Culminando uma semana de oração pelas vocações, celebramos, em pleno tempo pascal, Jesus Cristo, o Bom Pastor. Ao evocá-Lo deste modo, reafirmamos a fé da Igreja nAquele que, depois da Ressurreição, acompanha, clarifica e prepara os discípulos para O seguirem em tudo e apesar de tudo. E continua a fazê-lo. A Sua presença e cuidado inspiram-nos confiança e dão-nos a certeza de que somos sempre conduzidos por Deus, que nunca nos engana nem abandona. Faz-nos bem celebrar Jesus Cristo, o Bom Pastor, para crescer em nós a consciência do Amor que Deus nos tem e de quão importantes somos para Deus, que, não hesitando “trocar” a sua vida pela de cada um de nós, diz, com toda a verdade, que não é como os mercenários, a quem apenas interessam números e negócios… Ao afirmar-se “o Bom Pastor”, Jesus, mais uma vez, nos confirma que Deus se interessa plenamente com cada pessoa, que não desiste de ninguém e que verdadeiramente quer a nossa felicidade, fazendo com que a sua presença solícita, íntima e misericordiosa, nos faça cantar com o salmista “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará”. Sendo verdade, não falte nunca a confiança no Pastor e o esforço de fidelidade à missão de que nos constitui também responsáveis. P. Fausto in diálogo 1469 (Domingo IV da Páscoa – Ano...
Learn MoreAssim começa a antífona de entrada da Missa deste domingo, o terceiro da Páscoa, com um vigoroso convite a toda a criação para se associar ao louvor perene, que a Igreja rende a Jesus Ressuscitado. Tudo quanto existe é obra de Deus, reflexo do Seu poder, bondade e beleza, mas ao contemplar a maravilha da Ressurreição de Cristo, toda a criação, através do homem, há-de cantar com mais vigor e júbilo a Deus Pai, porque, se é admirável a obra da criação, ainda é mais a da redenção. Não nos doa, pois, a voz, para dar voz ao Aleluia jubiloso, que em todos os tempos e lugares, e especialmente em cada domingo, se eleva para Deus. É verdade que o que frequentemente vemos, ouvimos e lemos não motiva para a alegria, nem sustenta um projecto de vida sereno, confiante e pacífico, tão grande é o cortejo de violências, injustiças e falsidades…, mas não deixaremos de atender ao realismo da aparição do Ressuscitado aos seus discípulos que, surpreendidos e algo perturbados pelo encontro, mantêm no rosto as marcas da dúvida e da incredulidade, só ultrapassadas pela insistente paciência do Mestre. Passados dois mil anos, cabe-nos dizer com palavras e obras as razões da Alegria a que nos convida a Páscoa de Jesus. P. Fausto in diálogo 1468 (Domingo III da Páscoa – Ano B)...
Learn MoreCada dia desta semana foi Dia de Páscoa e o ambiente festivo da Vigília Pascal ainda perdura. Mas vencer os medos, as resistências, as expectativas dos discípulos, não foi tarefa fácil para o Crucificado/Ressuscitado. E assim O vemos a desdobrar-se, no primeiro dia da semana, em contactos pessoais, individualmente e em grupo, dentro e fora de Jerusalém, para responder à complexa teia de emoções vividas pelos discípulos, nos últimos dias. Apesar da perplexidade dos primeiros momentos, a alegria toma lugar no coração de muitos, mas não de todos. Havia, mesmo no grupo dos mais chegados, quem dissesse não acreditar, jurando a pés juntos só fazê-lo ao toque das marcas do amor, cuidadosamente conservadas pelo Ressuscitado. “Põe aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo mas crente”. Se era grande a teimosia e profunda a incredulidade de Tomé, foi maior a sua profissão de amor e de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Obrigado, Tomé, pela tua incredulidade e resistência, porque me sentirei sempre compreendido, respeitado e acolhido, apesar das minhas dúvidas, e terei sempre caminho aberto para que, compreendendo melhor, seja o meu testemunho mais alegre, convicto e feliz. Continuação de Santa Páscoa! P. Fausto in diálogo 1467 (Domingo II da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreDepois de 40 dias de caminhada quaresmal, finalmente, a Festa da Páscoa de Jesus! A nossa está em curso, porque ainda não subimos ao Calvário, nem vivemos o nosso Tríduo. Entretanto, a Igreja convida-nos a acompanhar aquelas corajosas mulheres até ao sepulcro, no primeiro dia da semana, para completar no corpo de Jesus o que não puderam fazer antes. O carreiro pedregoso e a luz ainda escassa dificultam a caminhada, apenas superada pelo ardor e ansiedade de quem se quer reencontrar com alguém querido. E agora, quem havia de remover aquele pedregulho tão grande que tapava a entrada