Ultrapassadas as dúvidas sobre a Ressurreição, o discurso de Jesus parece centrar-se nas condições indispensáveis para o cumprimento da missão reservada aos apóstolos. É neste contexto que sinto as palavras do Evangelho deste 5° Domingo do Tempo Pascal: “Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto… para que dê ainda mais fruto”. Jesus, como sempre, não diz coisas complicadas, e nada melhor, hoje, que um passeio ao campo, para entender a Sua mensagem. Certamente que há vinhas abandonadas, desordenadas, sufocadas por ervas, com muitos ramos e pouca esperança de fruto. Na verdade, a videira não podada alonga-se em ramos cada vez mais esguios e enredados, com fruto reduzido e amargo, e morre precocemente. As vinhas podadas e tratadas, pelo contrário, apresentam-se viçosas, ordenadas, com fruto abundante e vida saudável. Todo o lavrador sabe isto. E sabe que podar não é cortar a eito e sem jeito, mas é preciso cortar para orientar, ordenar… para mais saúde e melhor fruto. E os discípulos agradeceram o passeio ao campo e acolheram a advertência solene que Jesus lhes fez: “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim”. O apelo à Comunhão de uns com os outros e de todos com Jesus é e será sempre actual. P. Fausto in Diálogo nº. 1733 (V Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreJá vai na 4ª semana desde que o sepulcro foi encontrado vazio. Sem explicações. Só a noite foi testemunha. Tudo isto deixara perplexos e amedrontados os discípulos. O Crucificado, porém, mostra as marcas dos cravos, responde às dúvidas dos discípulos e toma alimento com eles. E a todos devolve a alegria e a paz. Mas não dá por encerrado o processo catequético. Ao notar ainda nos olhos dos discípulos sinais de ansiedade e insegurança, Jesus lembra-lhes palavras já ouvidas, mas não totalmente compreendidas: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge”. Como quem diz coragem, não desisto de vós, não vos abandonarei. Dei a vida por vós, bem o sabeis. Não deixarei nunca alguém sozinho e para trás… Bem precisamos também nós, hoje, de reter, na memória e no coração, as palavras do Bom Pastor, que não dá lições de moral ou deixa um compêndio de doutrina, mas uma maneira nova de viver, que dá sentido à vida, mesmo que crucificada. P. Fausto in Diálogo 1732 (IV Domingo da Páscoa (Bom Pastor) – Ano...
Learn MoreA vergonha e o medo… paralisam os discípulos, nestes primeiros dias. Jesus, pressentindo o desassossego e o desconforto, nada pede, nada cobra. Não repreende nem se lamenta. Apenas oferece a Paz. “Sou Eu mesmo; tocai-me e vede: um espírito não tem carne nem ossos”, e mesmo assim, os discípulos, “na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar”. Mas Jesus não desiste: “Tendes aí alguma coisa para comer? E começou a comer diante deles…”. Não foi fácil aos discípulos dar este passo para a Ressurreição. O Jesus que viam, sendo o mesmo, era diferente, estava transformado. Comia, é certo, mas aparecia e afastava-se de portas fechadas, sem se saber como. Era preciso dar tempo ao tempo. Era preciso refrescar a memória à luz das Escrituras. E Jesus prossegue com infinita paciência o processo de recuperação dos seus, para os tornar testemunhas inabaláveis da Ressurreição. E como eles souberam cumprir! Cabe-nos a nós, hoje, continuar a mesma Missão, com a simplicidade, alegria e transparência da criança que não sabe reservar para si o segredo que lhe foi confiado. Porque a Boa Nova não é para poucos mas para todos, e a todos diz respeito. P. Faustoin Diálogo 1731 (Domingo III da Páscoa Ano...
Learn MoreApesar de anunciada, a Ressurreição apanhou de surpresa toda a gente, os discípulos inclusivé. Cheios de medo, por causa dos judeus, e de vergonha, certamente, pelo comportamento que tiveram nos momentos mais difíceis e dolorosos da vida do Mestre e Amigo, é trancados a sete chaves que Jesus os encontra, como relata o Evangelho deste domingo. Porque não escolheu homens de letras, três anos de catequese permanente não foram suficientes para consolidar conhecimentos e transformar os corações. Por isso, Jesus inicia, sem demora, um processo para “recuperar” aqueles que escolheu para serem suas testemunhas privilegiadas. Processo delicado, só conseguido pela misericordiosa paciência de Jesus, sempre atento às capacidades e ritmos de cada um dos discípulos. Jesus ama–os sinceramente. Ama-os como são, com defeitos, medos e hesitações… e começa por Tomé, que apresenta mais dúvidas que certezas. Sem discursos ou lições de moral, Jesus abre a camisa e estende-lhe as mãos: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente”. Não sabemos se Tomé tocou, mas “olhou”, e bastou para lhe arrancar a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. P. Fausto in Diálogo 1730 (Domingo II da Páscoa – Ano...
