O tempo corre e a paciência dos fariseus esgotou-se. Agora a estratégia é pôr questões que possam permitir um processo de acusação e condenação a Jesus. É o que hoje acontece com o tributo a pagar a Roma. “É lícito ou não pagar tributo a César”, perguntam os fariseus e herodianos, partidos que, sendo opostos, se unem para uma questão tão maliciosa quanto interesseira. Jesus não foge às dificuldades, e, surpreendentemente, olhando a moeda que lhe mostravam, sentencia: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Em poucas palavras, responde a todos. E a nós também. Responde com clareza a quantos, na gestão do seu património, apostam em manobras de engenharia financeira, evasão fiscal, fuga aos impostos, etc, etc. Responde também a quantos, ao longo da história, pensam que o dinheiro compra tudo e todos, esquecendo-se que a César pertencem as coisas, mas a Deus, só a Deus, pertence o homem. Todos os homens e o homem todo. independentemente da cor, ideologia ou religião. Responde hoje a quem quer ser Seu discípulo, ao lembrar que não basta ser bom cidadão para ser cristão, mas também não é cristão quem não for bom cidadão. Como vemos, os ensinamentos de Jesus são para ontem, hoje e sempre. São actuais. Porque só Ele tem Palavras de Vida Eterna. P. Fausto in Diálogo nº 1713 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreOs príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo são de novo os interlocutores de Jesus, na catequese deste domingo. Desta feita, o assunto é um banquete nupcial, organizado por um rei, com requinte e pormenor, em honra de seu filho. A lista dos convidados é longa mas, uns porque não simpatizam com o rei, rasgam o convite, outros alegam compromissos mais importantes, e outros, pura e simplesmente, maltratam e matam os emissários, nem um aceitou o convite. Tantos sonhos e trabalho para nada. Que desconsideração! E o rei ficou indignado. Mas não desistiu. Ordenou aos servos que corressem às encruzilhadas, praças e becos, a convidar quantos encontrassem. E a grande sala encheu-se. Todos estavam felizes. Todos menos um. “Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?”, pergunta o rei. E ele ficou calado. “Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores”. E expulsou-o da festa. Há muita gente a quem Deus mete medo, ensombra, bloqueia e aliena. Cabe aos cristãos o dever de anunciar que o Deus em que acreditam, e que foi revelado por Jesus Cristo, é Próximo, Inclusivo, Alegre e Generoso… Convida todos para a Festa e respeita a liberdade pessoal, exigindo, apenas, o traje nupcial, que, podendo ser usado, tem de estar limpinho. E isto depende só de cada um. P. Fausto in Diálogo nº1712 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus continua a fazer a sua catequese, falando de vinhas, colheitas, proprietários, servos e arrendatários, aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Gente bem pensante e bem instalada. Todos de bem com a vida… Ao meditarmos a parábola do Evangelho deste domingo, também a deveremos considerar dirigida a nós, porque os comportamentos dos arrendatários não são apenas de ontem, mas também se verificam hoje, até na vida de muitos cristãos. Mais importante, porém, que determo-nos na malvadez dos arrendatários, é importante reconhecermos a infinita paciência e benevolência de Deus, que não desiste do Seu projecto de salvação, apesar dos nossos desvarios e atropelos. O Deus anunciado em mais esta história, que Jesus conta aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, não se perde em esquemas de vingança, nem impõe castigos exemplares. Nada disso procura. Nada disso O satisfaz. Porque o que verdadeiramente pretende é oferecer o Seu amor e misericórdia. Em excesso. No entanto, há que tomar a sério a advertência final, pois ficarão de “fora” os que conscientemente escolherem um programa de vida de mentira, corrupção, ganância, violência… tudo sargaços ou uvas vermelhas de sangue e amargas de lágrimas, donde não se extrai um pingo sequer de bom vinho. P. Fausto in Diálogo nº. 1711 (XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHá semanas que Jesus fala na Sua pregação em vinhas e trabalhos agrícolas, e hoje fá-lo, de novo, com os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo. Sabemos que a relação das autoridades civis e religiosas com Jesus nunca foi amistosa, mas tal não O impede de se encontrar com elas, para proclamar, em todas as circunstâncias, a Boa Nova do Reino, que passa por esclarecer que trilha caminhos