Estranha rejeição!

O Evangelho deste domingo mostra como a vida de Jesus, apesar de muitas vezes aplaudido e fervorosamente seguido, não é propriamente um mar de rosas, com passadeira vermelha, fanfarra e guarda de honra. Hoje encontramo-Lo em Sua terra, Nazaré, talvez para descansar, visitar a família, rever amigos… sem nunca esquecer que a Sua missão não é matar saudades ou fazer turismo, mas anunciar a Boa Nova do Reino, revelando na vida quotidiana a presença amorosa, benevolente e misericordiosa de Deus, que nunca abandona o Seu Povo. Mas os conterrâneos conhecem-nO bem. Sabem que as suas mãos ainda mostram os calos do trabalho na carpintaria, conhecem pelo nome a mãe, os irmãos e irmãs, toda a família, admiram a sua pregação e até Lhe reconhecem poderes especiais de cura, mas nada que O recomende como Messias. A sua origem humilde e sem pergaminhos não o credita como Filho de Deus. ” E ficavam perplexos a seu respeito”! Porquê? Porque Deus, sem rosto, nem coração, nem mãos, não se deixa contaminar pela proximidade com as pessoas, nem pode ser solidário com os mais necessitados; em suma, não se pode preocupar com os problemas mesquinhos do dia a dia… e é tudo o que Jesus não faz. Daí o escândalo! Apesar de rejeitado, Jesus não recrimina, nem condena os seus conterrâneos e não deixa de fazer o melhor que pode em favor do seu povo, porque a Sua missão é mostrar o coração e o rosto de Deus, que nos ama infinitamente e que nunca desiste de todos e de cada um de nós. Mas isto não quiseram entender os habitantes de Nazaré!   P. Fausto in diálogo 1479 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Momentos de final feliz!

No domingo passado, em plena tempestade que punha em risco a vida dos ocupantes da barca, Jesus dormia, a sono solto, como a dizer-nos que, quem não se põe todos os dias nas mãos de Deus, vive em sobressalto e não experimenta verdadeira segurança e liberdade, especialmente nos momentos mais difíceis da vida. Neste domingo, assistimos a mais dois desses momentos. Com os apóstolos, integramos a multidão que acompanha Jesus a casa de Jairo, cuja filha, de doze anos, estava a morrer. A situação grave e urgente obrigava a passos largos e apressados. No caminho, porém, uma mulher, que sofria de fortes hemorragias, e há muito desenganada pelos médicos, abeira-se de Jesus e toca-Lhe no manto, com fundada esperança de cura. “Minha filha, disse Jesus, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal”. Ainda não refeitos deste encontro inesperado, chega a notícia de que a filha de Jairo falecera, pelo que era escusado continuar o caminho; Jesus, porém, virando-se para o chefe da sinagoga, com os olhos marejados de lágrimas, apenas disse: “Não tenhas receio. Crê somente”. E prosseguimos o caminho. O alarido era enorme e a confusão também. Chegados a casa, Jesus, acompanhado apenas pelos pais da menina defunta e por Pedro, Tiago e João, devolve aos pais, com vida, a sua filha querida. Duas pessoas em situações diferentes, impelidas pela fé, dois momentos de final feliz, a recompensarem a confiança, a humildade, a ousadia e a coragem de quem crê que é sempre de Deus a última palavra. P. Fausto in diálogo 1478 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Deus, onde estás?

O facto de Jesus prometer “não vos deixarei órfãos” e querer “estar sempre connosco até ao fim dos tempos”, não evita que se levantem tempestades, não nos torna imunes à doença, não livra de injustiças e incómodos, não é passaporte de vida longa, saúde robusta ou garantia de trabalho… e, às vezes, perguntamos: “onde está Deus”? Sim, “Onde está Deus”, no meio de tanta dor inocente, de tantas situações de injustiça gritante e de violência bárbara…? É compreensível a questão. Até os discípulos a puseram em dia de tempestade, ao verem Jesus a dormir, a sono solto, com o barco a meter água e prestes a afundar-se! Não te importas que morramos afogados? Atiram à cara do Mestre os discípulos desnorteados. A resposta de Jesus não se fez esperar, com sabor de repreensão amorosa, depois de acalmado o vento e o mar: “Porque estais tão assustados? Como é que ainda não tendes fé?” Deus onde estás? – Está bem próximo. Reza e chora connosco e diz-nos entre soluços: estou no íntimo do teu coração, para te ajudar a vencer todos os medos, em todas as circunstâncias, porque te amo e não desisto de ti. P. Fausto in diálogo 1477 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Nada sem Deus, nada sem nós”!

