A Europa vive uma grave crise, sem fim à vista, com os refugiados, que, todos os dias e em circunstâncias trágicas, e tantas vezes fatais, aportam às suas costas, em demanda de um futuro melhor. A liturgia da Palavra deste domingo, ao centrar-se no “estrangeiro”, não pode deixar de trazer ao de cima o “drama dos refugiados”, com que há anos se debatem especialmente os países da União Europeia. A hipocrisia de uns, a defesa do bem-estar de outros, o “medo de contágio” de muitos, etc, fazem das conversações, mais que procura de respostas eficazes e justas, momentos de discussão que permitam janelas de oportunidade para países e instituições. E o drama continua, sem fim à vista, enquanto falarem mais alto os interesses nacionalistas, financeiros e económicos, dos países que integram esta Europa de raízes cristãs! Não nos cabe individualmente a procura de soluções para tão grave problema, mas não esqueçamos o que é da nossa responsabilidade e está ao nosso alcance, porque o “estrangeiro” pode ser o emigrante, o turista, o refugiado, o exilado e, porque não? o marginalizado. Todas estas pessoas, fora da sua terra e com diferenças religiosas e culturais, se tornam estranhas, estrangeiras, se não criamos condições de acolhimento e integração, sempre no respeito pela sua dignidade. Salomão, na 1ª leitura da Missa de hoje, no Templo, pedia a prosperidade para o seu povo, sem esquecer também os estrangeiros, lembrando-se, de certo, de Deut. 10,18-19: “o Senhor faz justiça ao órfão e à viúva, ama o estrangeiro e dá-lhe o pão e o vestuário; vós que fostes estrangeiros no país do Egipto, amai o estrangeiro”. Esta atitude, confirmada pelo agir de Jesus em favor dos estrangeiros e relatado neste domingo, reflecte bem, e já no Antigo Testamento, a vontade de Deus que quer salvar todos os homens a quem confiou a terra para tratarem e serem felizes. P. Fausto in diálogo 1520 (IX Domingo do Tempo Comum – Ano C)...
Learn MoreNeste Domingo retomamos o Tempo Comum, convictos de que é no quotidiano da nossa existência que jogamos o desafio da fidelidade a Deus, aos outros e a nós mesmos, e nada mais nos ajuda que a celebração numa só festa das Três Pessoas de Deus, “o Mistério da Santíssima Trindade”. Foi Jesus quem nos revelou o mistério da vida divina. Falou-nos do amor infinito do Pai e da Sua grande misericórdia; Ele próprio se apresentou como Filho, o enviado pelo Pai, e anunciou a vinda do Espírito Santo para continuar a Sua obra. “Um só Deus em três Pessoas”. Não se trata de uma fórmula abstracta e matemática, mas de um Mistério de Amor, de Comunhão Trinitária, modelo para toda a Igreja e inspiração para todo o agir humano. É mistério de Comunhão a construir-se todos os dias na família, no grupo apostólico, na paróquia, na diocese, no trabalho e entre vizinhos, em todos os âmbitos da existência, e que será plena na eternidade, quando o “Filho do Homem vier em poder e majestade…” “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis comportá-las por agora”. Jesus não disse tudo nem fez tudo. Enviou, como prometera, o Espírito, para clarificar, consolidar e comprometer a Igreja na continuação do Seu projecto. Cabe-nos, agora, no tempo comum da existência, sob o impulso do Espírito Santo, fazer a nossa parte, que é nada mais nada menos que dar testemunho da Ressurreição de Jesus Cristo e construir a fraternidade entre os homens, porque todos, amados por Deus, foram criados à Sua imagem e semelhança. Mistério fundamental da Fé, o mistério da Santíssima Trindade, sem dispensar a compreensão intelectual e o discurso teológico, é desafio permanente a que a nossa Paróquia se torne “verdadeira Ilha de misericórdia”, como deseja o Papa Francisco, e as nossas famílias sejam cada vez mais “comunidades de vida e amor”, verdadeiras Igrejas domésticas. Isto é tarefa nunca acabada de todos nós e todos os dias. P. Fausto in diálogo 1519 