À luz do Natal

  O Natal é uma festa muito especial, que provoca no coração, mesmo dos não crentes, os mais belos sentimentos. Para os cristãos, porém, não se trata de mera festa sentimental, é a revelação do novo ordenamento de toda a criação, porque Jesus, o Filho Unigénito de Deus, ao entrar no mundo a partir do ponto mais baixo, não deixa ninguém de fora e a todos alcança pelo mesmo abraço de amor. O Criador que tinha moldado o homem, no jardim, com o pó da terra, faz-se ele próprio, no mistério da Encarnação, argila do mesmo pó de que somos feitos, e, assim, Criador e criatura se abraçam e unem para sempre na partilha da humana natureza. Para que ninguém se sinta prejudicado ou favorecido. Em dignidade somos todos iguais. Logo a seguir ao Natal, vem a festa da Sagrada Família, que o Papa Leão XIII, em 1892, instituiu para levar as famílias cristãs a olharem para a Família de Nazaré, a fim de imitarem os seus exemplos, e, desse modo, contribuírem para a santificação da sociedade, que já sentia fortes dificuldades em torno da instituição familiar. Cem anos passados, a situação não melhorou. Importa, pois, mais que nunca, celebrar a Festa da Sagrada Família de Nazaré, invocar a Sua protecção e imitar o Seu exemplo, porque o panorama familiar apresenta-se bem carregado e mais sombrio. P. Fausto in Diálogo 1723 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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Está a chegar…

  Quase na véspera do Natal, este último domingo do Advento convida-nos à preparação imediata da festa. A Palavra de Deus que nos orienta, a oração insistente que fazemos pessoalmente e em família, a participação fervorosa e consciente na Eucaristia, são outros tantos meios que nos ajudarão a preparar e a viver o Natal. E se com tudo isto nos deixarmos seduzir pelo exemplo de Nossa Senhora, então a nossa preparação para o Natal é verdadeiramente admirável, porque ninguém melhor soube conjugar os verbos que tornaram possível a Encarnação e Nascimento do Salvador. É o que nos diz o Evangelho deste último domingo do Advento. Com efeito, a Virgem de Nazaré, contra todas as expectativas e projectos pessoais de vida, ao dar sem reservas o assentimento à mensagem que o Arcanjo Gabriel lhe comunica, torna-se misteriosamente Mãe do Verbo de Deus. Porque incondicionalmente acreditou e livremente consentiu no cumprimento de quanto lhe foi revelado, é o modelo acabado para quem deseja preparar e celebrar o Natal. P. Fausto in Diálogo 1722 (IV Domingo de Advento – Ano...

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Alegrai-vos !

Com este Domingo começa a segunda fase do tempo do Advento, em que a Igreja nos orienta para a Alegria do Natal, mas não necessariamente para a da noite de consoada. Ainda que importante, e os promissores avanços da ciência e o aligeiramento das medidas de saúde pública permitam que a mesa da consoada se alargue, o momento que vivemos pede prudência e cuidados, e João Baptista não se cansa de nos convidar a viver o Advento, conjugando sabiamente a sobriedade de vida com a solidariedade activa a favor dos pobres. O que não pode faltar também é a Alegria, mesmo sem consoada e mesa alargada. Sim. Não deixemos, então, que nenhuma pandemia, com todos os seus dissabores, nos roube a Alegria, porque “o Senhor está perto”. Ainda que Deus nos pareça, às vezes, distante, clandestino ou em silêncio, nunca está longe e desatento. São certezas como estas que levam S. Paulo a dizer aos cristãos de Tessalónica: “Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias”. Palavras sábias para todos e para todos os tempos. E também para o Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1721 (III Domingo de Advento – Ano...

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A voz oportuna !

