Ao reentrarmos no Tempo Comum, interrompido com a Quaresma e o Tempo Pascal, dedicamos o primeiro domingo livre a celebrar a Santíssima Trindade. Toda a liturgia, sobretudo a acção litúrgica por excelência, a Missa, é dirigida ao Pai, por intermédio do Filho, no Espírito Santo. Todos os grandes actos litúrgicos da Igreja, a começar pelos sacramentos, são, então, realizados e celebrados mediante a invocação da Trindade Santa, “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E na nossa vida comum, mesmo o gesto dimples de nos benzermos, constitui também uma invocação e um acto de fé, pelo que não deve ser maquinal ou rotineiro, antes a expressão mais sintética, mas não menos autêntica, da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Um só Deus em três Pessoas. Homens santos, agnósticos e ateus, escreveram muito sobre Deus, páginas e páginas, mas de Deus continuamos a saber bem pouco, confessa humildemente S. Tomás de Aquino, porque sabemos mais o que Deus não é. Jesus, porém, revelou-nos o essencial de Deus: Amor Perfeito, Comunhão Trinitária Plena e Misericórdia Infinita. Isto nos basta. P. Fausto in diálogo 1567 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A)...
Learn MoreDecorridos cinquenta dias desde que o sepulcro está vazio, no último dia do Tempo Pascal, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo. Ao longo deste tempo, os apóstolos refrescaram a memória, reforçaram a esperança e esclareceram dúvidas. Tudo isto, porém, não evitou o desconforto da partida anunciada e leva Jesus a dizer-lhes solenemente: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Jesus cumpriu, enviando-lhes o Dom do Espírito, prometido nas últimas semanas e que, entretanto, em oração, os discípulos aguardaram reunidos no cenáculo. “E todos ficaram cheios de Espírito Santo”. E os apóstolos, virados do avesso, perderam o medo e venceram a vergonha de serem discípulos e tornaram-se audazes, a ponto de parecerem embriagados, tão grandes eram os sinais de confiança, de esperança, de generosidade e alegria. E ainda hoje a Igreja continua a viver da acção do mesmo Espírito Santo. Com efeito, desde o dia do Baptismo, os cristãos são vivificados por Ele, e sob a sua inspiração, vão construindo a comunidade e transformando o mundo, na fidelidade ao mandato que Jesus deixara a quando da sua Ascensão ao céu. Apesar de não nos faltar o Espírito Santo, o que nos falta muitas vezes é a ousadia e a alegria, a fidelidade e a esperança que tornem contagiante o nosso testemunho e credível a nossa acção pastoral! P. Fausto in diálogo 1566 (Domingo de Pentecostes – Ano...
Learn More“Gloriosa” e “admirável” é como a Liturgia qualifica a festa que neste domingo celebramos. O ambiente de glória que a caracteriza e a admiração que provoca em quem a contempla, vêm da sua ligação ao Mistério Pascal: Jesus ressuscitou glorioso para subir gloriosamente ao céu, a fim de “se sentar à direita do Pai”. A solenidade da Ascensão é, assim, a glorificação de Cristo ressuscitado. Sendo glorificação de Cristo, a Ascensão é a festa da nossa esperança, como diz a oração “colecta” da Missa de hoje, porque, com Cristo, também a nossa humanidade sobe e é introduzida na comunhão trinitária de Deus. Mas é também a festa da Igreja, de todos e de cada cristão: “Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as… e ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei”. Não é este, então, o tempo de ficarmos “parados a olhar o céu”, mas de irmos ao encontro dos homens e, no meio deles, continuar a obra de Jesus. O desafio não é de adiamento ou mera contemplação, mas de acção e compromisso em sermos Igreja permanentemente “em saída”, sem medo das “periferias”, como nos recorda, com tanto vigor, o Papa Francisco, com a certeza de que Jesus estará sempre connosco até ao fim dos tempos. Agora é a nossa vez! P. Fausto in Diálogo 1565 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano A)...
