade de mim”. Era Bartimeu, cego e mendigo, quem gritava, sentado, na berma do caminho.O tempo não era de paragens, mas Bartimeu não desiste e grita cada vez mais alto. Não exige privilégios. Não se revolta com a vida. Pede apenas um momento de atenção redentora. E não se enganou.Como não aprender hoje com Bartimeu, que nos convida a não desistirmos dos nossos ideais, apesar das dificuldades? Como não aprender com Bartimeu a lutar e confiar em Deus, na certeza firme de que é sempre dEle a última palavra? Como não aprender com Bartimeu a seguir Jesus sem olhar para trás?Muito temos a aprender com este cego e mendigo, que, à beira do caminho, não precisava só de um minuto de atenção e uma moeda no bolso, mas de sentido para a sua vida. E este dera-lho Jesus, que Bartimeu logo seguiu com entusiasmo e confiança. P. Fausto in Diálogo nº1751 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDepois de tantas catequeses, ainda a tentação do poder e a sede de privilégios dominam o coração dos mais íntimos de Jesus. Jesus, porém, sem os recriminar, com sábia pedagogia e infinita paciência, chama-os à parte para dizer: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servo”. Estas palavras sábias e amorosas, então dirigidas aos discípulos, continuam a ecoar, séculos fora,como alerta vigoroso para o risco dos apetites de domínio e de poder, sempre resistentes no nosso coração mais profundo.Jesus não quer discípulos apoucados e humilhados, mas simples, livres e generosos de coração, para poderem, como o Mestre, assumir no seu projecto de vida uma única ambição: Servir.Grandes só no serviço e no amor posto em tudo o que se faz. E isto não se compadece com a busca de privilégios e honras, mas com uma vida sóbria, honesta, humilde, confiante, livre e generosa. E os discípulos aprenderam a lição.Aprendamos nós, também, para que a ambição do nosso projecto de vida não se resuma a questões de poder, saúde e dinheiro. Porque esse não pode ser o projecto dos discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº.1750 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Falta-te apenas uma coisa”. Fora a resposta de Jesus a um homem que, cheio de entusiasmo e reverência, se aproxima e pergunta: “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna”?O homem ouviu a resposta em silêncio e com respeito, mas retirou-se triste e cabisbaixo, apesar do olhar intenso e afectuoso de Jesus.Que se passara então? Não se tratava de um homem irrepreensível cumpridor da lei? Sim, era irrepreensível desde a sua juventude, mas tinha algo que não o deixava voar e o mantinha inconscientemente aprisionado: “Era muito rico”.E será mal ser rico? Não. Jesus não quer homens despojados de tudo, mas sonha com homens livres e desamarrados o mais possível para poderem servir. E há muitas amarras, e algumas bem subtis, que bloqueiam a vontade e impedem de seguir Jesus.Era bom homem, sim, mas no prato da sua balança pesavam mais as contas bancárias e os movimentos bolsistas… Daí a dificuldade em responder à aventura proposta por Jesus para abraçar um projecto de vida em que as pessoas valem mais que as coisas e em que a pobreza e a liberdade são condições indispensáveis para servir e ser feliz. P. Fausto in Diálogo 1749 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“No princípio da Criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne”, assim começa o Evangelho deste XXVII Domingo do Tempo Comum, resumindo o sonho de Deus para a família.Estas palavras, assumidas integralmente por Jesus, propõem a família como espaço privilegiado para a realização do sonho de felicidade que Deus oferece ao homem.Na realização deste sonho há um homem e uma mulher que se procuram, que se encontram, que se amam e que se tornam uma só carne. E crescem juntos, lado a lado, diferentes mas iguais em dignidade, com direitos e deveres reciprocamente reconhecidos e assumidos, amadurecendo com alegrias e extases, mas também com sofrimentos, tristezas e silêncios… até se tornarem uma só carne. E assim o marido “faz” a esposa e esta “faz” o marido, constituídos cúmplices numa verdadeira comunhão de duas liberdades.Aos fariseus apenas interessava a salvaguarda dos direitos do homem sobre a mulher, que lhe conferiam um estatuto privilegiado na relação conjugal, mas o problema para Jesus não está em repudiar ou não a mulher por parte do homem, mas em manter vivo, por parte de ambos, o sonho original de Deus.