O Evangelho dos próximos três domingos apresenta-nos Jesus a contar parábolas sobre a vinha.
O Evangelho, aliás, está cheio destas imagens que nos fazem entender que somos simultâneamente a vinha e também os operários da mesma, chamados a colaborar no projecto de Deus, que, desde o amanhecer até à noite, vem à nossa procura, sem nunca se cansar. E na hora do pagamento começa pelos últimos, dando-lhes o mesmo que aos primeiros.
Deus não é um patrão, nem mesmo contabilista, é o Deus da bondade sem razões, que não hesita transgredir as regras do mercado, apenas porque é bom. É um Deus surpreendente para uns, e para outros parece injusto, porque não segue a lógica da justiça, para nos dar mais.
Cuidado, pois, com a mentalidade farisaica que está muito dentro de nós, porque somos bons, rezamos muito, damos muitas ofertas e fazemos sacrifícios, enquanto outros não dão a Deus quase nada, estranhamos que as contas finais não sejam quantitativas. Não são, de facto, quantitativas, porque a Bondade do Senhor da vinha ultrapassa, contra todas as expectativas, os limiares da justiça.
P. Fausto
in Diálogo nº. 1967 (Domingo XXV do Tempo Comum – Ano A)
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