Depois da festa da Epifania, eis-nos, de novo, no Tempo Comum, em que celebramos o Mistério de Cristo, no seu conjunto e plenitude, revestindo-se cada domingo de particular importância , como aliás nos outros períodos mais característicos do ano. E a iniciar este tempo, faz-nos muito bem o contacto com pessoas que levaram a sério o chamamento de Deus. São pessoas comuns, do Antigo e do Novo Testamento. E Deus continua hoje a chamar… “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”, respondia Samuel à voz misteriosa que o interpelava insistentemente na escuridão da noite. Também nós havemos, ao longo deste tempo, de cultivar a atenção e disponibilidade para escutar Deus, que, especialmente em cada domingo, não se cansa de dirigir a palavra a todos e cada um de nós. De pouco nos vale, aliás, se nos limitarmos à mera escuta da palavra que celebramos , sem a levarmos à nossa prática diária. No Evangelho admiramos o exemplo dos primeiros discípulos, que seguem “o Cordeiro de Deus”, apresentado por João Baptista. Movê-los-á a curiosidade, sem dúvida, mas o que se passou transformou-os, e, de curiosos, depressa se tornaram testemunhas de uma experiência íntima, que Jesus lhes tinha proporcionado. Essa mesma experiência é que faz também de nós cada vez mais discípulos missionários. P. Fausto in Diálogo 1592 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEstamos ainda a celebrar o Natal. Acordados pelos Anjos, fomos com os pastores ao presépio e adorámos o Menino Jesus, contemplado e acarinhado pelos pais, felizes e cheios de Deus. Começámos o ano com a celebração da maternidade divina de Nossa Senhora, e hoje somos surpreendidos pela curiosidade dos Magos, que procuravam saber a razão duma estrela muito bonita, que há muito os seduzia. É a solenidade da Epifania! Neste dia, de modo especial, a Igreja contempla a revelação de Jesus a todos os povos, representados na pessoa dos Magos que vieram de longe, guiados por uma estrela. É a festa da vocação missionária da Igreja e da universalidade da salvação! Na verdade, “os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo Corpo e beneficiam da mesma promessa”, como escreve S. Paulo. Diante de afirmação tão solene, quem pode ainda estabelecer barreiras ou pensar em privilégios? O tempo de Natal está a terminar. E pouco mais será que um tempo de magia e fantasia, aproveitado para puchar anualmente pelo comércio, se o nosso encontro com o Menino Jesus e os Seus Pais, no presépio, não nos fizer retomar o tempo comum do nosso quotidiano, por outro caminho, isto é, renovados e luminosos. É o desafio permanente que nos fazem os Magos. P. Fausto in Diálogo 1591 (Epifania do Senhor – Ano...
Learn MoreA festa da Sagrada Família, colocada no domingo a seguir ao Natal, pode passar-nos despercebida, como despercebida foi a apresentação do Menino no templo. Cumprindo a lei de Moisés, Maria e José “levaram o Menino a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor”, diz-nos o Evangelho de hoje. Sem passadeira vermelha, ninguém esperava este recém nascido de quarenta dias, envolto em pobres mas limpinhas fraldas, levado por um casal jovem, belo e feliz, de aspecto humilde e habituado ao trabalho. Não havia sacerdote por perto, nem mesmo levita a dar as boas vindas. Ninguém os aguardava! A clandestinidade desta família, porém, não passa despercebida a um ancião, que, atento à vida, apesar da sua provecta idade, vivia acalentando um sonho, que o Espírito Santo convertera em pressentimento de que “não morreria antes de ver o Messias do Senhor”. Estava no lugar certo e no tempo certo. Eis a Sagrada Família que vivia cada dia em Festa! Não tinha abundância de pão à mesa ou recursos financeiros disponíveis, mas a ternura, o respeito, o diálogo, o silêncio, a oração pessoal e famíliar… eram pão abundante a tornar rica, sagrada e feliz esta Família, com quem Deus amorosamente habitava. P. Fausto in Diálogo 1590 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...