Após as solenidades do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo e do Sagrado Coração de Jesus, deparamo-nos com um tempo longo, entrecortado apenas pelas festas religiosas em honra dos Santos, tão frequentes em tempo de verão. E que nos diz Deus neste 11º domingo? Basta um olhar ao profeta Ezequiel para descobrimos que Deus nunca Se arrepende de investir no homem, nem volta atrás nos Seus planos de salvação, apesar das resistências e fracassos do Povo eleito. Isto mesmo confirma Jesus, nas duas parábolas deste domingo, ao sublinhar a gratuidade e o dinamismo do Reino de Deus, que não dispensa jamais o nosso contributo, cabendo-nos, na hora da sementeira, fazer tudo o que depende de nós, o nosso “trabalho de casa”, confiando os frutos à eficácia de Deus. Não se trata de fechar os olhos à realidade que nos circunda ou de nos deixarmos adormecer num espiritualismo desencarnado, mas tão só o reconhecimento de que as dificuldades dentro e fora da Igreja não devem levar o cristão ao desânimo ou à desilusão, mas à confiança sadia e ao optimismo realista, que vêm da certeza de que “a semente germina e cresce”, sem sabermos como. Graças a Deus! P. Fausto in diálogo 1476 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“…Isto é o Meu Corpo”!

A festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo, instituída no século XIII, é a resposta do Povo de Deus às dúvidas de então, sobre a presença real do Senhor nas espécies eucarísticas do pão e do vinho. E, como sempre, graças ao Espírito Santo, a Igreja, no meio de dúvidas e incertezas, mantém-se fiel ao Evangelho, conforme a promessa e a vontade de Jesus! Esta Festa, calendarizada hoje para o domingo a seguir à solenidade da Santíssima Trindade, é, de algum modo, o prolongamento festivo e solene da Missa da Ceia do Senhor, celebrada em Quinta-feira Santa, em que Jesus Se torna para nós ” Pão vivo descido do Céu”, segundo as Suas palavras. O pão, tão caro e comum na alimentação, transformando-se em Eucaristia, é mais um sinal do Amor fiel e apaixonado de Jesus pela humanidade, realizando, uma vez mais, a Sua promessa de estar connosco até ao fim dos tempos. Como não adorar, bendizer e louvar o Senhor, por esta forma tão discreta, familiar e eficaz, de presença no meio do Seu povo? A Igreja, que através dos tempos vem repetindo os gestos e as palavras de Jesus, não se cansa de agradecer este Dom, e hoje, dia da Eucaristia, convida-nos a participar, ainda com maior alegria e solenidade, neste Banquete Sagrado, verdadeiro Mistério da Páscoa de Cristo continuado na Páscoa dos cristãos. P. Fausto in diálogo 1475 (Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Ano B)...

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“Um só Deus em três Pessoas”

Terminado o Tempo Pascal, celebramos a solenidade da Santíssima Trindade, mistério fundamental da nossa fé. Foi Jesus quem nos revelou os segredos da vida divina. Falou-nos do Pai que nos ama e nos quer ver felizes e Ele próprio, apresentando-Se como Filho, o enviado do Pai, anunciou e prometeu enviar o Espírito Santo, para continuar a Sua obra. Antes da subida ao céu, Jesus teve palavras que não poderiam ser mais claras: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos mandei” e acrescentou algo que em dia algum deveremos esquecer, seja de sofrimento ou alegria, de esperança, desilusão ou nostalgia, de solidão, medo ou angústia…: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. Apesar da fragilidade das nossas forças, da inconsequência dos nossos projectos e até das nossas dúvidas e hesitações, não precisamos de mais. A assistência permanente do Espírito Santo é âncora que nos firma e defende e a certeza da fidelidade de Jesus Cristo dar-nos-á a confiança, a liberdade e a ousadia, para fazermos hoje o que foi confiado aos apóstolos: testemunhar e proclamar fielmente o Evangelho, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. P. Fausto in diálogo 1474 (Domingo da Santíssima Trindade – Ano...

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Baptizados num só Espírito!

O Tempo Pascal termina hoje com a solenidade do Pentecostes, aguardado pelos apóstolos e outros discípulos, em ambiente de oração, como mandara Jesus. São 50 dias em que a comunidade dos discípulos celebra em ambiente de redobrada alegria a glória de Cristo Ressuscitado, que na Ascensão” se elevou à vista deles e uma nuvem O escondeu a seus olhos”. Agora, com a assistência do Espírito prometido e enviado, os apóstolos têm todas as condições para levar com fidelidade, clareza e alegria, a cabo, a missão de “testemunhas da Ressurreição até aos confins do mundo…” e a vivência do mandamento do amor, como Jesus dissera, antes de subir para o Pai. Como aos discípulos, também só o Espírito Santo nos faz, sem medo, falar, hoje, de Jesus e da Sua obra, e nos responsabiliza pelo anúncio e testemunho da Boa Nova, cabendo-nos, doravante, ocupar o lugar e servir, segundo o carisma de cada um, na construção da comunidade cristã. Cheios do Espírito Santo, que ressuscitou Jesus, os apóstolos perdem o medo e a vergonha, falam outras línguas, testemunham com desassombro que “Jesus é o Senhor”, o Messias esperado, e até enfrentam com serenidade e alegria a perseguição e o martírio. Se isto aconteceu com os apóstolos, com tantos e tantas ao longo da história da Igreja e também hoje em muitas partes do mundo, acontecerá de igual modo connosco, se deixarmos o Espírito Santo – que nos enriquece com os Seus dons e nos dá igual têmpera – actuar livremente no íntimo do nosso coração. P. Fausto in diálogo 1473 (Domingo de Pentecostes – Ano...