  O tempo corre e já estamos na segunda semana do Advento. E muitos, alertados pelo acendimento das iluminações da época, já se desdobram em cuidados com os presentes de Natal. Para os cristãos, porém, há outros trabalhos mais urgentes e importantes. Quem o diz é João Baptista, voz determinada e inconfundível, no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Ao dar voz a este pregão, João Baptista não se limita a replicar uma mensagem ou a dar um recado aos do seu tempo, mas torna-se, para todos os tempos, exemplo claro de quem vive em Advento e prepara a vinda do Messias. Dois mil anos passados, não se volta ao deserto e ao estilo de vida do Precursor, mas não deixa de ser oportuno e necessário escutarmos o seu alerta vigoroso, para que a sobriedade de vida, como escolha livre e responsável que devemos fazer, nos permita ter uma expressão solidária mais significativa nesta quadra. É o que nos sugere também o Papa Francisco. Com efeito, a sobriedade, a solidariedade e a oração serão sempre trempe vigorosa em que deve assentar o projecto de vida de quem quer viver o Advento e celebrar cristãmente o Natal. P. Fausto in Diálogo 1720 (II Domingo do Advento – Ano B)...

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” Vigiai ! “

  O domingo a seguir à Solenidade de Jesus Cristo, Senhor do Universo, inicia sempre o ano litúrgico e introduz-nos num tempo também novo, o Advento. Para muitos cristãos, porém, só as luzes acesas nas montras, praças e ruas, que cheiram a natal e puxam pelo consumo, é que despertam para a mudança. Conscientes ou não, o calendário litúrgico muda, e um tempo novo começa, para prepararmos o Natal dAquele que há-de vir, “como Juiz dos vivos e dos mortos” e que nasceu em Belém para ser nosso Salvador. Ao iniciarmos mais um ano litúrgico e, sobretudo, o Advento, não deixaremos de atender ao que Jesus pede no Evangelho, e que S. Marcos, que nos vai acompanhar ao longo de todo o ano, sintetiza: “O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!” O dever de vigilância não impõe cuidados acrescidos de defesa pessoal, não pede reforço e blindagem de portas… Apenas nos pede uma maior atenção à vida. Sim. Atenção a Deus, aos outros e a nós mesmos. Num tempo em que a tudo se fazem contas em função de objectivos, é tão fácil andarmos distraídos. Sempre a correr, não temos tempo para nos olharmos nem paciência para nos ouvirmos, não temos tempo para a família, para os amigos, nem para nós próprios. E, certamente, também para Deus o tempo é escasso. Assim, não preparamos o Natal, nem temos a qualidade de vida que só Deus nos oferece. P. Fausto in Diálogo 1719 (Domingo I o Advento – Ano...

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O rosto de Deus !

  Com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, chegamos ao fim do ano litúrgico. O ambiente é de majestade e dignidade. Trata-se, nada mais nada menos, que o Juízo Final, de cuja sentença não há recurso. O desfecho não é igual para todos. Para uns abrem-se plena e definitivamente as portas para a Felicidade: “Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado…” Para outros, também convocados, as portas abrem para a solidão e desespero: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno…”. Qual o critério que decide a sorte de uns e outros? Qual a culpa dos condenados? Eles não fizeram mal aos pobres, não maltrataram ninguém… É verdade. Simplesmente acharam desperdício o tempo dado aos outros, especialmente aos da margem. E apresentaram-se de mãos vazias. O seu caderno diário só tinha omissões. Muitas vezes nos questionamos: Onde está Deus? Jesus, no Evangelho de hoje, dá-nos a resposta. É Seu o rosto dos famintos, dos desempregados, dos doentes, dos sós,… Está onde se sofre. Por isso, no Juízo Final, o Rei e Senhor do Universo abrirá o Livro da Vida no capítulo das “Obras de Misericórdia” para bênção e consolação de uns e condenação e desespero dos outros. P. Fausto in Diálogo 1718 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo  Ano...

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Sem medo !

