Enquanto a generalidade das escolas já encerrou o ano académico e a catequese paroquial interrompeu os seus trabalhos, na Escola de Jesus, apesar do verão nada se alterou. Não estranhemos, pois, que a mensagem da Palavra de Deus nos oriente neste domingo para esta Escola e nos faça desejar sempre ser bons alunos de um Mestre, que é essencialmente Bom. O ambiente desta Escola é de intensa alegria, vivida com liberdade e respeito de uns pelos outros, sem a sofreguidão das notas e o desespero pelo insucesso. Sabendo todos que o Mestre é “clemente e compassivo, lento para a ira, rico de misericórdia… e carinhoso para com todos”, ninguém vive à sombra de ninguém, escondido no conformismo e na passividade, e todos são chamados a dar o seu melhor, ainda que com diferentes resultados, porque a nota final é apenas dada em função do esforço e generosidade desenvolvidos ao longo de toda a vida. Parecendo elitista, esta Escola é para todos, ricos e pobres, arriscando ser “chumbado” apenas quem não cuidar do coração, que tem de ser manso, humilde e pobre, como o do Mestre. E isto é tarefa não de um ano, mas da vida inteira. É por isso que não encerra para férias. É uma Boa Escola, sem dúvida, a melhor que prepara para a Vida e para a Felicidade! P. Fausto in diálogo 1571 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Liturgia da Palavra deste domingo faz-nos reflectir sobre o modo como acolhemos os irmãos e realça o valor da hospitalidade. É verdade que nos ambientes urbanos, e mesmo rurais, as pessoas aumentaram os níveis de segurança de casas e haveres, com o reforço de portas e instalação de campainhas com visores e câmaras de vigilância, discreta e eficientemente colocadas. Apesar de já não encontrarmos chaves na porta, como antigamente, com o morador ausente, não podemos deixar de combater as resistências e os medos que tendem a fazer desaparecer a virtude tão gostosamente humana e cristã da hospitalidade. Abrir as portas, acolher, convidar para entrar, promover o convívio de uns com os outros, não podem ser reminiscências do passado, mas modos concretos de nos mantermos fiéis a valores e gestos humanos e cristãos, sob pena de serem cada vez mais áridas, frias e calculistas, as relações de vizinhança. “Se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca… não perderá a sua recompensa”, diz-nos Jesus. Bela maneira de dizer que no Evangelho o verbo “amar” se há-de traduzir sempre pelo verbo “dar”, nem que seja um copo de água! P. Fausto in diálogo 1570 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano A)...
Learn MoreAos profetas de todos os tempos, Deus pede coragem e fidelidade, mesmo com o sacrifício da própria vida, não lhes faltando jamais o conforto, que amorosamente Deus dispensa em todas as circunstâncias. Aconteceu a Jeremias, como relata a primeira leitura da Missa de hoje, a João Baptista, de quem celebrámos, há pouco, o nascimento, aos apóstolos e a todos os demais profetas, ontem e hoje. Continuam, pois, a ser preciosos os conselhos de Jesus referidos no Evangelho de hoje, porque diante das exigências da vida cristã e das dificuldades que surgem de todos os quadrantes, os cristãos podem ter a tentação de baixar os braços, desistir da luta e acomodar-se às circunstâncias e, deixando de ser profetas, tornam-se insignificantes, sem brilho, sem fulgor, sem sabor; tornam-se “cristãos não praticantes”. “Não tenhais medo dos homens… não temais os que matam o corpo… não temais: valeis mais que todos os passarinhos”, diz Jesus. São palavras claras, acompanhadas de um grave alerta, porque “àquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do Pai que está nos Céus”. Podemo-nos “queixar” de Deus por muitas coisas, mas não de uma, porque “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”. É assim o amor, a atenção e a solicitude de Deus por cada um de nós. Mesmo nos mais ínfimos pormenores! P. Fausto in Diálogo 1569 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreSão frequentes as multidões que aguardam em filas intermináveis o acesso a eventos desportivos ou concertos de verão, mas não se registam encontrões às portas das nossas Igrejas para a celebração da Eucaristia dominical…São frequentes as multidões que aguardam em filas intermináveis o acesso a eventos desportivos ou concertos de verão, mas não se registam encontrões às portas das nossas Igrejas para a celebração da Eucaristia dominical…O desfasamento entre fé e a vida é notório e generalizado e são cada vez mais os que, dentro e fora da Igreja, há muito dispensaram Deus do seu projecto de vida, outros deixaram de lutar, empurrados que foram para a margem, por circunstâncias várias… Enfim, cresce a multidão dos fatigados e abatidos, de que fala o Evangelho de hoje, e