Precedências!

  Do sábado, a instituição mais sagrada para todo o judeu, fala-nos a primeira leitura e o Evangelho do IX Domingo do Tempo Comum. Conhecedor profundo das leis judaicas, Jesus ousa hoje, também nesta matéria, deixar-nos lições que jamais devemos esquecer, porque “O Sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. Para Jesus, acima da lei, mesmo a de sábado, está o homem; por isso, não hesita em curar o que tinha a mão atrofiada, em dia não permitido, contra todas as expectativas dos fariseus, e mostrar claramente, uma vez por todas, de que está sempre do lado das pessoas, especialmente as mais fragilizadas, e jamais do lado lei, mesmo a mais sagrada de todas. No plano de Deus, a pessoa está sempre em primeiro lugar e as leis só têm razão de ser se estiverem ao serviço da sua natureza e inviolável dignidade, independentemente da deficiência que apresente. Somos todos diferentes, é verdade, mas temos todos a mesma dignidade de Filhos de Deus, que deve ser defendida e respeitada por quem tem a missão de fazer leis. A irreverência de Jesus face à lei do sábado não é desrespeito, mas hino à liberdade face ao legalismo cego e proclamação solene do primado do Amor. P. Fausto in Diálogo 1612 (IX Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Deus é Amor”

Deus e religião sempre deram assunto de conversa e, não raro, de discussão entre pessoas, mesmo ditas ateias. Hoje, ao retomarmos o Tempo Comum, celebramos o Mistério fundamental da Fé, proclamando que Deus é Único, Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, como Jesus revelou e mandou ensinar. Ao abordar este dogma, porém, o que move e comove não é o discurso dos teólogos, por mais bem elaborado que seja, mas é sabermos que Deus revelado por Jesus Cristo é Comunhão Trinitária e Família. Na linguagem sintética e feliz de S. João, Deus é Amor. E isso nos basta. O discurso teológico, sendo importante, ilumina, mas não dá ternura, não provoca intimidade e encanto, porque o que verdadeiramente enche o nosso coração é a certeza de que o Deus revelado por Jesus Cristo nos ama gratuita e infinitamente e jamais desiste de nós. A esta luz, soam-nos a “música celeste” as palavras com que termina o Evangelho da Missa de hoje: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. É bom que estas palavras nunca sejam esquecidas por nós. Todos temos momentos de desilusão e de solidão, de dúvida e de perplexidade, de medo e de exaltação. Na vida temos de tudo. Mas Deus não desiste, mesmo quando “estamos no fundo” e tudo parece ruir. Pode-nos parecer distante e distraído, mas está connosco e sempre atento, ainda que às vezes em silêncio. É Amor. P. Fausto in Diálogo 1611 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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Vinde, Espírito Santo!

    Na hora da despedida, oito dias atrás, não houve lágrimas, mas era evidente o desconforto em todos os presentes. A tarefa, agora confiada a um pequeno grupo de homens, na sua maioria pescadores e de poucas letras, era demasiado pesada. De famílias sem pergaminhos, os apóstolos não tinham sido educados para profissões de topo e os saberes da pesca não os qualificavam para ministros do perdão, romeiros da paz e da justiça e arautos de Boas Novas, por caminhos e encruzilhadas. Mas algo de muito belo e intenso aconteceu na vida de quantos se encontravam em oração com Maria, Mãe de Jesus, agora confiada aos cuidados de João. De repente, um vento impetuoso que soltava a liberdade e tudo sacudia, um fogo que enchia e queimava o coração, uma força que não sabiam donde vinha, projetava para fora os até aqui hesitantes e cautelosos apóstolos. Agora, sem medo, enfrentam a cidade, sem se deixarem deter por nada, nem ninguém, de tal modo que, quem os vê e ouve, se interroga estupefacto : “não são todos galileus…?” É o Espírito Santo, que desceu abundantemente sobre Nossa Senhora e os que estavam com Ela em oração, que continua a garantir a fidelidade plena à missão de Jesus Cristo, confiada então aos Apóstolos e continuada hoje na Igreja. Que venha, pois, o Espírito Santo encher o coração dos fiéis e renovar a face da terra. P. Fausto in Diálogo 1610 (Solenidade de Pentecostes – Ano B)...

