“A César o que é de César”

Certo dia, os dois partidos dominantes e ideologicamente opostos, herodianos e fariseus, uniram-se para confrontar Jesus: “é lícito ou não pagar o tributo a César?” Por outras palavras: és contra Roma ou contra o teu povo?
A pergunta, além de maliciosa e interesseira porque esconde um objectivo inconfessado, ou seja, a evasão fiscal, merece de Jesus resposta imediata: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
De Deus é a terra e tudo o que ela contém, de Deus é o homem, aquele homem que é como um sopro que passa (Sl. 144), mas que traz em si a imagem divina (Sl. 8).
A Deus pertence a pessoa, com toda a sua dignidade, grandeza, consciência e coração, como nos revela o livro do Génesis e a César pertencem as coisas.
Jesus, ao sentenciar “dai a César o que é de César”, parece dizer-nos que pagar os impostos é o primeiro grau de solidariedade para quem nos permite usufruir de serviços e bens comuns, indispensáveis à nossa vida pessoal e colectiva.

P. Fausto

in Diálogo n.º1971 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano A)

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