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Agora é a nossa vez!

O Tempo Pascal aproxima-se do seu termo e chegámos à Ascensão; mas não é o fim, porque Jesus, deixando agora sensivelmente os Seus discípulos, sem nunca os abandonar, há-de vir glorioso a coroar a sua obra. Assim devem ser lidas as palavras do Anjo aos apóstolos como um convite a que ponham em prática tudo quanto, com infinita paciência, ao longo de alguns anos, Jesus lhes foi ensinando:”Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Agora o tempo é nosso, agora é a nossa vez e nem o tempo nem o espaço poderão ser obstáculos ao testemunho e anúncio da Boa Nova, porque doravante, com a presença do Espírito de Jesus Ressuscitado, cabe a cada cristão moldar o mundo segundo o projecto de Deus. A Ascensão de Jesus ao céu, longe de nos convidar a uma espiritualidade desincarnada e alienante que nos afastaria das nossas responsabilidades na construção do mundo mais humano, próspero e feliz, faz-nos tomar consciência de que o nosso horizonte se abre para a eternidade, porque a meta da vida do homem é a “morada eterna, onde Cristo já introduziu a nossa humanidade”. Até lá, há que viver o nosso tempo, aproveitar o tempo “enquanto o tempo é tempo”, ocupando o nosso lugar, de mangas arregaçadas e o coração em Deus. P. Fausto in diálogo 1472 (Domingo VII da Páscoa – SOLENIDADE DA ASCENÇÃO DO SENHOR – Ano...

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“O que vos mando…”

Estamos no 6.º domingo do tempo pascal, de que se vislumbra já o termo, e Jesus, segundo S. João, retoma a catequese que fez aos discípulos na última Ceia, insistindo nas recomendações que certamente lhes foi dando nos encontros depois da Ressurreição. A conjugação do verbo “amar” e o insistente recurso à palavra “amor”, por parte de Jesus, fazem supor que é aí que assenta o Seu programa diário e que é também por aí que os seus discípulos têm de orientar as vidas, se querem ser verdadeiramente cristãos. Este ideal apontado por Jesus a cada um de nós, e a que chamamos “Mandamento Novo”, não é para picos eufóricos de ocasião ou para grupos restritos de amizade, mas é questão de todos os dias e com todas as pessoas, só possível pela força do Espírito, que Jesus Ressuscitado promete. Jesus, na Sua pregação, fazia pedidos e dava sugestões, mas hoje dá-nos uma ordem: “Mando-vos que vos ameis uns aos outros”. Será sempre na fidelidade a este mandamento, que mostramos ser efectivamente Amigos e verdadeiramente discípulos de Jesus Cristo. E isto vale para todos os Baptizados.   P. Fausto in diálogo 1471 (Domingo VI da Páscoa – Ano...

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“Sem Mim nada podeis fazer!”

  Jesus continua nos Seus encontros dominicais a consolidar a amizade e aprofundar a fé dos discípulos, para que se tornem, sem dúvidas nem medos, em toda a parte, testemunhas fiéis da Ressurreição. E fá-lo-á mais algum tempo. No domingo passado, afirmando-se “O Bom Pastor,” pediu-nos confiança, abandono e obediência à Sua voz, garantindo aos que O acolhem pastagens abundantes e defesa segura contra os lobos. Hoje convida-nos a uma volta ao campo, a uma vinha em que há videiras tratadas e podadas e outras abandonadas. Facilmente se descobrem as diferenças. Aquelas, apresentam-se bem alinhadas, viçosas, pujantes e com esperança de muito fruto e estas, pelo contrário, de folhas encarquilhadas e ramos esguios e entrelaçados de onde pendem alguns frutos mirrados, estão a morrer, porque não foram podadas. É o que acontece aos discípulos, se não fazem de Jesus Cristo o centro das suas vidas! “Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim, nada podeis fazer”. Podemos ser óptimos conselheiros… ter boas intenções…, e até sermos bons conferencistas e pregadores afamados, mas, só unidos a Jesus Cristo e deixando-nos podar pelo Agricultor, damos frutos saborosos, que são a glória de Deus. As palavras de Jesus são tão simples e importantes, que encerram um verdadeiro programa de vida, que nos deve comprometer a todos! P. Fausto in diálogo 1470 (Domingo V da Páscoa – Ano...

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