“Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do Seu nome, celebrai os Seus louvores, Aleluia”, assim inicia a liturgia deste domingo, o III da Páscoa. E o motivo é o mesmo de todo o Tempo Pascal: a presença de Jesus Ressuscitado, que vem acontecendo “no primeiro dia da Semana”, ilumina, encoraja, liberta e faz explodir de alegria o coração dos discípulos. O que sucedeu aos jovens, de volta a Emaús, sucede connosco. Como eles, também nós somos sacudidos por dúvidas, atormentados por sofrimentos, perdidos em mar largo e revolto, desiludidos… E Ele aparece, pede licença para entrar na “conversa”, explica-lhes que o mal gerado no coração do homem é vencido pelo Amor e lembra que a última palavra jamais será da morte, mas da Vida. A nossa história, ainda que crucificada, torna-se História de Salvação, porque Deus é Pai, ama-nos infinitamente e não desiste de nós. Aprendamos com os discípulos de Emaús a aceitar como companheiro de jornada o Forasteiro que se aproxima. Com Ele não há becos sem saídas, tudo é caminho; tudo tem sentido, mesmo com perplexidades, dúvidas e incertezas; tudo tem valor mesmo na dor. Se não acreditamos nisto, somos cristãos tristes, isto é, não somos cristãos. P. Fausto in Diálogo 1561 (III Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreA celebração da Páscoa não se esgotou, é muito mais que uma festa de aniversário… é a Festa, a Festa das festas, verdadeiramente a única Festa, que torna a sua Oitava um tempo saborosamente solene em que celebramos a Ressurreição de Cristo e a alegria dos novos baptizados. A Oitava Pascal termina com o ll Domingo da Páscoa, também chamado “da Divina Misericórdia”, em que Jesus confia à Igreja o serviço da reconciliação e do perdão, vem ao encontro de Tomé responder às suas e nossas dúvidas e lhe arranca do coração a mais bela e plena profissão de Fé de todo o Evangelho : “Meu Senhor e meu Deus!” Tomé sossegou e sentiu-se feliz pela oportunidade de experimentar que o Ressuscitado não era um mito, um fantasma, ou produto de uma qualquer visão , mas a própria pessoa que nos últimos anos ouvira, seguira e com quem privara, e agora estava ali realmente Presente e Vivo. Jesus, porém, lembra a Tomé que a Sua Ressurreição não é um dado da ciência mas da Fé, e que, quando acolhida, deve levar a uma mudança radical de vida. Disso nos dá conta o livro dos Actos dos Apóstolos, cujo exemplo de vida dos primeiros cristãos continua a ser para todos um forte desafio pessoal e comunitário. P. Fausto in Diálogo 1560 (II Domingo da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreA Festa é tão grande e tão significativa que não se limita a um dia, começa na Vigília, marca intensamente o Domingo e prolonga-se por cinquenta dias: o Tempo Pascal. E ao longo do ano é o que revivemos em cada semana no Dia do Senhor. A alegria dos Aleluias que enche as nossas Igrejas na Vigília Pascal, vai ecoar, pelo ano fora, sempre que nos congregamos para festejarmos o Senhor Ressuscitado e a Páscoa torna-se, assim, a Festa, por excelência, que a Igreja vive com especial fervor. Festa de Jesus Ressuscitado é a nossa Festa também, porque, como Cristo passou da morte à Vida, também os cristãos são chamados a passar do pecado à Graça, vivendo uma vida nova e aspirando às coisas do alto, como recomenda o apóstolo Paulo. Num mundo de tantas contradições, medos e angústias, a Ressurreição de Jesus é a resposta mais eficaz e surpreendente de Deus, nosso Pai, às nossas dúvidas e hesitações, sofrimentos mil… e à própria morte. À luz da Páscoa tudo se renova e se torna luminoso; por isso não deixemos de cantar, mesmo com lágrimas nos olhos e o coração a sangrar, ” Eis o dia que o Senhor fez! Alegremo-nos e exultemos”! P. Fausto in Diálogo 1559 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreA procissão dos Ramos e a liturgia da Palavra fazem deste domingo um dia muito especial. E chamamos-lhe Domingo de Ramos e da Paixão. Dois momentos aparentemente desencontrados e contraditórios do Mistério Pascal, que tornam esta semana verdadeiramente única e santa, central na história e na fé. Por um lado, a procissão dos Ramos, com palmas e hossanas, a comemorar a entrada triunfal de Jesus, em Jerusalém, por outro, a liturgia da Palavra, que nos introduz explicitamente no mistério da Paixão do Senhor, que havemos de celebrar pormenorizadamente nestes dias. Semana surpreendente em que os mesmos que vitoriam Jesus neste domingo exigem, dias mais tarde, a Sua crucificação e morte. Semana de traições e de ódio, desespero e lágrimas, de gritos e silêncios, de contemplação amorosa, gratidão sincera e de adoração. É a última semana da vida terrena de Jesus, que somos convidados a seguir atentamente, dia a dia. É a Semana Maior. Vamos vivê-la e celebrá-la dignamente. P. Fausto in diálogo 1558 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A)...