Learn MoreÀ medida que o Tempo Pascal se aproxima do seu termo, a Igreja insiste com renovado fervor e vigor em celebrar as maravilhas de Deus, sobretudo a maior de todas, a Ressurreição de Jesus Cristo, e pede que, sem nunca nos cansarmos, seja o nosso júbilo tão intenso que chegue aos confins do mundo. A Liturgia destas últimas semanas vai – nos dando conta dos sinais de ansiedade e desconforto estampados no rosto dos discípulos, a que Jesus responde com esclarecimentos, recomendações e confidências, ao ponto de hoje, solenemente, lhes garantir, que, em circunstância alguma, os deixará órfãos. Esta promessa marcará as suas vidas para sempre. A promessa de Jesus aos discípulos de nunca os abandonar trouxe -lhes paz, motivou-os ao acolhimento do Paráclito, que o Pai haveria de enviar como defensor e Espírito de verdade, e mantém-se actual para nós. Em circunstâncias tão conturbadas e poluídas, como as que vivemos, a certeza da fidelidade de Jesus é verdadeira lufada de ar fresco que nos enche a alma, enxuga as lágrimas e nos desafia a darmos rosto à esperança e à paz. P. Fausto in Diálogo 1564 (VI Domingo de Páscoa – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal já vai na quinta semana e razões não faltam para continuarmos a dar asas à Alegria e à Acção de Graças; basta atendermos ao que a Liturgia coloca nos nossos lábios, na “Colecta” da Missa de hoje, onde pedimos a Deus, que nos “remiu” e “adoptou”, a “verdadeira liberdade e a herança eterna”. Não somos mesmo nada envergonhados e comedidos, antes bem ousados, nos pedidos que fazemos a Deus! Como nas semanas anteriores, continuamos, nesta, em contacto com a vida da Igreja nascente e como se desenvolvia, apesar das dificuldades inerentes ao ritmo crescente das conversões ou decorrentes da debilidade da natureza humana ou da oposição dos poderes constituídos. Nada, porém, impediu a Igreja de crescer. Fiel ao Espírito Santo e atenta aos sinais dos tempos, a Igreja, em oração pessoal e comunitária, encontrou e há-de encontrar sempre a melhor resposta para os problemas detectados. Sendo a Igreja “Mistério de Comunhão” e a comunidade obra de todos, saiba cada um ocupar o seu lugar no serviço da Caridade, na transmissão da Palavra, na educação da Fé ou na celebração da Liturgia… sempre com humildade, zelo e espírito de serviço, ao jeito de Jesus, “o Bom Pastor”, que, neste domingo, declara ser, para todos os homens, “O Caminho, a Verdade e a Vida”. P. Fausto in Diálogo 1563 (V Domingo de Páscoa – Ano A)...
Learn MoreA liturgia deste quarto Domingo do Tempo Pascal apresenta-se sob o signo do Bom Pastor e é conhecido também por ser “Dia da Mãe” e “Dia mundial de oração pelas vocações”. Para uns será mais dedicado às mães, para outros aos sacerdotes, sobretudo párocos, ou outras pessoas, mas, para nós, não pode deixar de ser o “Dia do Bom Pastor”. No Evangelho, ouvimos dos lábios do próprio Cristo, como Ele concebe e exerce o ofício de pastor. E quem de nós se pode considerar de fora? Porventura, não são verdadeiramente pastores a mãe e o pai na sua família? E o sacerdote na sua comunidade? E os professores na sua escola? E os catequistas nos seus grupos? E os patrões, os governantes… e os responsáveis disto ou daquilo? E se não tivermos presente no trabalho que fazemos, na profissão que exercemos, no lugar que ocupamos… o modo como Jesus concebe e exerce o Seu Ofício de Bom Pastor, arriscamo-nos a ser “ladrões e salteadores”. Celebremos o Bom Pastor e peçamos-Lhe a graça de que haja cada vez mais quem viva e sirva ao Seu jeito. P. Fausto in Diálogo 1562 (IV Domingo de Páscoa – Ano A)...