do sepulcro? – Ainda não tinham compreendido que para Deus não há coisas impossíveis e que é sempre d Ele a última palavra! Chegadas ao local, encontraram o sepulcro aberto, mas de Jesus nem sinal. A perplexidade e o medo fizeram-nas correr de volta a anunciar a Pedro a sua experiência. “Ressuscitou, não está aqui”, continua a dizer-nos o Anjo. E a Igreja não se cansa de fazer do Aleluia a expressão da alegria sincera dos cristãos, que, em Cristo Crucificado e Ressuscitado, têm a certeza da sua própria ressurreição. Que esta certeza encha de alegria o coração de todos os Paroquianos. P. Fausto in diálogo 1466 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreComeçamos a Semana Santa, como sempre, de forma desconcertante, com palmas e hossanas festivos no Domingo de Ramos e a proclamação do Evangelho da Paixão e Morte de Jesus. É grande esta semana, é a maior e mais santa e é por graça do que nela celebramos que o vale, que é a nossa vida, não deixando de ser de lágrimas e dor, se torna em “Vale dos redimidos” e não em “vale dos caídos”. Sim, continuando a viver como num “vale”, é graças à Páscoa do Senhor, que ousaremos olhar o alto e subir a vertente do monte, ainda que seja íngreme, ensanguentados e encharcados, até ao cume da montanha, onde Deus Se nos revela plenamente e aguarda com infinito amor. Semana da Paixão de Cristo, esta é a semana de todas as paixões humanas: a traição de um companheiro, a negação de um amigo, a venda de um inocente pelas autoridades religiosas, a exigência de morte, pela populaça amotinada, a quem passou a vida a fazer só o bem, o abandono do mestre pelos discípulos, o riso e escárnio dos mirones e soldados que assistem à morte do inocente… por fim, só a mãe do condenado, um homem e umas poucas mulheres permanecem fiéis, em silencioso respeito e amorosa contemplação! A nossa vida tem de tudo isto, mas a última palavra é a do Amor, que nos há-de surpreender na madrugada do primeiro dia da semana. Até lá vivamos piedosamente estes dias santos. P. Fausto in diálogo 1465 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreEstamos no 5.º Domingo da Quaresma. O ambiente é de tensão e Jesus já não anda com o à vontade de sempre pelos caminhos habituais e sobejamente conhecidos. O cerco vai apertando e a morte espreita, mas não se cala nem recua. Jesus sabe bem que a fidelidade é o preço do amor! Ao longo da Sua pregação, disse-nos muitas vezes que o Seu projecto de vida era apenas fazer a vontade do Pai, daí a tranquilidade e confiança com que vive cada momento da existência, consciente de que todas as coisas têm o seu lugar e que há sempre um tempo para fazer o que se deve, mesmo quando se pressente a morte próxima. Jesus vive assim, atento e sem stress de espécie alguma, cada hora. Mais uma vez O encontramos no templo a dirigir a Palavra ao povo, e alguns, não O conhecendo ainda, pedem uma entrevista. Como sempre, Jesus não se escusa, mas, longe de satisfazer curiosidades, aproveita para dizer, ao contrário dos que dizem que caminhamos para a noite e para a morte, que caminhamos, sim, para a luz e para a Vida, como o grão de trigo que cai na terra, morre e dá muito fruto. “A vida não acaba, apenas se transforma” e o sofrimento e a morte, não são perdas irreparáveis ou castigo de Deus, mas são para os crentes lucro e fonte de vida! P. Fausto in diálogo 1464 (Domingo V da Quaresma – Ano...
Learn MoreOs dias luminosos e aquecidos pelo sol já sem vergonha anunciam que a primavera espreita e com a quaresma já a meio e a Páscoa aí, a liturgia, não fugindo ao ritmo das estações do ano, dirige-nos, com verbos bem expressivos, o convite à alegria: “Alegra-te…rejubilai…exultai de alegria …” Hoje é o Domingo da Alegria! Mesmo que a vida corra bem e a saúde esteja em forma, não é razão sólida e bastante para os cristãos darem rosto à alegria, porque só à luz da Ressurreição de Jesus o sofrimento e o mistério da morte se aclaram, apesar da noite; mas há-de ser a certeza do Amor incansável de Deus pelos homens, como nos diz a 1ª leitura da Missa de hoje, a proporcionar-nos a experiência feliz do amor gratuito de Deus, sempre fiel à Aliança e a cada um de nós. Entre Deus e o mundo, entre Deus e a humanidade, entre Deus e cada um de nós, não há distâncias nem vazios; há apenas Amor. De Deus, claro! E é a certeza deste Amor, que não se cansa, nem desiste de nós, que dá ao cristão alento e coragem para ser o rosto da Alegria, mesmo com lágrimas nos olhos! P. Fausto in diálogo 1463 (Domingo IV da Quaresma – Ano...
