No próximo dia 27 de setembro, a Igreja universal celebra o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Este ano, o Papa Leão XIV convoca-nos sob um lema que toca as fibras mais sensíveis do nosso coração e da nossa consciência: “Mesmo um só destes pequeninos”.
Num mundo fraturado por conflitos, desigualdades e crises climáticas, o Santo Padre chama a nossa atenção para os mais vulneráveis entre os vulneráveis: as crianças, os jovens e os menores que se veem forçados a abandonar as suas terras. Olhar para estes “pequeninos” não é um ato de mera solidariedade institucional; é o teste supremo à nossa fidelidade ao Evangelho. Como lembra o Papa Leão XIV, o Evangelho convida-nos a não fazer cálculos. Não se trata de discutir números ou percentagens frias, porque “mesmo uma só” delas tem um valor imenso e possui uma dignidade infinita. A forma como respondemos ao seu desamparo define o tamanho da nossa humanidade e a profundidade da nossa fé.
Uma Diocese com ADN Migrante
Falar de mobilidade humana na Diocese de Aveiro não é debater um conceito abstrato ou uma notícia de televisão. A migração está inscrita no nosso ADN, gravada nas águas da nossa ria e na memória das nossas gentes. Somos uma terra que conhece profundamente a dor da partida. Durante gerações, os nossos homens e mulheres lançaram-se ao mar e partiram para outros países em busca de pão e dignidade. Conhecemos o sabor amargo da saudade e a angústia de ser estrangeiro. Hoje, a história convida-nos a inverter o espelho. Aveiro transformou-se numa terra de acolhimento. As nossas indústrias, os nossos campos agrícolas, o comércio e as nossas escolas são hoje enriquecidos pela presença de irmãos e irmãs vindos de geografias distantes. Estas novas comunidades não são apenas “mão de obra” para a nossa economia; são pessoas, são famílias e, em muitos casos, são crianças que procuram um lugar seguro para crescer.
O Departamento Diocesano da Mobilidade Humana lembra que a nossa resposta pastoral não pode ser de indiferença. Alinhados com a solicitude da Igreja, somos desafiados a concretizar quatro verbos essenciais na nossa ação local: Acolher, Proteger, Promover e Integrar.
Acolher significa abrir as portas das nossas comunidades, combatendo os preconceitos e a indiferença, garantindo que nenhuma criança ou família se sinta invisível nas nossas ruas.
Proteger exige uma atenção redobrada aos direitos dos mais novos, assegurando que as crianças migrantes tenham acesso pleno à educação, à saúde e a um ambiente seguro onde a sua infância seja respeitada.
Promover é capacitar. Passa por apoiar a aprendizagem da língua portuguesa, a formação e a habitação digna, para que cada migrante possa desenvolver os seus talentos e ser protagonista do seu próprio futuro.
Integrar é o horizonte final. Leão XIV encoraja as comunidades cristãs a valorizarem os refugiados e migrantes como membros de pleno direito da família eclesial. Não se trata de anular a cultura de quem chega, mas de gerar o encontro onde a diversidade enriquece.
A Diocese de Aveiro renova o seu compromisso de ser um verdadeiro “porto de abrigo”. Que as nossas comunidades paroquiais sejam laboratórios de hospitalidade, onde o migrante seja visto como um irmão. Ao olharmos para os “pequeninos” que habitam entre nós, recordamos a promessa do Senhor destacada pelo Papa: «Quem receber um destes pequeninos em meu nome é a mim que recebe» (Mc 9, 37). Que Santa Joana, padroeira da nossa diocese, guie os passos de todos os que caminham e abençoe o coração de todos os que acolhem.
Diácono Francisco Santos
Coordenador do Departamento da Mobilidade Humana, do Secretariado Diocesano da Pastoral Sócio-Caritativa
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