Segundo a Palavra de Deus deste XIII Domingo do Tempo Comum, a disponibilidade e a prontidão são as características fundamentais e comuns a todos os que Deus chama a uma missão especial. Exemplo claro é a vocação de Eliseu na 1°leitura e, a avaliar pela reacção de Jesus àqueles que desejavam segui-Lo, o grau de exigências do Evangelho não é menor. Outra coisa, hoje, não pede Jesus a quem chama, apesar da linguagem parecer radicalmente inoportuna e inadequada ao comum pensar a vocação. Na verdade, a radicalidade da proposta de Jesus é pouco convidativa, mesmo inaceitável para a grande maioria dos nossos contemporâneos; apesar de tudo, Jesus não retira uma vírgula ao que disse : “Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus”. Só pessoas disponíveis e prontas entendem e são capazes de responder às exigências da Missão, numa sociedade cada vez mais “líquida”, como a nossa. E quando se fala em Missão, não nos referimos somente ao chamamento à vida consagrada, religiosa e secular, ou ao ministério ordenado, mas também à vida matrimonial, pois todas são caminho de santidade, incompatível com formas “light” de viver. Em tempo algum Jesus vai mudar a linguagem ou baixar a fasquia de exigência do chamamento, nós é que temos de mudar de vida. P. Fausto in Diálogo 1663 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Quem dizem as pessoas que eu sou”? A avaliar pelas respostas dos discípulos, vemos que Jesus está com níveis de cotação bem elevados. Mas não é isso o que pretende e não trabalha para as sondagens. Porém, o tempo de caminhada com os discípulos justifica já um exame, com apenas uma pergunta: “E vós quem dizeis que eu sou?” Aqui não valem as opiniões dos outros, as respostas dos livros ou as sínteses de doutrina, retiradas do fundo do baú da memória. A resposta a esta questão só pode ser dada “coração a coração”, desarmada e sem filtros. Assim aconteceu com Pedro. Como então, Jesus coloca hoje a mesma questão a cada baptizado: Quem sou eu para ti ? Mais uma vez não convence a resposta teórica de livros ou catecismos, mas tão só aquela pessoal, imperfeita, de cada um, diferente da de Pedro em que se apoia a fé da Igreja. Para ser cristão, hoje como ontem, não basta decorar fórmulas e cumprir preceitos… mas entender o que Jesus diz “Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz todos os dias e siga-Me”. E a questão não é procurar a cruz, porque ela nasce e vive connosco, mas integrá-la de modo sádio na nossa escala de valores. Numa sociedade tão obcecada na eliminação do sofrimento e na procura desenfreada do progresso, torna-se cada vez mais incompreensível esta linguagem e difícil o desafio, mas é o único que Jesus faz aos discípulos de todos os tempos. P. Fausto in Diálogo nº. 1662 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano C) ...
Learn More“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena”, como nos diz o discurso da última Ceia, hoje lembrado no Evangelho. Jesus não se refere, de certo, ao conhecimento de matéria obrigatória ainda por dar, mas à incapacidade humana de, por si mesma, abarcar o Mistério de Deus. De facto, “um só Deus em três Pessoas” é Mistério que se explica mas não se abarca, é realidade que nos transcende mas, apesar da nossa pequenez, não nos esmaga, antes envolve num Abraço de Amor infinito, de Ternura e de Misericórdia. Que Deus é Único já sabíamos há muito, mas o que Jesus nos revela é que Deus é Uno e Trino, não é solidão mas comunhão, não vive sozinho, centrado em Si mesmo, e de costas para os homens. É Comunidade, é Família de três Pessoas que, sem se anularem, complementam-se, têm a mesma natureza divina, o mesmo poder e majestade e é-Lhes devida a mesma Honra, Glória e Louvor. Mistério da Santíssima Trindade, Mistério de Deus Uno e Trino, perscrutado e acolhido no coração porque é Mistério de Amor, não se traduz em discurso mas na fidelidade ao Mandamento Novo. A esta luz o verdadeiro ateu não é o que diz não acreditar em Deus, mas o que não se esforça por criar laços, fazer pontes, promover a fraternidade, a justiça, a paz… É assim que o homem se realiza como ser criado à imagem e semelhança de Deus, porque, mesmo sem o saber, reflete verdadeiramente que Deus é Família Trinitária, Comunidade Plena, Amor Infinito… É este o Deus em quem acreditamos. P. Fausto in Diálogo 1661 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreNo Domingo, os Apóstolos, convidados para um pequeno passeio até Betânia, foram surpreendidos com a Ascensão de Jesus ao Céu, mas não havia sinais de tristeza ou insegurança pela partida, mas de enorme alegria, no seu regresso a Jerusalém. Jesus fizera muito bem o Seu “trabalho de casa” e preparou sabiamente durante estas semanas os discípulos para a Missão que os esperava. Ele saiu do seu convívio, é verdade, mas não se afastou dos Seus, a quem garantira fidelidade e a quem prometera o Paráclito. É o que celebramos hoje com esta solenidade, com que termina o Tempo Pascal e cujo Evangelho descreve alguns traços do Espírito Santo: “E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco… e que vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse”. No dia do Pentecostes, em Jerusalém, todos ouvem, estupefactos, os apóstolos falarem na sua língua materna, porque, graças ao Espírito Santo, bem cedo se percebeu que a única linguagem perceptível por todo o ser humano é a linguagem do Amor. Era o que faziam os apóstolos com grande alegria e entusiasmo. Também hoje é o mesmo Espírito que anima a Igreja e nos impele ao cumprimento do “Mandamento Novo”, que faz de cada baptizado um verdadeiro, audaz e destemido discípulo de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo 1660 (Domingo de Pentecostes – Ano...