Learn MoreFoi uma semana dramaticamente agitada. Nem tempo houve para fazer luto e preparar o corpo para o sepulcro. Por exigências sabáticas, o corpo de Jesus, descido da cruz, foi rapidamente depositado no túmulo de um amigo de última hora, José de Arimateia. A voz incómoda de Jesus calara-se definitivamente. Para muitos era o fim. Algumas mulheres, porém, entre elas Maria Madalena, nem por um momento deram à noite o coração sossegado, e, antes do amanhecer, aventuram-se ao caminho para o sepulcro, sem se importarem do que pensaria quem as visse, por esses atalhos, tão apressadas, àquela hora. Nas mãos os aromas e no coração a ansiedade. E cansadas chegam ao sepulcro. Não sabem quem, como ou quando, mas vêem a grande pedra revolvida e o sepulcro vazio. Lá dentro, um jovem, vestido com uma túnica branca, diz-lhes com voz clara e doce:”Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Não está aqui. Ressuscitou.” Ide dizer aos discípulos de todos os tempos que a morte não é o fim de tudo e que em nenhuma circunstância, por mais adversa que seja, Deus nos abandona. Porque é Fiel, é dEle, sempre, a última palavra. P. Faustoin Diálogo 1729 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreDecorridas 5 semanas da Quaresma, chegámos à Semana Santa, semana maior e central do ano litúrgico. Semana desconcertante, com palmas e hossanas, apupos e vaias, vindos das mesmas vozes. Recebido triunfalmente em Jerusalém, Jesus, dias depois, atravessará a cidade, a caminho do Calvário, vaiado pelos mesmos que O receberam em triunfo. Vamos celebrar uma semana densa, dolorosa e perturbadora, com momentos de extrema solidão e beijos de traição, com o julgamento de conveniência e mentira a que sujeitam Jesus, com sentença iníqua e execução de farsa. Tudo aconteceu naquela semana. Até Pedro O nega e os discípulos O abandonam. E Jesus mantém-se fiel. Até ao fim. Se queres entender quem é Deus, pára e contempla uma cruz, como só o centurião fez, ao vê-LO expirar daquela maneira, na tarde de sexta-feira: “Na verdade, este homem era Filho de Deus”. Pe. Fausto in Diálogo 1728 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreAo aproximarmo-nos da Páscoa, a Liturgia orienta progressivamente os cristãos para a contemplação da Paixão e Ressurreição do Senhor. E bem oportuno se torna num tempo em que a expectativa das pessoas vai mais para as “vacinas” que para a espiritualidade própria da quinta semana da Quaresma. O Evangelho deste Domingo mostra-nos Jesus em Jerusalém, no templo, poucos dias antes da Paixão. Alguns gentios, porque querem conhecer Jesus, dirigem-se a Filipe e pedem-lhe que os apresente ao Mestre. As circunstâncias, porém, não aconselham entrevistas nem sessões de cumprimentos. A hora é solene e o tempo é escasso. Há que aproveitar a presença da multidão para uma última mensagem: “Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”. Nem toda a gente entendeu e se apercebeu da presença de Jesus, mas ficou para a história a mensagem de que nem o sofrimento nem a morte têm a última palavra. A esta luz, apesar da perturbação e desconforto que o sofrimento e a morte provocam, contemplar um crucifixo deixa de ser, para os cristãos, um pesadelo, mas fonte de vida e certeza de salvação. P. Fausto in Diálogo n.º1727 (Domingo V da Quaresma – Ano...
