Bendita Dúvida !

O sepulcro encontrado aberto e vazio, na madrugada daquele primeiro dia da semana, levantou interrogações, alimentou perplexidades, gerou boatos e encheu de medo o coração dos discípulos, entretanto refugiados e trancados em casa.
Tudo se passara de noite, e, apesar de anunciada, a Ressurreição do Senhor foi algo inesperado e surpreendente. Na mesma tarde, porém, a insegurança e o medo de represálias por parte dos judeus deram lugar à alegria dos discípulos pela certeza de que Aquele que fora Crucificado e sepultado estava Vivo no meio deles. De todos menos um.
Tomé, também chamado Dídimo, ausente no momento, afirmava convictamente, apesar do testemunho alegre e feliz dos demais: “Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei”.
E tudo se resolveu oito dias depois, estando igualmente as portas fechadas. Desta vez ninguém faltava. Saudados os presentes, Jesus dirige-se a Tomé, mostra-lhe as mãos e o lado, e convida-o simplesmente, sem repreender ou levantar a voz, a olhar e tocar os sinais do Amor Crucificado e Ressuscitado. Tomé compreendeu finalmente!
Das chagas das mãos e do lado já não jorram sangue e água, mas Luz e Misericórdia, que lhe arrancam do coração a mais breve e profunda profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

P. Fausto

in Diálogo nº. 1820 (Domingo II da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano A)

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