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreNo último dia do Tempo Pascal, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo. Enquanto nos cinquenta dias que decorreram desde a Festa da Páscoa, toda a nossa atenção esteve centrada na alegria da Ressurreição e na glória de Jesus, hoje celebramos o Dom do Espírito que Jesus prometera aos apóstolos, que O aguardavam em oração, no Cenáculo. Ao longo destas últimas semanas, também nos fomos dispondo para reviver esse acontecimento como realidade presente na vida da Igreja, e de cada um de nós, tanto mais que na nossa Paróquia é habitual nesta solenidade ministrar-se o Sacramento do Crisma aos Jovens e Adultos que se tenham preparado. Assim, a Igreja reunida à volta dos Apóstolos, e com Maria, continua a ser a mesma Igreja, que, inspirada e dinamizada pelo mesmo Espírito derramado, então, efusivamente, no coração dos Apóstolos, se mantém, hoje, fiel a Jesus Cristo, na construção da comunidade e na transformação do mundo, segundo o projecto de Deus. É graças ao Espírito Santo que a Bíblia não é repositório inconsequente de palavras humanas mas Palavra de Deus, vital e salvadora. É graças ao Espírito Santo que a moral não é colete-de-forças para ninguém ou conjunto de preceitos ao alcance apenas de uns poucos para serem salvos. É graças ao Espírito Santo que a Igreja é Mistério de comunhão de Deus connosco e de nós uns com os outros em Cristo e por Cristo. Sem Ele a Igreja não passaria de organização humana e piramidal, qual monarquia, mera ONG bem organizada e eficiente mas sem vida, porque os Sacramentos seriam sinais vazios de conteúdo. “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor… e renovareis a face da terra.” P. Fausto in diálogo 1518 (Solenidade do Pentecostes – Ano...
Learn MoreCom a Ascensão de Jesus entramos num tempo novo, o tempo da Igreja, o nosso tempo. Na verdade, este último acto da vida terrena de Jesus é o ponto de partida para os primeiros passos da Igreja, especialmente relatados no livro dos Actos dos Apóstolos, que meditámos ao longo do Tempo Pascal. Esta solenidade, que enche o nosso coração de alegria e fundamenta a esperança, traz-nos uma grande responsabilidade. Com efeito, ao contemplarmos a Ascensão de Jesus, num ambiente que deslumbra os discípulos, não podemos deixar de experimentar e celebrar a mesma alegria pela glória de Cristo Ressuscitado, que, ao ir preparar-nos um lugar no coração do Pai, fundamentando, assim, a esperança de que nos reserva a mesma glória, também nos responsabiliza pelo anúncio da Boa Nova, nos constitui testemunhas, em todos os tempos e lugares, e nos mandata para continuarmos a Sua obra, até que Ele venha glorioso, no fim dos tempos. Este é, portanto, o nosso tempo, metódica e pacientemente preparado por Jesus. Com a Ascensão começa o tempo da nossa responsabilidade, sempre “assessorados” pelo Paráclito prometido, o Espírito Santo. A mensagem dos dois homens vestidos de branco da 1ª leitura de hoje – “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?”- é clara: a Missão urge! A Missão agora é vossa! Não esqueçamos nunca que fermentar os ambientes do Evangelho é trabalho, sempre urgente e nunca terminado, que não dispensa ninguém que se diga discípulo de Jesus Cristo. Resta-nos pôr o coração em Deus e arregaçar as mangas, sempre dóceis ao Espírito Santo e atentos às formas de linguagem mais ajustadas ao anúncio da Boa Nova. P. Fausto in diálogo 1517 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal, de que estamos a viver as últimas semanas, oferece-nos a oportunidade para retomarmos as instruções de Jesus aos discípulos, os de então e os de todos os tempos, a catequese da última Ceia e as recomendações feitas durante os encontros depois da Ressurreição. Hoje, Jesus, vendo alguma ansiedade espelhada no rosto dos Seus, apressa-se a serenar -lhes o coração:” deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” e