Os apóstolos, passados oito dias da primeira aparição do Ressuscitado que lhes ofereceu o dom da Reconciliação e da Paz, continuam vencidos pelo medo, mas, apesar das portas bem trancadas, Jesus visita-os de novo, com Tomé, desta vez, também presente.
Sem delongas, depois da saudação pascal, Jesus dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente“. Três verbos simples e concretos: olha, põe, toca! Não há recriminações nem sermões. Não há ordens. Apenas compreensão e disponibilidade para a mais bela e fecunda experiência.
Aquele que antes duvidava e exigia a prova dos factos, passa agora da incredulidade ao êxtase: “Meu Senhor e meu Deus“.
Na mão de Tomé, que certamente treme enquanto se aproxima dos sinais do amor, estão também todas as nossas mãos e as nossas dúvidas. Consola-nos, porém, a Bem-aventurança com que termina o Evangelho do Domingo da Misericórdia: “Felizes os que acreditam sem terem visto”.
P. Fausto
in Diálogo nº. 1952 (Domingo II da Páscoa (da Divina Misericórdia) – Ano A)
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