Learn MoreEstamos a duas semanas da Páscoa e a Liturgia começa a introduzir-nos na contemplação e vivência da Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo. Que Deus não é de mortos mas de animados e ressuscitados, diz-nos claramente o Profeta Ezequiel, ao falar-nos da ressurreição de Israel, que, deportado em Babilónia, vive uma profunda experiência de depressão, desalento e falta de perspectivas, qual “corpo morto e ossos ressequidos”. A este desalento, sem futuro nem esperança, responde Deus, pelo Profeta: “Vou abrir os vossos túmulos, deles vos farei ressuscitar, ó meu povo… Eu, o Senhor, digo e faço”. Palavras para ontem, confirmadas por Jesus no Evangelho da ressurreição de Lázaro, são para hoje e sempre, porque Deus é o mesmo e nem o tempo e os nossos pecados fazem esmorecer o Seu amor por nós. “Lázaro, sai para fora!… Desligai-o e deixai-o ir”. Só Jesus Cristo nos garante, desde já, a ressurreição de vida sem sentido e fútil, porque nos quer desamarrados e livres de túmulos cheios de ilusões mas vazios de Esperança e de Alegria. P. Fausto in diálogo 1557 (V Domingo da Quaresma – Ano A)...
Learn MoreO tema dominante da Liturgia da Palavra, neste domingo, é o Evangelho do cego de nascença, a quem Jesus restitui a vista num sábado e se torna, assim, o símbolo do homem, que no Baptismo é iluminado pela graça de Deus, transmitida por Cristo, a verdadeira Luz do mundo. Diante do miraculado, os fariseus revelam-se, mais uma vez, intransigentes na defesa e cumprimento escrupuloso da Lei, incapazes de reconhecerem e compreenderem a alegria de quem se sente definitivamente desamarrado, iluminado e feliz. Para os fariseus a glória de Deus está na observância da Lei sabática, mas Jesus Cristo, neste Evangelho, faz-nos acreditar que “a Glória de Deus é o Homem Vivo”, isto é, iluminado, perdoado, livre e feliz, imerso no Amor misericordioso de Deus. É neste contexto que vivemos a alegria deste quarto Domingo da Quaresma em que somos convidados, porque Jerusalém é a imagem da Igreja que somos todos, a cantar, logo no princípio da Missa: “Alegra-te, Jerusalém,… rejubilai… Exultai de alegria…” Que outros motivos precisamos, para vivermos em “jubilosa esperança”, além da certeza de sabermos que Deus está sempre do nossa lado, interessa-se por nós e nos quer verdadeiramente felizes? P. Fausto in diálogo 1556 (IV Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreNa terceira semana da Quaresma, o tema central da Palavra de Deus é a água e, desde muito cedo, aproveitado para intensificar o programa de preparação para o Baptismo, a realizar na Vigília Pascal. Apesar de este ano não termos previstos Baptismos, este continua a ser o “tempo favorável “para prepararmos a renovação na Vigília Pascal, ainda com mais vigor e consciência, das promessas baptismais, que os nossos pais e padrinhos fizeram por nós. A primeira leitura, do Livro do Êxodo, lembra como Moisés, no deserto, fez brotar água do rochedo para saciar o povo. O deserto, o calor, as doenças, o cansaço da caminhada… tornam mais aguda a sede dos israelitas, a ponto de se revoltarem contra Moisés! Na nossa vida também há desertos, cansaços, desilusões e frustrações… Só Cristo nos pode dessedentar e fá-lo comunicando a Sua própria vida nos sacramentos. Recebemos o Baptismo, participamos na Eucaristia, “vamos à Confissão”, celebramos sacramentos… Será que são apenas rituais que repetimos rotineiramente ou encontros pessoais com Cristo, a verdadeira Fonte da Vida que nos sacia e transfigura? A palavra que Jesus dirigiu à Samaritana é também para nós: “se compreendesses o dom de Deus…!” P. Fausto in diálogo 1555 (III Domingo da Quaresma – Ano A)...
