Encontro de “sedes”

Neste domingo surpreendemos Jesus em terras da Samaria, terras ocupadas por samaritanos, gente de outra tradição e religião, em diálogo franco e respeitoso com uma mulher, indiferente às consequências dos tabus sócio-religiosos dominantes. Tudo se passa à borda de um poço comunitário, em hora de grande cansaço e calor.
Ao pedido de Jesus, “Dá-me de beber”, responde a mulher admirada: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?” A conversa, iniciada por Jesus, foi longa e fica para a história como modelo de diálogo fecundo, verdadeiramente salvífico, capaz de ultrapassar barreiras sociais, religiosas e jurídicas.
Neste encontro inesperado, Jesus, apesar do seu estatuto religioso e de homem judeu, não se afirma com a superioridade de um rico, mas com a humildade de um pobre. E a samaritana, que não se sente julgada, nem humilhada, nem criticada pelo seu presente e passado, larga o seu cântaro, porque dessa água já não tem sede, e corre à cidade a anunciar que encontrou a Fonte da Água Viva, que enche o coração e dá sentido à vida.
Aprender de Jesus a difícil arte do diálogo e da samaritana a coragem e a alegria de anunciar Jesus Cristo é assunto para todos os dias, mas especialmente para quem quer viver a sério a Quaresma.


P. Fausto

in Diálogo nº. 1815 (Domingo III da Quaresma – Ano A)

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *