O tempo corre e já estamos na segunda semana do Advento. E muitos, alertados pelo acendimento das iluminações da época, já se desdobram em cuidados com os presentes de Natal. Para os cristãos, porém, há outros trabalhos mais urgentes e importantes. Quem o diz é João Baptista, voz determinada e inconfundível, no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Ao dar voz a este pregão, João Baptista não se limita a replicar uma mensagem ou a dar um recado aos do seu tempo, mas torna-se, para todos os tempos, exemplo claro de quem vive em Advento e prepara a vinda do Messias. Dois mil anos passados, não se volta ao deserto e ao estilo de vida do Precursor, mas não deixa de ser oportuno e necessário escutarmos o seu alerta vigoroso, para que a sobriedade de vida, como escolha livre e responsável que devemos fazer, nos permita ter uma expressão solidária mais significativa nesta quadra. É o que nos sugere também o Papa Francisco. Com efeito, a sobriedade, a solidariedade e a oração serão sempre trempe vigorosa em que deve assentar o projecto de vida de quem quer viver o Advento e celebrar cristãmente o Natal. P. Fausto in Diálogo 1720 (II Domingo do Advento – Ano B)...
Learn MoreO domingo a seguir à Solenidade de Jesus Cristo, Senhor do Universo, inicia sempre o ano litúrgico e introduz-nos num tempo também novo, o Advento. Para muitos cristãos, porém, só as luzes acesas nas montras, praças e ruas, que cheiram a natal e puxam pelo consumo, é que despertam para a mudança. Conscientes ou não, o calendário litúrgico muda, e um tempo novo começa, para prepararmos o Natal dAquele que há-de vir, “como Juiz dos vivos e dos mortos” e que nasceu em Belém para ser nosso Salvador. Ao iniciarmos mais um ano litúrgico e, sobretudo, o Advento, não deixaremos de atender ao que Jesus pede no Evangelho, e que S. Marcos, que nos vai acompanhar ao longo de todo o ano, sintetiza: “O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!” O dever de vigilância não impõe cuidados acrescidos de defesa pessoal, não pede reforço e blindagem de portas… Apenas nos pede uma maior atenção à vida. Sim. Atenção a Deus, aos outros e a nós mesmos. Num tempo em que a tudo se fazem contas em função de objectivos, é tão fácil andarmos distraídos. Sempre a correr, não temos tempo para nos olharmos nem paciência para nos ouvirmos, não temos tempo para a família, para os amigos, nem para nós próprios. E, certamente, também para Deus o tempo é escasso. Assim, não preparamos o Natal, nem temos a qualidade de vida que só Deus nos oferece. P. Fausto in Diálogo 1719 (Domingo I o Advento – Ano...
Learn MoreCom a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, chegamos ao fim do ano litúrgico. O ambiente é de majestade e dignidade. Trata-se, nada mais nada menos, que o Juízo Final, de cuja sentença não há recurso. O desfecho não é igual para todos. Para uns abrem-se plena e definitivamente as portas para a Felicidade: “Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado…” Para outros, também convocados, as portas abrem para a solidão e desespero: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno…”. Qual o critério que decide a sorte de uns e outros? Qual a culpa dos condenados? Eles não fizeram mal aos pobres, não maltrataram ninguém… É verdade. Simplesmente acharam desperdício o tempo dado aos outros, especialmente aos da margem. E apresentaram-se de mãos vazias. O seu caderno diário só tinha omissões. Muitas vezes nos questionamos: Onde está Deus? Jesus, no Evangelho de hoje, dá-nos a resposta. É Seu o rosto dos famintos, dos desempregados, dos doentes, dos sós,… Está onde se sofre. Por isso, no Juízo Final, o Rei e Senhor do Universo abrirá o Livro da Vida no capítulo das “Obras de Misericórdia” para bênção e consolação de uns e condenação e desespero dos outros. P. Fausto in Diálogo 1718 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo Ano...
