A mensagem já vem de trás e o alerta é oportuno: ” Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Não se trata de criticar os ricos ou odiar a riqueza, mas de reconhecer que o dinheiro, que nos faz tanta falta e jeito, pode tornar-se, na prática, impedimento ao amor a Deus e aos outros.
O projecto que Deus quer para os homens e para o mundo não se compadece com egoísmos e injustiças e a tentação de apropriação de bens exclusivamente em proveito próprio é grande e afecta também os cristãos. Há, pois, que ter cuidado e estar alerta, para que a riqueza não nos torne auto-suficientes e insensíveis, levando-nos ao isolamento dos outros e de Deus.
À medida que procura a riqueza a todo o custo, o homem perde em dignidade e humanidade, pouco lhe importa o sofrimento alheio, e, assim, sem se dar conta, o dinheiro e os bens materiais impõem-se como deuses e ser rico torna-se o projecto de vida.
Quanto maior for a preocupação pelos bens materiais, menos tempo para Deus, para os outros e até para si mesmo, a vida vai arrefecendo e Deus vai sendo relegado para posições de conveniência, chegando mesmo a ser dispensado do programa de cada dia. E isto acontece com muitos cristãos.
P. Fausto
in diálogo 1394 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano C)
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