Learn MoreO encontro de Jesus com os Seus parece ter sido hoje mais breve, mas sempre intenso. Depois de lhes lembrar em poucas palavras o que na Escritura se referia ao Messias, convidou-os a um passeio até Betânia. O ambiente era descontraído e não previa o desfecho que Jesus vinha preparando cuidadosamente. Já perto de Betânia, “erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao Céu”. O que, em circunstâncias normais, provocaria desconforto e tristeza, encheu de alegria o coração de todos, porque entenderam finalmente que o afastamento físico de Jesus não é sinal de abandono, mas forma de presença diferente, nem o Céu refúgio e descanso para férias, mesmo que entre núvens. “E, erguendo as mãos abençoou-os“. É o último gesto de Jesus na terra e a Sua última palavra aos seus. Sem lamentos, condenações, ressentimentos…Apenas uma Bênção e o sorriso de missão cumprida, pleno de confiança, de quem diz “até amanhã” e nos vai preparar um lugar… Agora o tempo é nosso. Cabe-nos continuar a Missão. P. Fausto in Diálogo nº 1659 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...
Learn More“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. Paz é a primeira palavra do Ressuscitado na saudação aos apóstolos, reunidos em casa com medo dos judeus, na tarde do primeiro dia da semana: “a Paz esteja convosco”. A Paz não é apenas fim ou ausência de guerra… é o fim do domínio de todos os medos passados, presentes ou futuros, é anúncio da derrota do mal e de todas as formas de violência e sofrimento, morte inclusivé, é certeza da Vitória do Amor. Porque Cristo é a nossa Paz, é também Dom imerecido, a acolher responsavelmente por cada um. E, não fora ainda bastante para serenar os corações e vencer de vez as resistências dos discípulos quanto ao futuro, promete-lhes hoje o Paráclito, o Espirito Santo, com a missão de lhes recordar tudo e ensinar todas as coisas, porque os poucos anos de catequese e as suas limitadas capacidades não permitiram ao Mestre ensinar tudo quanto desejava. A VI semana do Tempo Pascal faz parte, então, desse tempo belo de espera em que o Ressuscitado prepara o Seu próximo afastamento físico, com promessa de permanente fidelidade. Será na docilidade ao Espírito prometido, que os apóstolos se manterão sempre fiéis à missão, e, como eles, também nós, hoje, no exercício do mesmo mandato. P. Fausto in Diálogo nº 1658 (Domingo VI da Páscoa – Ano...
Learn MoreJá lá vão algumas semanas em que surpreendentemente o sepulcro foi encontrado vazio, sem que se vislumbrasse qualquer explicação, que trouxesse a paz ao coração dos amigos de Jesus. Logo, porém, nessa tarde, sem ninguém contar, Jesus inicia um ciclo de aparições aos apóstolos, tratando logo de lhes recuperar a memória, com a graça do Espírito Santo, ao soprar sobre todos. E assim tem conservado um ritmo de encontros, em casa ou à beira mar, em que concede aos apóstolos o “poder de perdoar os pecados”, responde às dúvidas de Tomé, confirma Pedro num serviço especial à Igreja, e agora parece aproveitar o tempo a preparar proximamente a Sua partida para o Pai. Não está mesmo nada fácil. É neste contexto de afastamento físico de Jesus, que devemos ler e reter o discurso feito na última ceia: “Meus filhos… como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos”. É um mandamento novo, radicalmente novo, dirigido a todos os discípulos de todos os tempos e lugares, sem excepção, porque propõe como ideal e regra de vida não apenas “amarmo-nos uns aos outros”, mas amarmo-nos como Ele nos amou. É e será sempre este o distintivo do agir cristão. Precisaremos de saber mais coisas, ou apenas de cumprir o “Mandamento Novo do Amor”, para sermos reconhecidos como verdadeiros discípulos? P. Fausto in Diálogo nº1657 (V Domingo de Páscoa – Ano...