  O termo do ano litúrgico aproxima-se e a Palavra de Deus aponta cada vez mais claramente para o fim dos tempos. Assim sucede em mais este Domingo. Sem ambiguidades. Todos somos diferentes, e, como a todos foram dados talentos, igualmente preciosos e necessários na construção harmoniosa e equilibrada da sociedade e da Igreja, a parábola do Evangelho de hoje, largamente conhecida, é, sobretudo, um convite a não termos medo, mesmo do medo de errar, a não metermos medo e a libertarmo-nos do medo. Porque o medo atrofia, paralisa e motiva a escondermos o talento, sob a capa de uma falsa prudência e segurança. Com esta parábola, Jesus quer libertar-nos até do medo de Deus, que não é um senhor ganancioso, que pretenda enriquecer à custa dos talentos confiados, mas Alguém que generosamente devolve aos servos tudo o que largamente distribui, acrescido do que ganham. Este é o nosso Deus, que só sabe dar, e dar em abundância, sem nada reservar para si, porque de nada tem falta. Qualquer que seja o dom recebido, pequeno ou grande, o essencial é valorizá-lo, porque, na hora das contas, Deus não olha aos números, mas à diligência, à confiança, à ousadia, à criatividade, numa palavra, ao amor que se põe no serviço que se presta. Deus concede a todos talentos, a uns mais que outros, é verdade, mas a todos concede a graça de os multiplicarmos. Fazê-lo ou não, está na nossa liberdade, mas não se queixem da sorte final os que, sob falsa prudência e segurança, se limitam a apresentar o talento que, por medo, enterraram. P. Fausto in Diálogo nº 1717 (DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM – Ano...

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Atenção aos “Trabalhos de casa”

  Que Jesus é criativo já o demonstrou muitas vezes, mas comparar o Reino dos Céus a 10 jovens, convidadas para a festa de casamento de um amigo comum, é, no mínimo, surpreendente. Todas deliraram com o convite, sem hora marcada, e o noivo tardou. Caiu, entretanto, a noite. E adormeceram. Estremunhadas com o bulício dos convidados mal têm tempo de pegar nas candeias, que, prestes a apagar-se, tornam ainda mais penoso o já inseguro e escorregadio caminho. Cinco delas, porém, não esquecem a almotolia com azeite e as outras cinco, excitadas com a festa e pensando ser suficiente a exibição do convite para entrar, mesmo às escuras, não levaram azeite consigo. Aquelas são ajuizadas e prudentes e estas descuidadas. “Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se” . E a resposta parece-nos dura e incompreensível: “Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo”. Entretanto chegou o noivo e a porta fechou-se. E a festa começou só para os convidados de lâmpadas acesas. Caminhando já para o final do ano litúrgico, Jesus, com mais esta parábola, não deixa de nos alertar para a importância dos “trabalhos de casa”, para não nos acontecer o mesmo que às jovens descuidadas, que, também convidadas, esqueceram o azeite, querendo entrar na festa nupcial às escuras e de mãos vazias. P. Fausto in Diálogo 1716 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Eu também ?

Neste Domingo celebramos a Solenidade de Todos os Santos. Daqueles cujos nomes ficaram na história e de todos os demais, “multidão imensa, que ninguém podia contar”, de quem não recordamos o nome, mas cuja fé e dedicação só Deus conheceu. Todos estão com Deus e são plenamente felizes. Estes últimos são, como diz o Papa Francisco, os santos anónimos ou os santos de ao pé da porta. A Igreja recorda-os a todos, e, enquanto celebra em festa a sua memória e pede a sua intercessão, lembra a cada um de nós, ainda em peregrinação, que a nossa vocação é também à santidade, cada um por seu caminho, que, embora não seja fácil, está ao alcance de todos. Não faremos milagres, nem coisas extraordinárias, mas cabe-nos o esforço para vivermos, no nosso quotidiano, as bem-aventuranças. Sem nunca desistirmos, apesar das nossas fragilidades e quedas. Tudo o mais é para a Bondade e Misericórdia de Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1715 (Solenidade de Todos os Santos – Ano...

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Amar sem medidas !

  A estratégia dos fariseus e doutores da lei passa agora por entrevistas rápidas e ardilosas a Jesus, sempre na mira de respostas que O possam condenar. Assim acontece neste domingo, com o doutor da lei que pergunta: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus sabe bem o ambiente que O rodeia, o alcance da questão apresentada e responde de imediato : “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito”. E acrescenta de seguida: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E mais não disse. Porque disse tudo. Amar a Deus com todo o coração, alma e espírito, não significa amar só a Deus, mas amá-Lo sem medidas. E como Deus não é ciumento, não rouba o lugar e o amor à esposa, ao marido, aos filhos, aos amigos… e a nós próprios. Bem pelo contrário, multiplica-o, porque nos faz ver no rosto do outro, mesmo daqueles que não gostam de nós, o rosto do próprio Deus. Assim, na vida, tudo se torna uma questão de amor. Amor sem medida. Como Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1714 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...

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