Learn More“Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do Seu nome, celebrai os Seus louvores, Aleluia”, assim inicia a liturgia deste domingo, o III da Páscoa. E o motivo é o mesmo de todo o Tempo Pascal: a presença de Jesus Ressuscitado, que vem acontecendo “no primeiro dia da Semana”, ilumina, encoraja, liberta e faz explodir de alegria o coração dos discípulos. O que sucedeu aos jovens, de volta a Emaús, sucede connosco. Como eles, também nós somos sacudidos por dúvidas, atormentados por sofrimentos, perdidos em mar largo e revolto, desiludidos… E Ele aparece, pede licença para entrar na “conversa”, explica-lhes que o mal gerado no coração do homem é vencido pelo Amor e lembra que a última palavra jamais será da morte, mas da Vida. A nossa história, ainda que crucificada, torna-se História de Salvação, porque Deus é Pai, ama-nos infinitamente e não desiste de nós. Aprendamos com os discípulos de Emaús a aceitar como companheiro de jornada o Forasteiro que se aproxima. Com Ele não há becos sem saídas, tudo é caminho; tudo tem sentido, mesmo com perplexidades, dúvidas e incertezas; tudo tem valor mesmo na dor. Se não acreditamos nisto, somos cristãos tristes, isto é, não somos cristãos. P. Fausto in Diálogo 1561 (III Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreA celebração da Páscoa não se esgotou, é muito mais que uma festa de aniversário… é a Festa, a Festa das festas, verdadeiramente a única Festa, que torna a sua Oitava um tempo saborosamente solene em que celebramos a Ressurreição de Cristo e a alegria dos novos baptizados. A Oitava Pascal termina com o ll Domingo da Páscoa, também chamado “da Divina Misericórdia”, em que Jesus confia à Igreja o serviço da reconciliação e do perdão, vem ao encontro de Tomé responder às suas e nossas dúvidas e lhe arranca do coração a mais bela e plena profissão de Fé de todo o Evangelho : “Meu Senhor e meu Deus!” Tomé sossegou e sentiu-se feliz pela oportunidade de experimentar que o Ressuscitado não era um mito, um fantasma, ou produto de uma qualquer visão , mas a própria pessoa que nos últimos anos ouvira, seguira e com quem privara, e agora estava ali realmente Presente e Vivo. Jesus, porém, lembra a Tomé que a Sua Ressurreição não é um dado da ciência mas da Fé, e que, quando acolhida, deve levar a uma mudança radical de vida. Disso nos dá conta o livro dos Actos dos Apóstolos, cujo exemplo de vida dos primeiros cristãos continua a ser para todos um forte desafio pessoal e comunitário. P. Fausto in Diálogo 1560 (II Domingo da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreA Festa é tão grande e tão significativa que não se limita a um dia, começa na Vigília, marca intensamente o Domingo e prolonga-se por cinquenta dias: o Tempo Pascal. E ao longo do ano é o que revivemos em cada semana no Dia do Senhor. A alegria dos Aleluias que enche as nossas Igrejas na Vigília Pascal, vai ecoar, pelo ano fora, sempre que nos congregamos para festejarmos o Senhor Ressuscitado e a Páscoa torna-se, assim, a Festa, por excelência, que a Igreja vive com especial fervor. Festa de Jesus Ressuscitado é a nossa Festa também, porque, como Cristo passou da morte à Vida, também os cristãos são chamados a passar do pecado à Graça, vivendo uma vida nova e aspirando às coisas do alto, como recomenda o apóstolo Paulo. Num mundo de tantas contradições, medos e angústias, a Ressurreição de Jesus é a resposta mais eficaz e surpreendente de Deus, nosso Pai, às nossas dúvidas e hesitações, sofrimentos mil… e à própria morte. À luz da Páscoa tudo se renova e se torna luminoso; por isso não deixemos de cantar, mesmo com lágrimas nos olhos e o coração a sangrar, ” Eis o dia que o Senhor fez! Alegremo-nos e exultemos”! P. Fausto in Diálogo 1559 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreA procissão dos Ramos e a liturgia da Palavra fazem deste domingo um dia muito especial. E chamamos-lhe Domingo de Ramos e da Paixão. Dois momentos aparentemente desencontrados e contraditórios do Mistério Pascal, que tornam esta semana verdadeiramente única e santa, central na história e na fé. Por um lado, a procissão dos Ramos, com palmas e hossanas, a comemorar a entrada triunfal de Jesus, em Jerusalém, por outro, a liturgia da Palavra, que nos introduz explicitamente no mistério da Paixão do Senhor, que havemos de celebrar pormenorizadamente nestes dias. Semana surpreendente em que os mesmos que vitoriam Jesus neste domingo exigem, dias mais tarde, a Sua crucificação e morte. Semana de traições e de ódio, desespero e lágrimas, de gritos e silêncios, de contemplação amorosa, gratidão sincera e de adoração. É a última semana da vida terrena de Jesus, que somos convidados a seguir atentamente, dia a dia. É a Semana Maior. Vamos vivê-la e celebrá-la dignamente. P. Fausto in diálogo 1558 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A)...
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