que andam por aí “como ovelhas sem pastor”. É para esta seara, cada vez maior, que Jesus pede que Deus mande trabalhadores… O fenómeno não é novo e não passou despercebido a Jesus, que continua a convidar trabalhadores para a messe. Houve sempre cristãos, conscientes e generosos, que, como os apóstolos, se dedicaram à missão, procurando dar resposta às necessidades mais gritantes de cada tempo. Mas hoje é o nosso tempo. Somos nós os interpelados e cabe-nos a resposta.Não seremos todos missionários da mesma maneira, mas todos devemos participar na missão que Jesus confiou à Igreja. Impõe-se, então, a pergunta: “que quereis de mim, Senhor?” E resposta, como o profeta: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me…“ P. Fausto in Diálogo 1568 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAo reentrarmos no Tempo Comum, interrompido com a Quaresma e o Tempo Pascal, dedicamos o primeiro domingo livre a celebrar a Santíssima Trindade. Toda a liturgia, sobretudo a acção litúrgica por excelência, a Missa, é dirigida ao Pai, por intermédio do Filho, no Espírito Santo. Todos os grandes actos litúrgicos da Igreja, a começar pelos sacramentos, são, então, realizados e celebrados mediante a invocação da Trindade Santa, “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E na nossa vida comum, mesmo o gesto dimples de nos benzermos, constitui também uma invocação e um acto de fé, pelo que não deve ser maquinal ou rotineiro, antes a expressão mais sintética, mas não menos autêntica, da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Um só Deus em três Pessoas. Homens santos, agnósticos e ateus, escreveram muito sobre Deus, páginas e páginas, mas de Deus continuamos a saber bem pouco, confessa humildemente S. Tomás de Aquino, porque sabemos mais o que Deus não é. Jesus, porém, revelou-nos o essencial de Deus: Amor Perfeito, Comunhão Trinitária Plena e Misericórdia Infinita. Isto nos basta. P. Fausto in diálogo 1567 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A)...
Learn MoreDecorridos cinquenta dias desde que o sepulcro está vazio, no último dia do Tempo Pascal, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo. Ao longo deste tempo, os apóstolos refrescaram a memória, reforçaram a esperança e esclareceram dúvidas. Tudo isto, porém, não evitou o desconforto da partida anunciada e leva Jesus a dizer-lhes solenemente: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Jesus cumpriu, enviando-lhes o Dom do Espírito, prometido nas últimas semanas e que, entretanto, em oração, os discípulos aguardaram reunidos no cenáculo. “E todos ficaram cheios de Espírito Santo”. E os apóstolos, virados do avesso, perderam o medo e venceram a vergonha de serem discípulos e tornaram-se audazes, a ponto de parecerem embriagados, tão grandes eram os sinais de confiança, de esperança, de generosidade e alegria. E ainda hoje a Igreja continua a viver da acção do mesmo Espírito Santo. Com efeito, desde o dia do Baptismo, os cristãos são vivificados por Ele, e sob a sua inspiração, vão construindo a comunidade e transformando o mundo, na fidelidade ao mandato que Jesus deixara a quando da sua Ascensão ao céu. Apesar de não nos faltar o Espírito Santo, o que nos falta muitas vezes é a ousadia e a alegria, a fidelidade e a esperança que tornem contagiante o nosso testemunho e credível a nossa acção pastoral! P. Fausto in diálogo 1566 (Domingo de Pentecostes – Ano...
Learn More“Gloriosa” e “admirável” é como a Liturgia qualifica a festa que neste domingo celebramos. O ambiente de glória que a caracteriza e a admiração que provoca em quem a contempla, vêm da sua ligação ao Mistério Pascal: Jesus ressuscitou glorioso para subir gloriosamente ao céu, a fim de “se sentar à direita do Pai”. A solenidade da Ascensão é, assim, a glorificação de Cristo ressuscitado. Sendo glorificação de Cristo, a Ascensão é a festa da nossa esperança, como diz a oração “colecta” da Missa de hoje, porque, com Cristo, também a nossa humanidade sobe e é introduzida na comunhão trinitária de Deus. Mas é também a festa da Igreja, de todos e de cada cristão: “Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as… e ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei”. Não é este, então, o tempo de ficarmos “parados a olhar o céu”, mas de irmos ao encontro dos homens e, no meio deles, continuar a obra de Jesus. O desafio não é de adiamento ou mera contemplação, mas de acção e compromisso em sermos Igreja permanentemente “em saída”, sem medo das “periferias”, como nos recorda, com tanto vigor, o Papa Francisco, com a certeza de que Jesus estará sempre connosco até ao fim dos tempos. Agora é a nossa vez! P. Fausto in Diálogo 1565 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano A)...