escorregadios não só quem vive na presunção de salvação sem merecimentos, mas também quem pensa que a salvação é mérito pessoal. Uns e outros vivem errados, porque a salvação é dom, puro dom de Deus, que recusa terminantemente o papel de senhor e patrão, que premeia os servis e castiga os desobedientes. Na Sua pregação, como no encontro de hoje com os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, Jesus não Se cansa de proclamar que Deus é Pai, ama-nos infinitamente e aponta para todos o amor filial como caminho de salvação. Tudo muda na vida se a nossa relação com Deus for filial, confiante, generosa e livre, sempre livre. Porque Deus sabe bem que somos frágeis, o que exalta hoje na parábola é o arrependimento e a conversão, porque a força do Seu amor e do Seu poder se revelam não quando castiga, mas quando perdoa. P. Fausto in Diálogo nº.1710 (XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO que é afinal o Reino dos Céus? Há 3 semanas que Jesus fala do Reino dos Céus e para entendermos melhor o que é, Jesus fala hoje de um proprietário que precisa de gente para a vindima e sai a várias horas à procura de assalariados. Com os primeiros ajusta e com todos os demais, independentemente das horas de trabalho, promete recompensa. Na hora das contas todos receberam o mesmo. Injusto, dizem os primeiros. Então não se premeia o sacrifício do calor e a fadiga das horas de trabalho? A ninguém ficou a dever o proprietário, que merecia, no mínimo, de todos, um muito obrigado. Deus anunciado por Jesus Cristo é assim: Alguém que nos procura sem se cansar, desde a primeira hora do alvorecer até à noite, porque do que não gosta mesmo é de ver pessoas avessas ao trabalho. E na hora do pagamento começa sempre pelos últimos e dá-lhes o mesmo que aos primeiros. O Deus anunciado por Jesus Cristo não é um patrão, nem sequer o melhor dos patrões. E também não é contabilista. É completamente diferente, porque não segue as leis do mercado, nem a lógica da justiça, apenas porque é Bom e nos quer dar mais. Muito mais. Em excesso. É um Deus surpreendente. No princípio de ano apostólico, com tantas condicionantes como neste, haja quem aceite o desafio de trabalhar na vinha amada e guardada por Deus, que neste Evangelho se revela Camponês surpreendentemente Bom e Generoso. P. Fausto in Diálogo nº. 1709 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano A)...
Learn MoreJesus continua a falar-nos de Deus, com recurso a uma linguagem que mesmo os da cidade entendem. E conta mais uma história do campo. Desta vez não é para acentuar a generosidade, que até nos parece excessiva, do semeador, mas para iluminar uma certa ideia de Deus, ainda bem enraizada na vida e no coração de muitos. Com efeito, a imagem de um Deus severo, duro, exigente… ainda persiste e está longe de ser erradicada do coração de muitos cristãos. Há, pois, necessidade imperiosa de “substituir” este Deus, e nada melhor que uma boa parábola, como a do agricultor deste domingo. “Um homem semeou boa semente no seu campo… quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio”. Queres que vamos arrancar o joio?, perguntam zelosamente os servos. “Não! Não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo”, responde o agricultor. Duas maneiras de agir: a de Deus, que vê o trigo e pacientemente respeita o processo de maturação, e a dos servos, que se fixam nas ervas daninhas, sem se importarem com os estragos do seu zelo. Para o Deus anunciado por Jesus Cristo, o trigo, ainda que seja pouco, vale mais que todo o joio da terra. Necessário se torna, então, aprender de Deus a paciência, que dá sempre tempo para crescer e amadurecer, guardando apenas para o final as contas da sementeira. P. Fausto in Diálogo nº. 1708 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEm sítio algum Jesus passa despercebido e cada vez tem menos tempo para estar só, e às vezes são verdadeiras multidões que se acotovelam para O ouvir. É o que acontece hoje, à beira-mar, segundo o Evangelho deste domingo. Muitos ouvem-nO com prazer, outros com reservas, e há mesmo quem não perca uma palavra à espera de motivos para O acusar. Jesus sabe tudo isto, e continua manso e humilde na Sua pregação. Sabe que não veio para fazer discursos agradáveis ou vender sonhos. Não tem agenda política ou religiosa. Veio para falar de Deus. E hoje fá-lo de modo muito criativo com palavras de sabor a campo. O centro da parábola não está nas condições do terreno em que caiu muita semente, mas no semeador que generosamente