“Dai-nos do vosso azeite”

A parábola deste domingo diz-nos que o Reino dos Céus é semelhante a dez raparigas, todas convidadas para uma festa de casamento, sem hora marcada. Cinco delas, por precaução, preparam azeite para as suas candeias, mas as demais entenderam que bastava esperar à porta para entrar. E foi grande o alvoroço, quando se anunciou a chegada do noivo!
“Dái-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão-se a apagar”, pediam insistentemente, às escuras, as incautas raparigas. A resposta parece-nos dura, mas é um apelo forte à responsabilidade e à liberdade da vida individual. Por um lado há a vida inteligente das raparigas prudentes, por outro, a vida superficial das cinco insensatas que, excitadas com a festa que prometia ser de arromba, não se cuidaram.
O Evangelho não condena o esquecimento de uma noite, nem tão pouco a sonolência pelo cansaço da espera, mas uma vida inteira que se apresenta vazia, sem sentido e sem luz. Não é de estranhar, então, a resposta do noivo: “Não vos conheço”.
Jesus não explica o que é o azeite das lâmpadas. Cabe a cada um de nós a sua interpretação.


P. Fausto

in Diálogo nº 1974 (Domingo XXXII do Tempo Comum – Ano A)

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