Na solenidade da Epifania, prestes a terminar o tempo de Natal, ainda roucas as nossas vozes pelo canto do Nascimento do Menino, e depois de celebrarmos a Maternidade divina de Maria, a Igreja canta e encanta-se, porque o Menino, adorado hoje pelos Magos, veio para toda a humanidade e a todos oferece e garante um projeto de Fraternidade, de Amor e de Paz.
À semelhança dos Magos, que reconheceram no Menino a realeza, o poder e a humanidade de Deus e Lhe ofereceram o que de melhor tinham, cada um de nós também é responsável pelo projeto que o Menino nos vem revelar e para o qual, desde já, nos convida a dar o nosso melhor.
Sem o saber, os Magos ensinam-nos que um homem, por mais rico, poderoso e sábio, é maior, quando se assume conscientemente criatura face ao Criador, diante de quem, só de joelhos, se ganha verdadeira dignidade e grandeza; por isso não hesitaram e, prostrados, adoraram o Menino. Tão intenso foi esse encontro que Eles, verdadeiramente renovados, voltaram para as suas terras, com novo ardor e alegria, por outro caminho.
Assim também o encontro com Jesus não pode deixar ninguém indiferente, e, como os Magos, havemos de reconhecer que Deus nunca fecha portas e janelas, nem nos coloca em becos sem saída, e, mesmo quando tudo parece desabar, não se vislumbrando sequer um raio de luz, aprenderemos com os Magos a não chorar a estrela escondida ou a esperar que apareça, antes havemos de a procurar, mesmo às apalpadelas, não desistindo da viagem. Se assim for, estamos em boas condições para vivermos a aventura de mais um ano, que Deus, por graça, nos concedeu há dias iniciar.
P. Fausto
in diálogo 1453 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano B)
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