Learn MoreFoi graças ao sim humilde, confiante e corajoso de Maria, que Deus se tornou um de nós. E nada ficou como dantes. Pela primeira vez, Deus fez depender a realização da Sua vontade de um sim humano e nunca criatura alguma respondeu com tanta prontidão e generosidade aos desígnios insondáveis de Deus: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. E completado o tempo, “Maria deu à luz o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura”. Era o único lugar disponível! Convidados pelos anjos, vão os pastores a Belém, contemplam o Menino, adoram Deus e agradecem o sim generoso daquela jovem mãe, que, de olhos surpreendentemente lindos, fixam, absortos, com os de José, seu esposo, o mistério de Deus, a ambos confiado. Fazia muito frio e nada havia de conforto naquele refúgio de pedra, mas respirava-se uma paz dulcíssima e uma intensa luz rasgava as trevas daquela noite original. Ao longe, ouviam-se vozes, que pareciam vindas do céu, a convidar todos à festa, porque, discreta e finalmente, Deus se fizera homem e a Paz descera à terra. P. Fausto in diálogo 1589 (IV Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreNo meio do Advento, praticamente a uma semana do Natal, a Liturgia convida-nos, ainda com mais insistência, a prepararmos com alegria a festa que se aproxima. Outra não é a conclusão, a partir das expressões com que começa a antífona da entrada da Missa: “Alegrai-vos… Exultai de alegria”. A razão da nossa alegria não vem do estímulo das luzes das praças e montras, por mais vistosas e convidativas que sejam, e se olharmos à nossa volta ou nos centrarmos nos noticiários, poucos sinais vemos da utopia do profeta Isaías e poucas razões temos para dar rosto à alegria a que nos convida S. Paulo. A razão verdadeira da nossa alegria vem da certeza de que Jesus, que já veio, continua a fazer história connosco e jamais se há -de afastar de nós. É essa alegria, fruto do Espírito Santo, que importa testemunhar, porque é o segredo da nossa esperança e o alento dos nossos dias, mesmo dos mais cinzentos. P. Fausto in diálogo 1588 (III Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreJá há muito que não ouvíamos falar de João Batista. Vigoroso na palavra, acutilante na denúncia, austero no trage e sóbrio no alimento, eis o homem de quem se fala neste belo e generoso tempo do Advento. Pouco dado aos holofotes, não deixa de ocupar um lugar de relevo na liturgia deste tempo. Dele, mais tarde, Jesus dirá: “Quem fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Um homem luxuosamente vestido? Fostes ver alguém que é mais que profeta…” Guiados por estas palavras de Cristo, procuramos compreender o testemunho de João, que vivia no dia a dia o que dizia a todos: “Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu…” Ele próprio e o seu estilo de vida se tornam verdadeira e eficaz mensagem para todos os que desejam preparar o Natal. Não precisamos de ir para o deserto, nem de chegar a tanta austeridade, mas temos de cultivar o espírito de desapego de muitas coisas que nos podem criar sérias dificuldades para vivermos, de facto, o Natal. P. Fausto in diálogo 1587 (II Domingo do Advento – Ano B)...
Learn MoreCom este domingo, começa o ano litúrgico. Como a vida humana está marcada por ritmos, naturais ou convencionais, que escalonam o desenrolar do tempo e a nossa existência, também a nossa vivência religiosa e a expressão da fé têm ritmos e tempos, que se organizam em cada ano à volta do Mistério Pascal de Jesus. E tudo recomeça com o Advento a desafiar-nos à preparação para o Natal, mas a lembrar-nos também que o Messias, esperado durante tantos séculos, há-de vir em plenitude e majestade, no fim dos tempos. É esta vinda, gloriosa e definitiva, que importa aguardar e preparar com cuidado, vivendo cada tempo… atentos e vigilantes. Não estranhemos, pois, no Evangelho da Missa de hoje, a ordem do Senhor: “Acautelai-vos e estai alerta”! São expressões nossas conhecidas e plenas de actualidade. Quem vigia, vive em atitude permanente de atenção ao cumprimento dos seus deveres, não anda distraído, sonolento ou entretido com coisas que nos amarram e desviam do essencial, como nos tem dito Jesus, em parábolas, nas últimas semanas. Este tempo que começamos é belo e generoso. Vamos vivê-lo individualmente, em família e em Paróquia, à volta do Presépio, que