“Eu sou o Bom Pastor”

  O Domingo IV da Páscoa é conhecido por Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Compreende-se tal associação das palavras com que Jesus, várias vezes, Se identifica, no Evangelho deste domingo: “Eu sou o Bom Pastor”. Não um, mas o Bom Pastor. Celebrar Jesus com este título, é reconhecê-Lo como Único Salvador e dizer claramente que pretender construir à margem de Cristo é condenar-se ao fracasso. Neste tempo que Jesus dedica particularmente aos Seus discípulos, continua a dizer à Igreja e a cada um de nós: “Eu sou o Bom Pastor”. E cada vez mais é necessário ouvir a Sua voz, tantas e tão confusas são as vozes que nos chegam a cada momento e de todos os cantos. Nas contrariedades do tempo presente e na escuridão em que por vezes caminhamos, só em Jesus, o Bom Pastor, temos a certeza de que somos conduzidos por Deus, que nunca nos abandona ou engana. Este Domingo também é o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Sabemos que todos os cristãos são responsáveis na Igreja. Mas alguns, por vontade de Jesus, estão-Lhe intimamente ligados no Seu ministério de santificar, conduzir e ensinar. Oportuno é, pois, pedirmos sempre, mas particularmente hoje, ao Senhor, que continue a dar ao Seu Povo pastores segundo o Seu coração. P. Fausto in Diálogo nº 1606 (IV Domingo da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – Ano B)...

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Caminho difícil !

  Celebramos o Domingo III da Páscoa e já são vários os encontros de Jesus com os discípulos. Mas as dúvidas mantêm-se e o medo, qual erva daninha, está longe de ser erradicado do coração. É verdade que O reconhecem, mas, incapazes de explicar as mudanças, deixam-se invadir pelo receio de algum fantasma. E não é para menos, porque Jesus é o mesmo que conheceram, mas é diferente, está transformado. Continua a ser Ele, mas é outro. Nem a saudação habitual, que o Ressuscitado usa quando aparece, lhes traz sossego e Paz! “Não sou um espírito, um fantasma…, tocai-me e vede… tendes aí alguma coisa para comer?” E, mesmo assim, com a alegria a encher os olhos e a admiração estampada no rosto, nem querem acreditar! É demasiado. A paciência de Jesus, porém, não se esgotou e ainda não deu por terminado o tempo para fazer dos discípulos não apenas mestres, mas testemunhas corajosas e fiéis da Ressurreição. Para tal não era apenas necessário refrescar–lhes a memória, mas, sobretudo, arrumar-lhes o coração. E isso leva o seu tempo! P. Fausto in Diálogo nº1605 (III Domingo da Páscoa – Ano...

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Oito dias depois…

  De portas trancadas, foram dias de sobressalto. No coração dos discípulos pouco espaço havia para tantos e tão confusos sentimentos. O medo e a vergonha, porém, eram dominantes. Medo dos judeus e vergonha pela traição de um, negação de outro e cobardia de todos. Oito dias depois veio, de novo, Jesus, estando as portas fechadas! A sua presença não intimida, o seu olhar brilhante não acusa e amigavelmente saúda todos os presentes: “A paz esteja convosco”. Ao canto da sala, cabisbaixo, está Tomé. Quer ter a certeza de que não é vítima de histeria colectiva ou da imaginação doentia de alguém. Exige ver e tocar. Com paciência infinita, Jesus aproxima-se, mostra-lhe a marca fresca dos cravos nas mãos e o golpe profundo de lança no peito e convida-o à prova exigida. “Meu Senhor e meu Deus!”, reconhece Tomé, finalmente rendido. No rosto de Jesus não há sinais de repreensão ou impaciência, mas de respeito, compreensão e de amor. A Misericórdia venceu e convenceu! P. Fausto in Diálogo 1604 (II Domingo da Páscoa – Divina Misericórdia – Ano...

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“Não vos assusteis !”

  “Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui. Não vos assusteis”, disse o jovem, de túnica branca, às mulheres, que, ainda de noite, foram ao sepulcro, onde tinham depositado à pressa o corpo de Jesus. O encontro imprevisto com um desconhecido assustou-as, mas não as demoveu de entrarem no sepulcro e examinarem as ligaduras no chão e o lençol dobrado. Mas do corpo procurado, nem sinais. Fora reinava o silêncio e o cheiro a primavera florida! Algo estranho se passara naquela noite, que fez remover a grande pedra e desaparecer o corpo de Jesus. Um misto de sentimentos enchia o coração das mulheres, que, sem saber que fazer e cada vez mais assustadas, voltaram para casa a correr. Não era, porém, possível, calar a experiência da madrugada! Aos discípulos e a Pedro chegou logo a notícia. E começou o alvoroço que perdura e nos faz cantar, com toda a alma, dois mil anos passados, “Cristo Ressuscitou, Aleluia!”. Que a certeza e a alegria da Ressurreição nos tornem testemunhas credíveis de Deus, que, em Cristo, Se revela cheio de Amor e rico de Misericórdia para com a humanidade. Uma Santa Páscoa para todos. P. Fausto in Diálogo nº1603 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...