Learn MoreO termo do ano litúrgico aproxima-se e a Palavra de Deus aponta cada vez mais claramente para o fim dos tempos. Assim sucede em mais este Domingo. Sem ambiguidades. Todos somos diferentes, e, como a todos foram dados talentos, igualmente preciosos e necessários na construção harmoniosa e equilibrada da sociedade e da Igreja, a parábola do Evangelho de hoje, largamente conhecida, é, sobretudo, um convite a não termos medo, mesmo do medo de errar, a não metermos medo e a libertarmo-nos do medo. Porque o medo atrofia, paralisa e motiva a escondermos o talento, sob a capa de uma falsa prudência e segurança. Com esta parábola, Jesus quer libertar-nos até do medo de Deus, que não é um senhor ganancioso, que pretenda enriquecer à custa dos talentos confiados, mas Alguém que generosamente devolve aos servos tudo o que largamente distribui, acrescido do que ganham. Este é o nosso Deus, que só sabe dar, e dar em abundância, sem nada reservar para si, porque de nada tem falta. Qualquer que seja o dom recebido, pequeno ou grande, o essencial é valorizá-lo, porque, na hora das contas, Deus não olha aos números, mas à diligência, à confiança, à ousadia, à criatividade, numa palavra, ao amor que se põe no serviço que se presta. Deus concede a todos talentos, a uns mais que outros, é verdade, mas a todos concede a graça de os multiplicarmos. Fazê-lo ou não, está na nossa liberdade, mas não se queixem da sorte final os que, sob falsa prudência e segurança, se limitam a apresentar o talento que, por medo, enterraram. P. Fausto in Diálogo nº 1717 (DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM – Ano...
Learn MoreQue Jesus é criativo já o demonstrou muitas vezes, mas comparar o Reino dos Céus a 10 jovens, convidadas para a festa de casamento de um amigo comum, é, no mínimo, surpreendente. Todas deliraram com o convite, sem hora marcada, e o noivo tardou. Caiu, entretanto, a noite. E adormeceram. Estremunhadas com o bulício dos convidados mal têm tempo de pegar nas candeias, que, prestes a apagar-se, tornam ainda mais penoso o já inseguro e escorregadio caminho. Cinco delas, porém, não esquecem a almotolia com azeite e as outras cinco, excitadas com a festa e pensando ser suficiente a exibição do convite para entrar, mesmo às escuras, não levaram azeite consigo. Aquelas são ajuizadas e prudentes e estas descuidadas. “Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se” . E a resposta parece-nos dura e incompreensível: “Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo”. Entretanto chegou o noivo e a porta fechou-se. E a festa começou só para os convidados de lâmpadas acesas. Caminhando já para o final do ano litúrgico, Jesus, com mais esta parábola, não deixa de nos alertar para a importância dos “trabalhos de casa”, para não nos acontecer o mesmo que às jovens descuidadas, que, também convidadas, esqueceram o azeite, querendo entrar na festa nupcial às escuras e de mãos vazias. P. Fausto in Diálogo 1716 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNeste Domingo celebramos a Solenidade de Todos os Santos. Daqueles cujos nomes ficaram na história e de todos os demais, “multidão imensa, que ninguém podia contar”, de quem não recordamos o nome, mas cuja fé e dedicação só Deus conheceu. Todos estão com Deus e são plenamente felizes. Estes últimos são, como diz o Papa Francisco, os santos anónimos ou os santos de ao pé da porta. A Igreja recorda-os a todos, e, enquanto celebra em festa a sua memória e pede a sua intercessão, lembra a cada um de nós, ainda em peregrinação, que a nossa vocação é também à santidade, cada um por seu caminho, que, embora não seja fácil, está ao alcance de todos. Não faremos milagres, nem coisas extraordinárias, mas cabe-nos o esforço para vivermos, no nosso quotidiano, as bem-aventuranças. Sem nunca desistirmos, apesar das nossas fragilidades e quedas. Tudo o mais é para a Bondade e Misericórdia de Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1715 (Solenidade de Todos os Santos – Ano...