recomenda que jamais se deixem intimidar pelas dificuldades, incertezas, perseguições, dúvidas e frustrações do presente. Que nada deste mundo perturbe os seus corações. E para não serem apanhados desprevenidos, diz estas coisas antes que aconteçam, com a promessa de voltar em breve, porque vai apenas preparar um lugar na casa de Seu Pai, que também é nosso. E como se isto não bastasse, recorda o Espírito Santo, o Paráclito, o Dom já prometido. Aquele que “o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse.” E é graças a Ele que continuamos a celebrar a Páscoa, sem nos cansarmos, especialmente em cada Domingo. Nunca a Igreja deixou de ter consciência que é o Espírito Santo que a mantém fiel a Jesus Cristo, procurando nas suas deliberações e discussões, como no Concílio de Jerusalém, estar atenta à Sua presença orientadora. Conscientes desta presença invisível mas real, devemos cultivar a docilidade à voz da Igreja, que, assistida pelo Espírito Santo, guarda intacto o depósito da Fé e é garantia segura de fidelidade ao Mandamento Novo do Amor, que Jesus nos deixou como marca indelével da nossa identidade cristã. P. Fausto in diálogo 1516 (Domingo VI da Páscoa – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal corre para o fim e damo-nos conta que a Igreja, impelida pelo Espírito Santo, caminha a passos largos em todas as direcções, não sem ter já experimentado a coroa do martírio, a carga das perseguições, o sabor da incompreensão de muitos, inclusive “de dentro”e todas as consequências do confronto com os interesses económicos, políticos e religiosos dominantes. As cidades não eram terra estranha, nem os caminhos das aldeias esquecidos; os ricos não eram desprezados e os da margem eram acolhidos. O importante era fazer chegar a BOA NOVA transparente, fiel e ousada, humilde e convicta, ao coração de todos, onde quer que se encontrassem. E o número dos discípulos aumentava e a Igreja organizava-se, sob a acção do Espírito Santo e o ministério dos Apóstolos, e as inevitáveis tensões internas, emergentes aqui e acolá, eram resolvidas em clima de oração, com respeito de uns pelos outros e em franco diálogo. Qual fermento, a Igreja impregnava de novidade evangélica a sociedade de então. Outra não é a missão da Igreja e outro não é o caminho, senão, como o da Igreja primitiva, vivermos a sério a novidade do Evangelho, que passa necessariamente pela prática da caridade. “Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos”. Continuam a ser estas as nossas verdadeiras credenciais. P. Fausto in diálogo 1515 (Domingo V da Páscoa – Ano...
Learn MoreSim, somente nas mãos de Deus estamos seguros e, segundo o Evangelho deste domingo, ninguém nos poderá delas arrebatar. Sabe-nos tão bem saber que não há força capaz de nos arrancar destas mãos que não sabem senão perdoar, curar, acariciar, abençoar e alimentar! Mãos do Bom Pastor. O Evangelho deste domingo é curto, mas expressivo e vigoroso ao dar a certeza de vida eterna àqueles que escutam Deus, a esses, diz Jesus, ”dou-lhes a vida eterna”, isto é, a vida para sempre em Deus, nas Suas mãos. Somos felizes porque sabemos que Deus tem coração e tem mãos sempre abertas que nos seguram para não cairmos, que nos afagam em momentos de solidão e desânimo, a que confiamos o coração para uma noite sossegada, que agarramos quando a cruz é mais pesada e um dia, já no calvário, quem nos estenderá as mãos? Só Deus, com mãos de compaixão e misericórdia. Era a certeza destas mãos sempre abertas de Deus que levava os discípulos, mesmo quando perseguidos e expulsos, a prosseguir a sua missão, cheios de alegria e do Espírito Santo, e outra segurança não temos para continuarmos, apesar de todas as dificuldades, a anunciar, hoje, com alegria e coragem, a Boa Nova de que Jesus Cristo é o Bom Pastor. P. Fausto in diálogo 1514 (Domingo IV da Páscoa (Bom Pastor – Ano...