semeia, à esquerda e à direita, sem fazer contas aos gastos com a sementeira. Deus não é um semeador desleixado ou distraído, mas apenas generoso. Não semeia para ter e vender. E continua a semear à mão cheia. E não serão as pedras, os seixos, as silvas e os espinheiros que se vão amontoando ou crescendo desordenadamente no caminho da nossa vida, que O vão fazer desistir de continuar a semear, porque é o coração de cada homem o torrão de terra boa mais apto para dar vida às sementes de Deus. P. Fausto in Diálogo 1707 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreParece que as coisas não andam a correr muito bem a Jesus. Muito bem humanamente, claro! A sua pregação cria resistências e tem palavras que suscitam críticas à esquerda e à direita. Jesus, porém, ancorado sempre no Pai, cuja intimidade procura em todas as circunstâncias, experimenta uma tal paz e liberdade, que circunstância alguma o demove de anunciar a Boa Nova do Reino. Neste domingo vemo-LO assombrado ao verificar como Deus revela grandes coisas aos “pequeninos”, aos últimos da fila, aos que são capazes de ver e entender com o coração, e esconde propositadamente aos “sábios e inteligentes” o acesso a verdades profundas. Não é que Deus queira dispensar o serviço da inteligência, mas há coisas a que os auto-suficientes nunca poderão chegar… E isto faz Jesus suspirar de assombro e exultar de alegria. Aos mais frágeis, afadigados, sobrecarregados, aos mais “pequeninos”, Jesus não promete apenas auxílio nas dificuldades, mas convida-os hoje a entrarem na Sua escola, onde não se aprendem leis, doutrinas religiosas e filosóficas ou técnicas de vendas de sucessos e sonhos com facilidades e sorrisos, mas lições de vida e para a vida. Jesus é o Mestre consumado. Ser manso e humilde de coração, à Sua semelhança, não significa viver no conformismo e na passividade, mas cultivar generosamente a bondade, a simplicidade, a justiça… virtudes importantes na vida dos discípulos e tão necessárias na sociedade de hoje. P. Fausto in Diálogo nº. 1706 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus, ao dizer no Evangelho deste domingo “quem ama o pai, a mãe, o filho ou a filha mais do que a Mim e quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim…”, parece que se excede. Não é o que pretende, mas temos de O levar a sério, ainda que sintamos algum desconforto pela fasquia alta das exigências da vida cristã, que nos podem levar a dar a própria vida. As palavras de Jesus, ainda que duras, quando descontextualizadas, podem assustar, mas o verdadeiro drama do homem não está no sofrimento, na cruz, ou no martírio, mas em não ter nada, não ter ninguém por quem valha a pena abraçar a cruz e dar a vida. Essa é que é a maior tragédia, porque faltam as razões de viver. Parecendo demasiado exigente e radical, a Palavra de Deus chama a atenção para a hospitalidade. Dar hospitalidade, abrir as portas, acolher, convidar, partilhar…, não podem apenas ficar no léxico das nossas memórias, mas temos de inventar maneira de manter viva esta virtude tão humana e tão cristã, apesar dos perigos da pandemia. Até porque sabemos que não ficará sem recompensa um simples copo de água fresca, dado com graça. P. Fausto in Diálogo 1705 (XIII Domingo do Tempo Comum- Ano...
Learn MoreAo lermos o Evangelho deste domingo, até parece que Jesus se dirige directamente aos homens e mulheres do século XXI. É que, diante das exigências da vida cristã e das dificuldades, o cristão pode ter a tentação de se retirar, confinar, adaptar-se ao sofá, com a justificação compreensível, hoje do contágio pelo coronavírus e amanhã de qualquer outro problema. Como então aos apóstolos, também hoje o Senhor Jesus nos encoraja a não termos medo e diz-nos: não tenhais receio dos homens… não temais os que podem matar o corpo… não temais, valeis muito mais que os passarinhos… Sabemos, por experiência, que as dificuldades amedrontam, nos põem à defesa e até nos bloqueiam. Jesus compreende os nossos medos. Também os experimentou. Nunca deixou, porém, que O impedissem de cumprir em tudo a vontade do Pai, mesmo na hora da agonia ou no alto da cruz. Desanimar é duvidar da palavra do Senhor que nos assiste e nunca nos abandona. Temer… ou envergonhar-se de ser cristão é correr o risco de não termos, no fim da meta, quem, junto do Pai, nos reconheça como discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo 1704 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...
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