Learn MoreA estratégia dos fariseus e doutores da lei passa agora por entrevistas rápidas e ardilosas a Jesus, sempre na mira de respostas que O possam condenar. Assim acontece neste domingo, com o doutor da lei que pergunta: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus sabe bem o ambiente que O rodeia, o alcance da questão apresentada e responde de imediato : “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito”. E acrescenta de seguida: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E mais não disse. Porque disse tudo. Amar a Deus com todo o coração, alma e espírito, não significa amar só a Deus, mas amá-Lo sem medidas. E como Deus não é ciumento, não rouba o lugar e o amor à esposa, ao marido, aos filhos, aos amigos… e a nós próprios. Bem pelo contrário, multiplica-o, porque nos faz ver no rosto do outro, mesmo daqueles que não gostam de nós, o rosto do próprio Deus. Assim, na vida, tudo se torna uma questão de amor. Amor sem medida. Como Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1714 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO tempo corre e a paciência dos fariseus esgotou-se. Agora a estratégia é pôr questões que possam permitir um processo de acusação e condenação a Jesus. É o que hoje acontece com o tributo a pagar a Roma. “É lícito ou não pagar tributo a César”, perguntam os fariseus e herodianos, partidos que, sendo opostos, se unem para uma questão tão maliciosa quanto interesseira. Jesus não foge às dificuldades, e, surpreendentemente, olhando a moeda que lhe mostravam, sentencia: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Em poucas palavras, responde a todos. E a nós também. Responde com clareza a quantos, na gestão do seu património, apostam em manobras de engenharia financeira, evasão fiscal, fuga aos impostos, etc, etc. Responde também a quantos, ao longo da história, pensam que o dinheiro compra tudo e todos, esquecendo-se que a César pertencem as coisas, mas a Deus, só a Deus, pertence o homem. Todos os homens e o homem todo. independentemente da cor, ideologia ou religião. Responde hoje a quem quer ser Seu discípulo, ao lembrar que não basta ser bom cidadão para ser cristão, mas também não é cristão quem não for bom cidadão. Como vemos, os ensinamentos de Jesus são para ontem, hoje e sempre. São actuais. Porque só Ele tem Palavras de Vida Eterna. P. Fausto in Diálogo nº 1713 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreOs príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo são de novo os interlocutores de Jesus, na catequese deste domingo. Desta feita, o assunto é um banquete nupcial, organizado por um rei, com requinte e pormenor, em honra de seu filho. A lista dos convidados é longa mas, uns porque não simpatizam com o rei, rasgam o convite, outros alegam compromissos mais importantes, e outros, pura e simplesmente, maltratam e matam os emissários, nem um aceitou o convite. Tantos sonhos e trabalho para nada. Que desconsideração! E o rei ficou indignado. Mas não desistiu. Ordenou aos servos que corressem às encruzilhadas, praças e becos, a convidar quantos encontrassem. E a grande sala encheu-se. Todos estavam felizes. Todos menos um. “Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?”, pergunta o rei. E ele ficou calado. “Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores”. E expulsou-o da festa. Há muita gente a quem Deus mete medo, ensombra, bloqueia e aliena. Cabe aos cristãos o dever de anunciar que o Deus em que acreditam, e que foi revelado por Jesus Cristo, é Próximo, Inclusivo, Alegre e Generoso… Convida todos para a Festa e respeita a liberdade pessoal, exigindo, apenas, o traje nupcial, que, podendo ser usado, tem de estar limpinho. E isto depende só de cada um. P. Fausto in Diálogo nº1712 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus continua a fazer a sua catequese, falando de vinhas, colheitas, proprietários, servos e arrendatários, aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Gente bem pensante e bem instalada. Todos de bem com a vida… Ao meditarmos a parábola do Evangelho deste domingo, também a deveremos considerar dirigida a nós, porque os comportamentos dos arrendatários não são apenas de ontem, mas também se verificam hoje, até na vida de muitos cristãos. Mais importante, porém, que determo-nos na malvadez dos arrendatários, é importante reconhecermos a infinita paciência e benevolência de Deus, que não desiste do Seu projecto de salvação, apesar dos nossos desvarios e atropelos. O Deus anunciado em mais esta história, que Jesus conta aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, não se perde em esquemas de vingança, nem impõe castigos exemplares. Nada disso procura. Nada disso O satisfaz. Porque o que verdadeiramente pretende é oferecer o Seu amor e misericórdia. Em excesso. No entanto, há que tomar a sério a advertência final, pois ficarão de “fora” os que conscientemente escolherem um programa de vida de mentira, corrupção, ganância, violência… tudo sargaços ou uvas vermelhas de sangue e amargas de lágrimas, donde não se extrai um pingo sequer de bom vinho. P. Fausto in Diálogo nº. 1711 (XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More
Comentários recentes