Ouvintes e cumpridores!

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Ainda não esmoreceu a admiração que Jesus causou ao resolver aquele problema da falta de vinho, que, a verificar-se, estragaria irremediavelmente toda a festa de casamento. Sem discursos, foi uma bela oportunidade para dizer que Deus está sempre atento, aprecia a vida e não tem ciúmes da nossa alegria, bem ao contrário, quer que a cultivemos em todas as circunstâncias.
Hoje somos convidados a entrar na sinagoga de Nazaré e acompanhar Jesus no culto sabático. O nosso cicerone, Lucas, alerta-nos, à partida, para a seriedade do seu trabalho, que o obrigou a recorrer a todas as fontes de informação e empenhar todo o seu saber.
Logo que foi notada a presença de Jesus, entregaram-lhe o rolo para proclamar a Palavra de Deus e fê-lo com tal consciência, dignidade e clareza, que a ninguém falhou uma palavra sequer! E depois sentou-se. A atenção era geral e Jesus aproveitou para expor o que nos pareceu serem as linhas programáticas do seu projecto de vida. Estávamos à espera de um discurso à volta de leis e decretos, como era hábito nestas circunstâncias, mas não; a Palavra de Deus foi-nos claramente apresentada não como código penal, mas luz que ilumina a nossa vida, nos ajuda a crescer e a apreciar os acontecimentos, tornando-se força e alegria para o dia a dia.
Passados muitos séculos continua Cristo presente a falar quando na Igreja é lida a Sagrada Escritura e a proclamar em cada ano “um ano favorável do Senhor”. Depende também de nós que 2013, Ano da Fé e Ano Jubilar, seja um “Ano de Graça”; sê-lo-á certamente se formos não apenas ouvintes mas cumpridores da Palavra. E isto é tarefa para todos e de todos os dias.

Pe. Fausto
in diálogo 1365 (III Domingo do Tempo Comum – Ano C)

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