Jesus continua a recorrer a histórias para nos deixar lições eternas; desta feita, a oração, assunto recorrente e nunca esgotado, vem associada à humildade, que se revela como selo de autenticidade e verdadeiro segredo para chegar ao coração de Deus.
Exclusiva de S. Lucas, a parábola de hoje põe dois homens a rezar no templo, ao mesmo tempo. Duas pessoas diametralmente opostas: o fariseu, justo, cumpridor escrupuloso dos seus deveres para com Deus e para com o templo e socialmente bem posicionado e o outro, pecador, cobrador de impostos, mal visto por todos, pertencente à franja da periferia social. Ambos no templo se mostram diferentes na postura, no espaço e na atitude.
O fariseu, considerando-se referência de virtude, de pé e com ares de quem vem pedir contas, passa a expor o bem que faz. Não precisa de pedir perdão, nem busca a justificação de Deus. O outro, o publicano, pelo contrário, assumindo o seu passado com coragem e verdade, curvado sobre si mesmo com o fardo dos seus fracassos e infidelidades, nada mais faz que pedir perdão.
O publicano saiu em graça, plenamente justificado. O fariseu, consciente da sua justiça, escudado no seu bem e convicto dos seus méritos, saiu pior do que entrou. Não se sentindo pecador, a ninguém devia e nada pedia, nem a justificação, graça exclusiva de Deus.
P. Fausto
in diálogo 1398 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano C)
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