vamos construindo em casa e na Igreja, mas especialmente atentos aos mais necessitados. P. Fausto in Diálogo 1586 (I Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreChegámos ao último domingo do ano litúrgico, sempre com a solenidade de Cristo Rei do Universo a lembrar-nos que, para além desta etapa terrena, se abrem as portas dum Reino, que Jesus veio implantar e para o qual nos convida definitivamente : “Vinde tomar parte do reino que vos está preparado…” Vislumbramos, antevemos, mas ainda não o gozamos plenamente. O que dele sabemos, porém, é que se trata de algo que nos torna já muito felizes, porque “não haverá mais morte, nem lágrimas, nem luto… não haverá ninguém infeliz”… Mas, atenção: só há um caminho para lá chegar e a credencial de entrada é apenas a do capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus: “Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, não tinha roupa e me vestistes…” Seremos, então, julgados pela maneira como amámos ou como abandonámos o próximo. Os que amaram… pertencem ao Reino. Os que se fecharam em si mesmos e desconheceram os outros, serão excluídos. E nem lhes vale como defesa não terem feito nada de mal, porque simplesmente nada fizeram de bem. Com a solenidade de Cristo Rei do Universo termina o ano litúrgico e a Sua Vinda gloriosa abre-nos as portas para a plenitude da Comunhão com Deus e com todos os que, no lado de cá, souberam traduzir em actos concretos o mandamento novo do Amor. P. Fausto in Diálogo 1585 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...
Learn More“Estai preparados”, dizia Jesus no domingo passado, “porque o Senhor virá,” responde-nos hoje. Na verdade, os textos da Missa, sobretudo a Carta aos Tessalonicenses e o Evangelho, falam-nos da manifestação de Cristo no fim dos tempos e procuram fomentar em nós sentimentos de expectativa, vigilância e fidelidade, vivendo o dia-a-dia ao jeito da dona de casa, que sabe valorizar os seus gestos e ocupações comuns. Sabendo que o Senhor “há-de vir, em sua glória”…, ousaremos viver atentos à rotina que banaliza cada momento, no que tem de original, único e irrepetível. No Evangelho ouvimos a parábola dos talentos. Segundo os dados da parábola, Deus não exige impossíveis, apenas espera que tenhamos feito render a nossa vida, em proporção com os dons que recebemos. Não vale, pois, a preguiça ou o medo, sob o pretexto de prudência, para quem não soube apreciar quanto recebera e não agiu como pessoa responsável. Alegra-me saber que Deus não faz contas de somar ou subtrair, não faz investimentos calculados e sem risco, mas liberta-nos do medo que bloqueia, inclusive do medo de errar… Este é o Deus, revelado por Jesus Cristo, que não nos pede que salvemos o mundo, mas que contribuamos com o nosso talento, mesmo que seja apenas um, para que o mundo seja mais fraterno, justo e feliz. Desta responsabilidade ninguém se pode dispensar. P. Fausto in Diálogo 1584 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAproximamo-nos a passos largos do fim do ano litúrgico e a liturgia deste domingo, especialmente o Evangelho, exorta-nos a viver como quem está à espera de alguém muito importante. A parábola que Jesus conta hoje é a das jovens convidadas para uma festa nupcial.Ninguém se poupou a cuidados e despesas para se apresentar a preceito. Umas, porém, são ajuizadas e prudentes, outras descuidadas, mas todas deslumbrantes. O esposo, propositadamente, no cartão de convite diz tudo, menos a hora do começo da festa. As prudentes repararam no pormenor, mas houve quem negligentemente, nem se desse a tal trabalho. A lição que Jesus quer que tiremos deste texto é muito simples: ninguém tem duas vidas e é preciso valorizar cada momento. Não podemos imitar o desleixo das virgens descuidadas, que se deixaram dormir, e não tinham azeite para as candeias. O mal não está em adormecer, mas em não se prestar atenção aos deveres pessoais e às responsabilidades do estado de vida. Encontrar-se com a candeia apagada é o mesmo que apresentar-se diante de Deus, de mãos vazias. Então, enquanto temos tempo, valorizemos o tempo, e nada melhor que viver cada tempo com “o coração em Deus e mãos no trabalho”. Porque cada momento é único e irrepetível. P. Fausto in diálogo 1583 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
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