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Despedida

Desta vez foi. Os discípulos já estavam habituados aos encontros com o Ressuscitado em cada domingo. Foram momentos surpreendentes e bem aproveitados para refrescar a memória, esclarecer dúvidas, limpar lágrimas e arrumar o coração. Ao contrário das outras vezes, porém, desta, deixou trabalho de casa: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado”. Jesus não ensinou um guião doutrinal, não deixou manual de instruções para conquistar o poder ou converter o coração, não inventou qualquer varinha mágica, não deu chave de solução para os problemas e inquietações que afectam cada homem e a sociedade de cada tempo, deu apenas aos discípulos a missão de pregar o Evangelho. Ontem e hoje, pregar o Evangelho consiste fundamentalmente em anunciar que Deus ama a todos, quer-nos felizes e não desiste de ninguém. Esta é a Boa Nova que importa fazer chegar ao coração dos homens de todas as latitudes e culturas. Hoje cabe-nos fazê-lo. Alguns pela palavra e todos pelo testemunho. É o desafio de Jesus na Solenidade da Sua Ascensão. P. Fausto in Diálogo 1609 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...

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Sem medida…

  Prestes a despedir-se, Jesus, neste Domingo, o VI da Páscoa, foi longe demais. “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”. Mais tarde, Santo Agostinho dirá que Jesus apenas quis dizer que “a única medida do amor é amar sem medida”. A fasquia está no máximo, para além de todos os limites. A fasquia é o próprio Deus. Nunca Jesus ousou desafiar a tanto, a tanto que não é possível atingir à frágil natureza humana. Apesar de tudo, não retira uma palavra e repete categoricamente: “o que vos mando é que vos ameis uns aos outros”. O específico do cristão não é, então, amar, porque disso fala e faz toda a gente e de muitos modos. O específico dos cristãos é amar como Cristo. Amar a todos, sem escolher rostos, nomes, culturas ou religiões. Amor desinteressado, sem restrições, inclusivo.“Puro dom, pura graça, pura entrega”. E isto Só Deus! Hoje, Jesus diz-nos, em jeito de despedida, que é assim que quer que os seus discípulos vivam, se querem ser fiéis, felizes e luminosos. Não nos diz que é fácil, mas compromete-se a estar sempre do nosso lado, apesar dos nossos limites e falhas. Ousemos nós, todos os dias, pôr a fasquia sempre mais alta. P. Fausto in Diálogo 1608 (VI Domingo da Páscoa – Ano...

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Lições do campo

Há dias fui a Fátima, e como as viagens de carro dão para muita coisa, rezei e cantei e saboreei a paisagem fugaz do caminho. Reparei em áreas de vinha bem cuidada e direitinha e já com talos à vista, a dar esperança de boa colheita. Vi também algumas vinhas velhas e abandonadas, de longos e adelgaçados ramos a rastejar, entrelaçados pelo chão. Vinhas cansadas, tristes e doentes. Neste Domingo, o V da Páscoa, Jesus convida-nos a um passeio pelo campo e visitar uma vinha. Simples no seu modo de pensar e dizer, Jesus recorre ao campo para nos falar de coisas muito importantes. A uma sociedade fluída, consumista e individualista como a nossa, Jesus declara: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim… sem Mim nada podeis fazer”. Palavras ao arrepio do mundo de hoje, mais dado à reivindicação de direitos que ao assumir de deveres, mais ocupado na busca do sucesso individual e imediato do que esforçado na fidelidade a compromissos, mesmo que apenas assentes na honra e na palavra… Num mundo assim, torna-se difícil compreender a poda e outros cuidados indispensáveis à saúde da vinha, para que dê boas e saborosas uvas. “Para bom entendedor meia palavra basta”. Jesus, porém, ao dizer-nos tudo tão claramente, convida-nos a levar a sério a Sua palavra. P. Fausto in diálogo 1607 (V Domingo de Páscoa – Ano B)...

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“Eu sou o Bom Pastor”