Learn MoreTerminado o Tempo de Natal com a solenidade da Epifania, entramos no Tempo Comum, ao longo do qual celebramos o mistério de Cristo no seu conjunto. Particularmente atentos à Sua actividade apostólica, em cada Domingo, Dia do Senhor, somos desafiados a acertar o passo com o do Mestre, que, apesar de andar depressa, tem sempre tempo e paciência para nós. Como aprendizes que sempre seremos, dispomo-nos, logo à partida, a segui-lO com todo o interesse, como aconteceu com André e João, apresentados por João Baptista ao “Cordeiro de Deus”, junto do rio Jordão. Não sabemos bem o que se passou naquele dia, mas a verdade é que foi feliz, muito feliz, o encontro com Jesus, a avaliar pelo entusiasmo de André, partilhado, de imediato, com o irmão Simão: “Encontrámos o Messias”. E não descansou, enquanto não o levou a Jesus. Se é importante realçar a atitude de João Baptista em apontar o “Cordeiro de Deus” aos seus discípulos, não o é menos a prontidão e obediência reveladas por estes, que, seguindo Jesus por curiosidade, depressa se deixam fascinar pelo convívio com a pessoa excepcional, que tinham acabado de conhecer. Há encontros e encontros. Há encontros e encontrões. Quem se deixa encontrar por Jesus nunca se arrepende. Que o digam esta semana João e André. Que o diga também Pedro, a quem Jesus, olhos nos olhos, mudou o próprio nome. P. Fausto in Diálogo 1926 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAs manhãs apresentam-se bastante frias e as portas da nossa Igreja estão, como é habitual, abertas, permitindo observar a vida que corre e escorre no adro e na praça em frente. Tal facto não me distrai e até me sinto bem a celebrar a Eucaristia “no meio do mundo”, mesmo com o ruído do trânsito, que às vezes é bem grande. Entre tantos que no decurso da Missa passam pelo adro, há sempre quem pare e se benza. Não sei quem são, o que fazem e para onde vão, mas sei que, sem saberem, me ajudam duplamente a celebrar a Eucaristia. Gestos simples, breves, espontâneos e plenos de actualidade num ambiente cada vez mais diluído e rarefeito de Deus! Gestos de gente que não tem vergonha de mostrar que é cristã, mesmo quando corre para o trabalho e o tempo urge. Na festa do Baptismo de Jesus faz -nos bem tomar consciência de que para ser cristão não basta constar no livro de registos de Baptismos da Paróquia, pois de pouco nos vale, mesmo sabendo muito de religião e até de teologia, se não expressamos no quotidiano, mais pelo exemplo que pelo discurso, aquilo em que acreditamos. Não sei se algum dia poderei felicitar os que se benzem ou tiram reverentemente o chapéu quando passam pela Igreja, mas dou graças a Deus por gestos, que me edificam como estes, de quem não tem vergonha de mostrar que é cristão. P. Fausto in Diálogo 1725 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...
Learn MoreO COVID 19 vergou a humanidade, alterou comportamentos, paralisou em grande parte a economia e fez-nos experimentar quão pequeno e frágil é o ser humano, que, apesar dos avanços da ciência, continua nu e desprotegido. Felizmente a ciência entendeu-se e os instrumentos financeiros apareceram para produzir resposta rápida ao combate de algo que, não sendo vivo, roubou tantas vidas e deixou sequelas tão graves. E apareceu finalmente a vacina! Damos graças a Deus por todo este caminho, mas não esqueçamos que a vacina não é a salvação do homem, nem mesmo a “luz ao fundo do túnel”, como dizem muitos. Com cobertura tão exaustiva em todos os meios de comunicação social, parece que a vacina é o verdadeiro messias recém-nascido, portador da salvação universal, ainda que faseada. É verdade que o acontecimento merecia destaque, mas, convenhamos, é obsessivamente grande a cobertura dada, como se aparecesse um guarda chuva eficaz e protector de todas as doenças e pandemias. Continuaremos, vencido o Covid, a ser frágeis e pobres e desiguais e egoístas e soberbos e violentos… e a viver na escuridão, se não tivermos em conta a Mensagem que nos vem da Verdadeira Luz do mundo, Jesus, nascido em Belém. Ao celebrarmos a solenidade da Epifania, aprendamos não com Herodes mas com os magos, que se aventuram, não desistem, mesmo quando deixam de ver a Estrela, e perguntemos-lhes o segredo para prosseguirem viagem até ao presépio e voltarem para a sua terra por outro caminho, com o coração cheio a transbordar de alegria e de paz. P. Fausto in Diálogo 1724 (Solenidade da Epifania do Senhor Ano...
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