Foi de tal modo gratificante o encontro dos discípulos de João com o ” Cordeiro de Deus”, no domingo passado, que André não descansou, enquanto não pôs também Pedro em caminho. Hoje, em passeio descontraído pela borda do mar da Galileia, damos de caras com Jesus a dirigir a palavra aos pescadores, em plena hora de trabalho, e a desafiar alguns para mudar de vida e profissão… A mensagem não é nova, mas soa a novo porque sai com encanto e serenidade, sem o dramatismo da figura austera de João, que até fazia tremer as pernas. Aos que encontrava, Jesus dirigia a palavra, que, embora exigente e universal, lhe saía dos lábios como verdadeira Boa Nova, bastando dos ouvintes o arrependimento e a conversão. Como a Simão e André, a Tiago e João, e aos outros, também Deus hoje nos olha e pede apenas que olhemos o futuro e acreditemos sem medo no Evangelho, sem amarras ao passado, por mais nebuloso que seja, ou inseguros pelas surpresas e dificuldades do futuro. É sempre Deus quem chama e na certeza da Sua fidelidade, ousamos, todos os dias, dizer o nosso Sim generoso e confiante. P. Fausto in diálogo 1456 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDepois da festa da Epifania, regressamos ao tempo comum do ano litúrgico, que não é, de modo algum, vulgar ou banal, mas tão só um tempo marcado e alimentado pela celebração do domingo, o dia da Páscoa do Senhor, da Ressurreição de Cristo. É o tempo em que seguimos Jesus, nos anos da Sua vida pública, depois do Baptismo, convidados pela figura lúcida, corajosa, humilde e pobre de João Baptista, que não hesita em apontar aos seus discípulos o Cordeiro de Deus, ainda que fique no deserto, sozinho, a pregar às pedras. E que dizer de João e André, discípulos do Baptista? Era apenas a curiosidade que os movia? Não teremos também de aprender deles, a disponibilidade própria de quem não está amarrado a pessoas, ideias ou sistemas e a confiança e abertura ao novo e surpreendente de cada dia? Parecem-me homens de janelas abertas, disponíveis e ávidos do melhor. Não é de estranhar, pois, que o encontro com Jesus, por tão intenso e verdadeiro, não possa ter sido calado, mas antes partilhado de imediato com Pedro. Aprendamos com João Baptista e estes discípulos, para sermos membros cada vez mais activos da “Igreja alegre e sem fronteiras”, que este ano nos propomos experimentar e celebrar. P. Fausto in diálogo 1455 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO tempo corre depressa. Ainda há pouco cantávamos com os Anjos e os pastores a alegria do nascimento do Menino e, hoje, já adulto, assistimos ao Seu baptismo, no rio Jordão, por João, e à apresentação do Seu programa. Com uma irrepreensível e esmerada educação familiar, apetrechado com os segredos da profissão que aprendera do pai e conhecedor profundo das Escrituras Sagradas, Jesus está bem preparado para realizar o que Isaías predissera acerca do Messias. Não perde tempo em anunciar as linhas mestras da Sua mensagem. Exclui, em absoluto, todas as formas de violência e proclama a vida e a dignidade de todos; diz que vai respeitar o caminho e o ritmo de cada um, sem desistir, jamais, mesmo daqueles que são como candeias fumegantes ou frágeis como os caniços, porque merecem todos o mesmo respeito e a todos se sente enviado para anunciar o coração misericordioso de Seu Pai. Não quer outra coisa senão servir, mesmo que isso Lhe custe a vida, e só Se sente bem a fazer a vontade de Deus. O Espírito Santo, que hoje desceu sobre Jesus, no Jordão, em forma de pomba, e O consagrou para a Missão, é o mesmo que, pelo Baptismo, nos torna Filhos de Deus, irmãos em Cristo e continuadores do Seu projecto. Será que todos os baptizados estão convictos da sua dignidade, missão e responsabilidade? P. Fausto in diálogo 1454 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...
Learn MoreNa solenidade da Epifania, prestes a terminar o tempo de Natal, ainda roucas as nossas vozes pelo canto do Nascimento do Menino, e depois de celebrarmos a Maternidade divina de Maria, a Igreja canta e encanta-se, porque o Menino, adorado hoje pelos Magos, veio para toda a humanidade e a todos oferece e garante um projeto de Fraternidade, de Amor e de Paz. À semelhança dos Magos, que reconheceram no Menino a realeza, o poder e a humanidade de Deus e Lhe ofereceram o que de melhor tinham, cada um de nós também é responsável pelo projeto que o Menino nos vem revelar e para o qual, desde já, nos convida a dar o nosso melhor. Sem o saber, os Magos ensinam-nos que um homem, por mais rico, poderoso e sábio, é maior, quando se assume conscientemente criatura face ao Criador, diante de quem, só de joelhos, se ganha verdadeira dignidade e grandeza; por isso não hesitaram e, prostrados, adoraram o Menino. Tão intenso foi esse encontro que Eles, verdadeiramente renovados, voltaram para as suas terras, com novo ardor e alegria, por outro caminho. Assim também o encontro com Jesus não pode deixar ninguém indiferente, e, como os Magos, havemos de reconhecer que Deus nunca fecha portas e janelas, nem nos coloca em becos sem saída, e, mesmo quando tudo parece desabar, não se vislumbrando sequer um raio de luz, aprenderemos com os Magos a não chorar a estrela escondida ou a esperar que apareça, antes havemos de a procurar, mesmo às apalpadelas, não desistindo da viagem. Se assim for, estamos em boas condições para vivermos a aventura de mais um ano, que Deus, por graça, nos concedeu há dias iniciar. P. Fausto in diálogo 1453 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...
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