Cinquenta dias depois da Páscoa aconteceu algo que mudou radicalmente os apóstolos: um grupo desiludido, amedrontado e barricado em casa, encontra de repente a audácia para enfrentar a cidade e para pregar abertamente uma coisa inacreditável: “Aquele Jesus que matastes está Ressuscitado !” (Act. 4,10)E não eram profissionais da palavra, nem tinham dotes especiais de oratória ou frequência de qualquer escola teológica, apenas gente humilde que buscava na pesca o sustento da família.Não se apoiavam na sua sabedoria ou habilitações académicas, mas em algo diferente, que, como conta o livro dos Actos dos Apóstolos, os fazia passar por ébrios, ultrapassando os limites do razoável. Esse algo, que armou os seus corações e os enche ao ponto de parecerem embriagados, é o Espírito Santo.Aquilo que sucedeu, cinquenta dias depois da Páscoa em Jerusalém, continua a acontecer na Igreja, ainda que seja grande o número de baptizados que, embora confirmados, encerram o Espírito Santo na arca ou no congelador do frigorífico das suas casas. P. Fausto in Diálogo nº. 1958 (Solenidade do Pentecostes – Ano...