Learn MoreEste domingo é o terceiro de um tempo, que podemos considerar como viagem de 40 dias até à Páscoa, revisitando a História da Salvação; se o vivermos assim… poderemos renovar e actualizar a nossa Aliança com Deus, de forma consciente, solene e feliz, nas Promessas Baptismais, na noite santa da Vigília Pascal. E que melhor proposta para vivermos este tempo quaresmal que os mandamentos dados por Deus a Moisés e levados à perfeição por Jesus Cristo? Teremos melhor guia para o exame da nossa consciência? Próximos estão os dias em que o sacramento da Reconciliação nos é mais largamente oferecido, e melhor guião não temos para nos examinarmos. É na conformidade amorosa, livre e confiante da nossa vida com os preceitos dados por Deus a Moisés e aperfeiçoados por Jesus Cristo, que mostramos a nossa fidelidade ao Deus da Aliança, que nos convida sempre a trilhar os caminhos da comunhão de uns com os outros. Sempre por amor e não por temor. Sempre por amor e não calculismo. Sempre por amor e não legalismo. Pois tudo o que é feito sem amor se reduz ao patamar de lixo. P. Fausto in diálogo 1462 (Domingo III da Quaresma – Ano...
Learn MoreDepois da experiência de deserto do domingo passado em que sentimos forte o apelo a entrar sem medo no período austero da quaresma e ao silêncio, para podermos melhor ouvir a voz de Deus, somos, neste domingo, convidados por Jesus, a subir com Pedro, Tiago e João, ao monte Tabor. O grupo é pequeno e a subida, por ser íngreme, requer cuidados, mas o risco e o esforço da caminhada foram plenamente recompensados. Pedro não queria mesmo outra coisa senão ficar ali, bem quieto, a contemplar o rosto radiante e luminoso do Mestre e o brilho das suas vestes. Era um assombro que até arrepiava, e dizia “como é bom estarmos aqui!” Só que a vida, tendo também momentos felizes, não é propriamente um mar de rosas, e não foi para ficarmos felizes, lá em cima, no monte, que Jesus nos convidara a subir, mas tão só para nos ajudar a compreender que o sofrimento e a morte, continuando a ser um mistério, não têm a última palavra e a glória da ressurreição, sem nos livrar das trevas da morte, vem dar sentido novo e jubiloso à vida do homem. Prosseguindo a nossa quaresma, aprendamos, como Abraão, a confiar, sem reservas, em Deus, e a cuidar ainda mais a nossa relação com Ele, para que, “de coração purificado”, possamos celebrar, com verdade, as Festas Pascais que se aproximam. P. Fausto in diálogo 1461 (Domingo II da Quaresma – Ano...
Learn MoreCaídas as máscaras de carnaval, o rito da imposição de cinzas faz-nos entrar num tempo novo, o tempo da quaresma, período particularmente rico e significativo, em que a Igreja nos convida, como mãe e mestra, a fazer deserto. Sem máscaras, somos convidados a olharmo-nos bem de frente e, sem medos, a entrar no íntimo mais íntimo do santuário da consciência, para acolhermos a Boa Nova de que Jesus é portador, da parte do Pai: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. É para isto que serve o tempo de deserto a que a Igreja nos convida em cada quaresma e são felizes os que, no frenesim das ocupações habituais e das correrias diárias, conseguem espaço e inventam tempo para o fazer. Sendo tempo especial, a quaresma, como retiro espiritual orientado pela Palavra de Deus, há-de ser marcado “pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente, pela participação nos mistérios da renovação cristã”, como reza o primeiro prefácio deste tempo, a fim de que,”na alegria do coração purificado”, possamos celebrar as festas pascais. E isto só será possível se formos capazes de fazer deserto, para descobrir Jesus, como verdadeiro Filho de Deus, a quem devemos escutar e seguir, sem máscaras nem medos. P. Fausto in diálogo 1460 (Domingo I da Quaresma – Ano...
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