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Entre hossanas e vaias !

  Começamos hoje a Semana Santa, com um acto litúrgico que nos pode desconcertar: se, por um lado, celebramos o triunfo de Cristo, entre hossanas e com palmas, evocando uma manifestação vigorosa e genuína do povo, por outro, na proclamação do Evangelho, somos já introduzidos na celebração do Mistério Pascal. A dois milénios destes acontecimentos, estamos a celebrar o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, o primeiro dia de uma semana muito intensa, a Semana Santa e também “Maior”. Uma semana em que não faltam palmas e hossanas, vaias e impropérios, chicotadas e beijos, traidores e cobardes e também lágrimas de vergonha e de arrependimento.Uma semana original e única! Teremos, sobretudo a partir de quinta-feira, ocasião para viver, em pormenor, os momentos mais significativos e importantes da História da Salvação. Não percamos esta oportunidade, que, sendo única em cada ano, pode ser a última da nossa vida. Não deixemos que circunstâncias, meteorológicas ou outras, nos impeçam de viver a riqueza de todas as celebrações do Tríduo Pascal. Porque são os “Dias Sagrados da Paixão salvadora de Jesus e da Sua Ressurreição gloriosa”, merecem ser vividos por todos, com amor e gratidão. P. Fausto in Diálogo 1602 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

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“Se o grão de trigo não morrer…”

Há tempos apareceu numa parede lateral da nossa Igreja, com escândalo para alguns, a frase: “Deus morreu”. Custe ou não, ainda lá está, porque a sua limpeza tem-se revelado muito difícil. Tal afirmação, porém, não pode abalar a nossa Fé, envergonhar-nos ou impôr-nos o silêncio, bem pelo contrário, porque Jesus, Filho de Deus, gerado e nascido de Maria, padeceu e morreu, mas ressuscitou e está vivo. É por isso que continua a incomodar todos quantos Lhe passaram a certidão de óbito. Para uns é ponto final parágrafo, para nós a frase deixada na parede da Igreja é a mais vigorosa prova do amor inexcedível de Jesus, verdadeiro Deus e Homem, a convidar–nos incessantemente à gratidão. Hoje, 5° domingo da quaresma, vamos encontrar Jesus, em Jerusalém, no templo. Poucos dias faltam para a sua paixão e morte. O seu discurso é grave e pausado, e no seu rosto não há sinais de medo, apenas determinação em cumprir a vontade do Pai. Já não tem muitos ouvintes, é certo, mas àqueles que O querem conhecer pessoalmente, não deixa de avisar que “se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer dará muito fruto”. Ainda que não entendam o alcance destas palavras, elas ficam como denúncia vigorosa de projectos de vida sem sentido, de aparências e futilidades,… Porque inúteis, o seu destino é a falência. P. Fausto in Diálogo 1601 (V Domingo da Quaresma – Ano...

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Apesar de tudo…

  Francamente, se olharmos o nosso mundo desde a Síria, e restantes países do Médio Oriente, à África, passando por outros continentes, vemos que a fome, a violência e a guerra têm as mãos livres. Formas vis e subtis de exploração humana e de violência inimaginável, disseminadas pelos quatro cantos da terra, acrescidas ao peso da cruz que cada um carrega, podem roubar-nos a força para a alegria e reduzir o horizonte da esperança. E é neste mundo, assim, que a Igreja nos convida a celebrar o Domingo da Alegria. Só Deus nos faz rebuscar nos fundos do baú da memória razões para cantarmos a antífona de entrada da Missa de hoje: “Alegra – te, Jerusalém!… Exultai de alegria”. Por muito que nos custe a realidade nua e crua, a alegria é possível, mais, é necessário e urgente dar-lhe rosto e voz. E ninguém mais e melhor que os cristãos poderá fazê-lo. Não ignorando a realidade, temos a graça de ancorar a nossa alegria no amor incansável de Deus pelos homens, que, apesar das suas “infidelidades e costumes abomináveis”, não demovem Deus do Seu projecto de salvação. É isto que faz de nós incorrigíveis optimistas! P. Fausto in Diálogo 1600 (IV Domingo da Quaresma – Ano...