  O Domingo IV da Páscoa é conhecido por Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Compreende-se tal associação das palavras com que Jesus, várias vezes, Se identifica, no Evangelho deste domingo: “Eu sou o Bom Pastor”. Não um, mas o Bom Pastor. Celebrar Jesus com este título, é reconhecê-Lo como Único Salvador e dizer claramente que pretender construir à margem de Cristo é condenar-se ao fracasso. Neste tempo que Jesus dedica particularmente aos Seus discípulos, continua a dizer à Igreja e a cada um de nós: “Eu sou o Bom Pastor”. E cada vez mais é necessário ouvir a Sua voz, tantas e tão confusas são as vozes que nos chegam a cada momento e de todos os cantos. Nas contrariedades do tempo presente e na escuridão em que por vezes caminhamos, só em Jesus, o Bom Pastor, temos a certeza de que somos conduzidos por Deus, que nunca nos abandona ou engana. Este Domingo também é o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Sabemos que todos os cristãos são responsáveis na Igreja. Mas alguns, por vontade de Jesus, estão-Lhe intimamente ligados no Seu ministério de santificar, conduzir e ensinar. Oportuno é, pois, pedirmos sempre, mas particularmente hoje, ao Senhor, que continue a dar ao Seu Povo pastores segundo o Seu coração. P. Fausto in Diálogo nº 1606 (IV Domingo da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – Ano B)...

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Caminho difícil !

  Celebramos o Domingo III da Páscoa e já são vários os encontros de Jesus com os discípulos. Mas as dúvidas mantêm-se e o medo, qual erva daninha, está longe de ser erradicado do coração. É verdade que O reconhecem, mas, incapazes de explicar as mudanças, deixam-se invadir pelo receio de algum fantasma. E não é para menos, porque Jesus é o mesmo que conheceram, mas é diferente, está transformado. Continua a ser Ele, mas é outro. Nem a saudação habitual, que o Ressuscitado usa quando aparece, lhes traz sossego e Paz! “Não sou um espírito, um fantasma…, tocai-me e vede… tendes aí alguma coisa para comer?” E, mesmo assim, com a alegria a encher os olhos e a admiração estampada no rosto, nem querem acreditar! É demasiado. A paciência de Jesus, porém, não se esgotou e ainda não deu por terminado o tempo para fazer dos discípulos não apenas mestres, mas testemunhas corajosas e fiéis da Ressurreição. Para tal não era apenas necessário refrescar–lhes a memória, mas, sobretudo, arrumar-lhes o coração. E isso leva o seu tempo! P. Fausto in Diálogo nº1605 (III Domingo da Páscoa – Ano...

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Oito dias depois…

  De portas trancadas, foram dias de sobressalto. No coração dos discípulos pouco espaço havia para tantos e tão confusos sentimentos. O medo e a vergonha, porém, eram dominantes. Medo dos judeus e vergonha pela traição de um, negação de outro e cobardia de todos. Oito dias depois veio, de novo, Jesus, estando as portas fechadas! A sua presença não intimida, o seu olhar brilhante não acusa e amigavelmente saúda todos os presentes: “A paz esteja convosco”. Ao canto da sala, cabisbaixo, está Tomé. Quer ter a certeza de que não é vítima de histeria colectiva ou da imaginação doentia de alguém. Exige ver e tocar. Com paciência infinita, Jesus aproxima-se, mostra-lhe a marca fresca dos cravos nas mãos e o golpe profundo de lança no peito e convida-o à prova exigida. “Meu Senhor e meu Deus!”, reconhece Tomé, finalmente rendido. No rosto de Jesus não há sinais de repreensão ou impaciência, mas de respeito, compreensão e de amor. A Misericórdia venceu e convenceu! P. Fausto in Diálogo 1604 (II Domingo da Páscoa – Divina Misericórdia – Ano...

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“Não vos assusteis !”

  “Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui. Não vos assusteis”, disse o jovem, de túnica branca, às mulheres, que, ainda de noite, foram ao sepulcro, onde tinham depositado à pressa o corpo de Jesus. O encontro imprevisto com um desconhecido assustou-as, mas não as demoveu de entrarem no sepulcro e examinarem as ligaduras no chão e o lençol dobrado. Mas do corpo procurado, nem sinais. Fora reinava o silêncio e o cheiro a primavera florida! Algo estranho se passara naquela noite, que fez remover a grande pedra e desaparecer o corpo de Jesus. Um misto de sentimentos enchia o coração das mulheres, que, sem saber que fazer e cada vez mais assustadas, voltaram para casa a correr. Não era, porém, possível, calar a experiência da madrugada! Aos discípulos e a Pedro chegou logo a notícia. E começou o alvoroço que perdura e nos faz cantar, com toda a alma, dois mil anos passados, “Cristo Ressuscitou, Aleluia!”. Que a certeza e a alegria da Ressurreição nos tornem testemunhas credíveis de Deus, que, em Cristo, Se revela cheio de Amor e rico de Misericórdia para com a humanidade. Uma Santa Páscoa para todos. P. Fausto in Diálogo nº1603 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...

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