Learn MoreJesus continua a encontrar-se com os seus, sem hora marcada mas sempre no primeiro dia da semana. São encontros surpreendentes e felizes, mas nem todos com o mesmo desfecho, como aconteceu com Tomé. Jesus compreende as dúvidas, as resistências, as perplexidades e interrogações que a Ressurreição provoca no coração e na mente dos homens, e do abandono dos discípulos, das negações de Pedro ou das dúvidas de Tomé, nem uma palavra de acusação, de censura, ou mesmo pedido de explicações. A hora é de paciência, de infinita paciência, e compreensão para o complexo e lento processo de conversão dos discípulos. Hoje aparece Jesus, de novo no 1º dia da semana, e desta vez junto ao mar de Tiberíades, onde os discípulos se encontravam em plena faina da pesca. O encontro foi com todos mas especialmente, no fim, dirigido a Pedro que, não contando com as perguntas, se sente publicamente embaraçado: ”Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?” e uma e outra vez: ”Simão, filho de João, tu amas-me?” inseguro, Pedro não respondeu claramente, mas a insistência de Jesus, fazendo-o lembrar e assumir com humildade o passado recente, arranca-lhe do coração uma tríplice declaração de amizade, confiança e fidelidade, indispensável para lhe ser confiado todo o rebanho, pequenos e grandes. E é este mesmo Pedro, ontem diante do sinédrio, e hoje diante de todos os poderosos, que continua a proclamar vigorosamente a Ressurreição de Cristo e o primado absoluto de Deus, a que importa sempre obedecer em quaisquer circunstâncias. P. Fausto in diálogo 1513 (Domingo III da Páscoa – Ano C)...
Learn MoreDepois de uma semana tão intensa, eis – nos a viver um tempo belo em que a liturgia nos leva a saborear o Mistério Pascal de Jesus, a contemplar Cristo Ressuscitado, e, a partir d’Ele a olhar para a Igreja e para a vida dos cristãos, que , por vocação e missão, devem ser testemunhas do que “se passou em Jerusalém nestes dias”. Como aos discípulos, ontem, cabe-nos hoje a missão de anunciar jubilosamente a Ressurreição de Jesus, a partir do testemunho de vida alegre, generosa e fraterna dos membros da comunidade de Jerusalém, que tinham no amor ao próximo uma das suas mais reconhecidas características. Tal estilo de vida não passou despercebido. Hoje o mandato de Jesus mantém-se actual e a urgência da missão, só credível pelo exercício da caridade, é cada vez maior. Há que assumir as Obras de Misericórdia, quer espirituais quer corporais, como a tradução mais genuína do Mandamento Novo do Amor, sempre, mas especialmente no Tempo Pascal, em que o Ressuscitado aparece saudavelmente aos Seus conservando no Seu Corpo glorioso as marcas do Amor que O levou à Cruz. P. Fausto in diálogo 1512 (Domingo II da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreO sepulcro está vazio! E agora? – Tudo passou pelo coração das mulheres que, ainda muito cedo, foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus: perplexidade, medo, embaraço por serem apanhadas àquela hora junto do sepulcro…. Mas, contra todas as expectativas, o sepulcro está vazio: “Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: Ressuscitou!” Com o coração a rebentar correram a dar a notícia aos apóstolos. Coisas de mulheres, desvarios, dizem eles. Pelo sim e pelo não, Pedro tirou-se dos cuidados e, dominado pela curiosidade, foi ao sepulcro, que estava escancarado, debruçou-se e “viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado”. Tudo se passara de noite e só esta é testemunha da Ressurreição, que faz da Vigília Pascal aurora de todos os dias, ainda que haja noites, porque o sepulcro, definitivamente, não contém um corpo, mas apenas retém os sinais da presença do Crucificado, que está Vivo, Aquele que o granito mais duro ou o corpo de guardas mais forte não foram capazes de impedir o Amor de vencer a morte. Na Vigília Pascal, tornamo-nos, para sempre, arautos e testemunhas alegres de Cristo Ressuscitado, que faz dos nossos dias, ainda que molhados pelo sofrimento, verdadeiramente Dias Pascais. Uma Feliz e Santa Páscoa para todos. P. Fausto in diálogo 1511 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor– Ano...
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