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A limpeza do Templo

Hoje acompanhamos Jesus ao Templo de Jerusalém, a poucos dias da celebração da Páscoa. O ambiente era de feira, com vacas, cabras, ovelhas e pombas, por todo o lado. O negócio fazia-se entre vozes barulhentas, que regateavam o melhor preço dos animais a oferecer em sacrifício. E os cambistas aproveitavam-se diligentemente do fluxo turístico da diáspora religiosa. O Templo construído por Salomão, orgulho de todo o judeu, mais parecia uma feira de gado e praça financeira, que casa de oração. A ira de Jesus não se fez justamente esperar, com palavras enérgicas e atitudes de autoridade, a raiar a violência. “Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo”, perguntam. A resposta surge rápida, mas enigmática: “Destruí este templo e em três dias o levantarei”. Mesmo os discípulos, só mais tarde, depois da Ressurreição, descobríram que Jesus falava do templo do seu corpo. A atitude de Jesus, para muitos violenta e desproporcionada, é a demonstração vigorosa de que a Sua relação com Deus é de comunhão plena, confiança total e abandono filial e reprovação clara dos projectos de vida, sujeitos às leis de mercado económico, de religião ou de moda. Jesus tem o coração arrumado e a consciência tranquila. Sabe que Deus é de todos, ama todos e não se deixa corromper por ninguém. Por esta causa está disposto a morrer. Com dignidade. P. Fausto in Diálogo 1599 (Domingo III da Quaresma – Ano...

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Era bom, não era ?

  No domingo passado, acompanhámos Jesus ao deserto e ainda não esquecemos o estímulo para vencermos o medo da “austeridade quaresmal” e o convite ao silêncio para ouvirmos melhor a voz de Deus. Sabendo que nem todos podemos viver da mesma maneira a quaresma, cada um deve encontrar o seu modo de a viver. Este domingo faz-nos dar um passo mais na caminhada de preparação para a Páscoa e de renovação da nossa vida cristã, com o Evangelho da Transfiguração a dar o tom a toda a celebração. A cena constitui uma manifestação de tal modo jubilosa de Deus, que S. Pedro, anos mais tarde, evocava ainda a força dessa experiência pessoal e intensa (2° Ped. 1,16ss), que o fez esquecer os deveres diários e desejar que esse momento de inesquecível felicidade se prolongasse indefinidamente: “como é bom estarmos aqui!” E as nuvens não se fizeram esperar. A descida impunha-se. Pedro ainda procurava mais as consolações de Deus que o Deus de todas as consolacões. Há momentos belos na vida e também os há de tristezas, dúvidas e perplexidades, mas em todos o Pai está presente, porque, a subir ou a descer, o caminho faz-se com Deus, sempre por perto. Contemplar Jesus transfigurado no início da quaresma é desafio a um esforço maior para escutar a Palavra e ordenar o coração, em processo de transfiguração permanente a que nos desafia a Páscoa. P. Fausto in Diálogo 1589 (II Domingo da Quaresma – Ano...

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Pesado e triste ?

Estamos na quaresma. Muitos, porém, ainda não se deram conta. A ressaca dos dias de carnaval, acrescida neste ano ao ruído do “Dia dos Namorados”, não motiva ao rito penitencial das cinzas, com que tradicionalmente se inicia este tempo fecundo, e também alegre, que Deus nos concede como graça, para prepararmos, “na alegria do coração purificado”, a celebração das festas pascais. Parecendo triste, cinzento e pesado, a Quaresma é um tempo alegre, libertador e feliz, que, vivido à maneira de retiro espiritual e orientado pela Palavra de Deus, deve ser marcado pela “oração mais intensa e pela caridade mais diligente”, sem esquecer, de modo algum, a participação na Eucaristia dominical e celebração do sacramento da Reconciliação. O Evangelho de hoje leva-nos ao deserto, onde Cristo permaneceu largos dias, jejuou, foi tentado e se preparou para a vida pública. As nossas ocupações habituais, não permitindo fazermos o mesmo na Quaresma, não dispensam do esforço de organizarmos momentos de “deserto” pessoal, que permitam o encontro libertador de cada um com Deus, com os outros e consigo mesmo, sempre inspirados no exemplo acabado de Jesus, que partilha connosco o segredo para vencermos as tentações de que a vida é tão fértil. P. Fausto in Diálogo 1597 (I Domingo da Quaresma – Ano...

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