Learn MoreÀ medida que o Tempo Pascal se aproxima do seu termo, a Igreja insiste com renovado fervor e vigor em celebrar as maravilhas de Deus, sobretudo a maior de todas, a Ressurreição de Jesus Cristo, e pede que, sem nunca nos cansarmos, seja o nosso júbilo tão intenso que chegue aos confins do mundo. A Liturgia destas últimas semanas vai – nos dando conta dos sinais de ansiedade e desconforto estampados no rosto dos discípulos, a que Jesus responde com esclarecimentos, recomendações e confidências, ao ponto de hoje, solenemente, lhes garantir, que, em circunstância alguma, os deixará órfãos. Esta promessa marcará as suas vidas para sempre. A promessa de Jesus aos discípulos de nunca os abandonar trouxe -lhes paz, motivou-os ao acolhimento do Paráclito, que o Pai haveria de enviar como defensor e Espírito de verdade, e mantém-se actual para nós. Em circunstâncias tão conturbadas e poluídas, como as que vivemos, a certeza da fidelidade de Jesus é verdadeira lufada de ar fresco que nos enche a alma, enxuga as lágrimas e nos desafia a darmos rosto à esperança e à paz. P. Fausto in Diálogo 1564 (VI Domingo de Páscoa – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal já vai na quinta semana e razões não faltam para continuarmos a dar asas à Alegria e à Acção de Graças; basta atendermos ao que a Liturgia coloca nos nossos lábios, na “Colecta” da Missa de hoje, onde pedimos a Deus, que nos “remiu” e “adoptou”, a “verdadeira liberdade e a herança eterna”. Não somos mesmo nada envergonhados e comedidos, antes bem ousados, nos pedidos que fazemos a Deus! Como nas semanas anteriores, continuamos, nesta, em contacto com a vida da Igreja nascente e como se desenvolvia, apesar das dificuldades inerentes ao ritmo crescente das conversões ou decorrentes da debilidade da natureza humana ou da oposição dos poderes constituídos. Nada, porém, impediu a Igreja de crescer. Fiel ao Espírito Santo e atenta aos sinais dos tempos, a Igreja, em oração pessoal e comunitária, encontrou e há-de encontrar sempre a melhor resposta para os problemas detectados. Sendo a Igreja “Mistério de Comunhão” e a comunidade obra de todos, saiba cada um ocupar o seu lugar no serviço da Caridade, na transmissão da Palavra, na educação da Fé ou na celebração da Liturgia… sempre com humildade, zelo e espírito de serviço, ao jeito de Jesus, “o Bom Pastor”, que, neste domingo, declara ser, para todos os homens, “O Caminho, a Verdade e a Vida”. P. Fausto in Diálogo 1563 (V Domingo de Páscoa – Ano A)...
Learn MoreA liturgia deste quarto Domingo do Tempo Pascal apresenta-se sob o signo do Bom Pastor e é conhecido também por ser “Dia da Mãe” e “Dia mundial de oração pelas vocações”. Para uns será mais dedicado às mães, para outros aos sacerdotes, sobretudo párocos, ou outras pessoas, mas, para nós, não pode deixar de ser o “Dia do Bom Pastor”. No Evangelho, ouvimos dos lábios do próprio Cristo, como Ele concebe e exerce o ofício de pastor. E quem de nós se pode considerar de fora? Porventura, não são verdadeiramente pastores a mãe e o pai na sua família? E o sacerdote na sua comunidade? E os professores na sua escola? E os catequistas nos seus grupos? E os patrões, os governantes… e os responsáveis disto ou daquilo? E se não tivermos presente no trabalho que fazemos, na profissão que exercemos, no lugar que ocupamos… o modo como Jesus concebe e exerce o Seu Ofício de Bom Pastor, arriscamo-nos a ser “ladrões e salteadores”. Celebremos o Bom Pastor e peçamos-Lhe a graça de que haja cada vez mais quem viva e sirva ao Seu jeito. P. Fausto in Diálogo 1562 (IV Domingo de Páscoa – Ano A)...
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