É aqui que reside, ainda hoje, o verdadeiro problema, porque o amor é fragil, exige cuidados diários, pede atenção permanente a um e a outro dos cônjuges… Não é tarefa fácil. Mas é possível com a Graça de Deus. P. Fausto in Diálogo 1748 (XVII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios, em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco”, dizia João, com um ar muito convencido.Para os apóstolos o mais importante não era o bem praticado, mas a pertença ao “nosso grupo”. A esta mentalidade, Jesus responde: “Não o proibais”.O bem é sempre bem, venha de onde vier, e, mesmo feito por um não crente, é sempre obra de Deus. Esquecemos muitas vezes que se pode ser de Cristo sem pertencer ao grupo dos “doze”!Não repitamos o erro dos discípulos que separam, põem cercas, não constroem pontes, que “medem” o bem, conforme o grau de integração num determinado grupo. Esta mentalidade é farisaica.Há, na verdade, muito gente boa, que, sem ser crente e baptizada, age segundo a sua consciência, rectamente formada, e faz muito bem. Estes também pertencem ao Reino de Deus, maior que a Igreja, que terá o seu fim. Ao contrário, o Reino de Deus jamais acabará porque é fundado no Amor, mesmo quando se dá num simples copo de água. P. Fausto in Diálogo nº 1747 (XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus, na perspectiva de S. Marcos, iniciou, a partir de Cesareia de Filipe, a viagem que vai terminar em Jerusalém. Os que O seguem já são poucos, e, mesmo dos mais próximos, alguns ainda acalentam esperanças de poder e glória, a começar por Pedro, como vimos no domingo passado.Jesus, porém, parece ter um plano bem definido e não omite uma palavra do mistério de sofrimento, paixão e morte que O aguarda.Apesar da clareza de linguagem em assunto tão sério quanto dramático, os discípulos, todos sem excepção, manifestam ter outros interesses e ocupam-se de outros assuntos. Jesus apercebe-se bem, mas aguarda para melhor oportunidade, já em casa, o devido esclarecimento.“Que discutíeis no caminho?”, pergunta Jesus, sem impaciência nem azedume. A resposta foi o silêncio. E todos ficaram calados. Até Pedro!Jesus, nem com os seus melhores amigos, a quem partilha o drama que O espera, pode efectivamente contar! Mas não se ofende por isso, não desiste deles, não os acusa, apenas aproveita o momento para lhes lembrar, e a todos nós também, que desejar e fazer por ser o primeiro é muito bom, desde que seja para servir e servir melhor a todos. É isto que caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº 1746 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAinda longe, mas já estamos, segundo S. Marcos, na reta final da vida pública de Jesus. Houve encontros ricos e felizes e também desencontros, alguns de enorme tensão, especialmente com os sábios e os poderosos.Ultimamente o número de ouvintes é bastante menor, mas Jesus não se intimida e hoje vemo-LO, com os discípulos, a caminho das terras de Cesareia de Filipe.O caminho é longo e proporciona muitos temas de conversa. Às tantas, Jesus pergunta, em jeito de sondagem, “Quem dizem os homens que Eu sou?” E os discípulos lá foram respondendo, segundo o que ouviam dizer. E Jesus, de novo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Apenas Pedro, surpreendentemente, respondeu: “Tu és o Messias”.Mais de 2 mil anos passados, Jesus também pergunta a cada baptizado: “Quem sou Eu para ti?” Não valem definições abstractas ou fórmulas decoradas. Não servem livros, nem catecismos. A resposta não é académica, é experiência. Se assim não for, os baptizados não passam o nível da religião, patamar de “cristãos parados” ou espectadores mais ou menos passivos, diante da realidade, cada vez mais veloz e mutável.“Quem sou Eu para ti?” Não será a dificuldade na resposta também razão para o vazio das nossas Igrejas? P. Fausto in Diálogo nº 1745 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Nem tinham tempo para comer”! Era assim a agenda diária de Jesus. Daí o convite aos apóstolos: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”.Mas face à multidão que O seguia por todo o lado, sem mesmo o deixar descansar, “encheu-se de compaixão por aquelas pessoas, porque eram como ovelhas sem pastor”.Assim era Jesus, sem eira nem beira, nem tempo para comer e descansar, mas sempre com Tempo para estar com o Pai, acontecesse o que acontecesse. Aos apóstolos, porém, aconselha a que considerem o descanso como parte da missão. E assim deve ser.Também o Concílio Vaticano II nos diz numa das suas Constituições: “depois de haver aplicado a um trabalho o seu tempo e as suas forças, de uma maneira conscienciosa, todos devem gozar de um tempo de repouso e de descanso suficiente para se dedicarem à vida familiar, cultural, social e religiosa”.Aproveitemos, então, o tempo de férias para descansar, ler, conviver e rezar, a fim de enfrentarmos com coragem e ânimo redobrado os desafios do próximo ano. P. Fausto in Diálogo nº 1744 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
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