
Os gestos e atitudes na celebração da Eucaristia:
expressão de fé e comunhão
Na liturgia, cada gesto é portador de sentido e de fé. A Assembleia que celebra a Eucaristia não é um público passivo, mas um povo sacerdotal que, “pelo Batismo, participa da oblação e do sacrifício de Cristo” (Sacrosanctum Concilium, n.º 14). Por isso, os gestos — fazer o sinal da cruz, estar de pé, estar sentado, ajoelhar-se, ou inclinar-se — não são meros formalismos, mas expressões concretas da fé vivida e da comunhão eclesial.
As Constituições Apostólicas já referiam, no século IV, a necessidade de participar com “temor e recolhimento” (VIII, 11), advertindo contra a distração e a irreverência e por isso, o brilho está na unidade e simplicidade. Mais tarde, o Catecismo da Igreja Católica recorda que “os sinais sensíveis das celebrações exprimem os acontecimentos da salvação” (n.º 1146), destacando o valor sacramental do corpo e dos gestos na oração litúrgica.
O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, insiste que “a participação ativa comporta também o valor dos gestos e das atitudes corporais” (n.º 64). Também o Papa Francisco, na Desiderio Desideravi, sublinha que “sem formação litúrgica, mesmo os gestos perdem o seu sentido, tornando-se exteriores” (n.º 27).
Assim, os gestos da Assembleia Celebrativa são expressão visível do mistério invisível, são sinal da unidade do Corpo eclesial e escola de comunhão. Cultivá-los com reverência e simplicidade é educar o coração para o mistério pascal, que celebramos em todas as Eucaristias.
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