Learn MoreQuem mais luminoso que Jesus, que, hoje, no alto do monte, deixa transparecer a Pedro, João e Tiago, a glória da Sua divindade e os comove, absorve, assombra e extasia? É verdade que o Evangelho da Transfiguração é a marca deste segundo domingo da Quaresma, mas ao longo da história da salvação deparamo-nos com pessoas de cuja vida e exemplo irradia uma luz que os séculos não escurecem. Refiro-me a Abraão, a quem Deus convida a deixar a sua terra, o conforto e a sua segurança, e a dirigir-se para o desconhecido. As promessas são grandes, mas o presente imediato é uma incógnita. Para Abraão a única realidade que conta é a Palavra do Senhor, e, apenas fiado nela, põe-se a caminho. Modelo de Fé, Modelo do crente! Não deixemos de ter presente, no caminho de transfiguração que deve ser toda a nossa vida, Abraão, que não mede os planos de Deus, que não faz contas com Ele, nem pede explicações… Que Abraão inspire a nossa caminhada quaresmal de modo que, mais luminosos no olhar, nas palavras, gestos e pensamentos, no coração e no rosto, iluminemos de Jesus Cristo os nossos ambientes. P. Fausto in diálogo 1554 (II Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreDepois da elevada fasquia que Jesus nos apresentou no último domingo, a mensagem deste anda à volta do Amor que Deus nos tem, inquebrantável e exclusivo. São apenas dois os versículos do profeta Isaías que compõem a primeira leitura, mas são densos e claros na afirmação solene de que Deus, nosso Pai, nos ama, para além de quanto se possa imaginar. Não se esquece de nós, não nos abandona, não se cansa de nos amar: “Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta…? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei”. No Evangelho, em linguagem bela e poética, atual e oportuna, Jesus diz-nos que à medida que Deus for dispensado, a vida torna-se uma corrida aos saldos e o coração enche-se de ilusões, medos e frustrações. Jesus não recomenda a preguiça nem desvaloriza o trabalho do homem. Apenas nos quer dizer que, se tudo é de Deus e está nas Suas mãos, o que importa primeiro é procurar o Seu Reino e a Sua Vontade, sem dramatismos nem ansiedades. Livres e sempre confiantes. Só assim somos felizes. P. Fausto in diálogo 1552 (VIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar”, disse-nos Jesus, no domingo passado, não sem deixar um aviso sério: “Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus”. Fica claro que Jesus não se revê no comportamento de quantos pautam a sua relação com os outros na Lei do “olho por olho e dente por dente”, ou mesmo dos que se preocupam no mero cumprimento exterior da Lei de Moisés e vai mais longe, põe mesmo a fasquia no máximo: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Doravante, expurgada dos abusos e interpretações farisaicas, a nova Lei, última e perfeita, é a da Caridade. Sem limites de espaço, cultura, raça ou religião. Para Jesus não há inimigos e afastados, mas todos irmãos e próximos. Amar, orar, oferecer, bendizer, emprestar, fazer bem…, são verbos de cuja conjugação depende um projecto de vida belo, rico e feliz, como deve ser o dos cristãos. Apesar de a fasquia estar imensamente alta, não devemos desistir de a manter elevada, porque a perfeição a que Jesus nos desafia não é meta que se atinge, mas ideal que não se esquece. P. Fausto in diálogo 1551 (VII Domingo do Tempo Comum – Ano...
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