Learn More“As minhas ovelhas escutam a minha voz”, diz Jesus no Evangelho deste Domingo do Bom Pastor. Tudo à nossa volta, porém, não convida, nem favorece a escuta. Não há tempo para nada, corre-se para tudo e levantamo-nos às vezes já cansados… e a consequência é não termos tempo para ninguém. E assim a vida vai arrefecendo e o espaço para Deus e para os outros diminuindo… Vamo-nos subjugando à tirania do relógio, na ânsia voraz de rentabilização do tempo, que até nos rouba o prazer de saborear gratuitamente o momento. Neste Domingo do Bom Pastor, e dia especial de oração pelas vocações consagradas, e não só, quero rezar com o Rei Salomão: “Dá-me, Senhor, um coração que escute”, para não reduzir os sonhos a poder, dinheiro e coisas. Se todos fizessem sua esta oração, não haveria mais tempo para escutar Deus e os outros, a começar pelos de casa, e não seríamos, assim, mais felizes? P. Fausto in Diálogo nº1656 (IV Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreA vida vai-se recompondo à medida que os apóstolos vencem o medo, saram o coração das feridas pela morte do Amigo e convivem com o sepulcro inexplicavelmente encontrado vazio. Talvez por isso os encontros de Jesus, a partir de agora, aconteçam junto ao mar, local próprio de quem tem de tirar daí o sustento para a família. Sim, porque as obrigações familiares não esperam. Assim acontece também com os apóstolos. Depois de uma faina pouco conseguida e de outra, a conselho de Jesus, surpreendentemente abundante, assistimos a um encontro especial com Pedro. Já na semana passada acontecera, no mesmo dia, com Tomé, estando todos ainda em casa, de portas bem fechadas. Hoje, recolhidas as redes e guardado o peixe, e depois de uma boa refeição preparada por Jesus, seguiu-se um verdadeiro exame de amor a Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?” A resposta não saiu clara, e Jesus voltou: “Simão, filho de João, tu amas-me?” E uma terceira vez Pedro foi interrogado sobre matéria tão delicada e séria. A insistência da pergunta levou Pedro a reconhecer diante de todos, com humildade, de lágrimas nos olhos, que, semanas atrás, ao mesmo exame, merecia reprovação. Agora mereceu um excelente. Jesus não insistiu e confirmou: “Apascenta as minhas ovelhas”. A Misericórdia recuperou definitivamente Pedro e faz-nos compreender que tudo na vida é uma questão de Amor e que só o Amor torna a autoridade verdadeiro serviço, de que Pedro, de hora em diante, estava pessoalmente investido. P. Fausto in Diálogo nº1655 (II Domingo da Pascoa – Ano...
Learn MoreO sepulcro foi encontrado vazio e no seu interior apenas as ligaduras testemunhavam algo surpreendentemente inexplicável. Em todos reinava a perplexidade, mas o medo dos judeus e a vergonha pelas traições da semana tornavam a tarde ainda mais desagradável e convidavam os apóstolos ao refúgio seguro de casa. Aí, sem Se anunciar, os foi encontrar Jesus, de portas bem fechadas, na tarde do primeiro dia da semana. Todos O reconhecem pela suavidade da voz e doçura do olhar. É Ele! Está vivo! E com a saudação, surge a mais bela prenda de Páscoa: “Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”. E mais não disse. Assim como apareceu também se retirou. Mas nada ficou na mesma. Havia agora a certeza de que Jesus estava vivo. Apresentava-se, é verdade, diferente, luminoso, mas era Ele. A voz, o olhar, a doçura e proximidade de trato tornavam-nO inconfundível. E em todos nascia uma alma nova. Em todos menos em Tomé, que não estava presente. Oito dias depois, estando as portas também fechadas, apresenta-se Jesus, de novo, ao grupo, desta feita completo, e dirige-se particularmente a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos… e não sejas incrédulo mas crente”. E Tomé rendeu-se. Mais uma vez a Misericórdia venceu, porque é o que melhor revela a profundidade e grandeza do Mistério do Amor de Deus por todos e cada um de nós. P. Fausto in Diálogo nº1654 (II Domingo da Páscoa – Ano...
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