No Evangelho do 1° Domingo da Quaresma somos sempre convidados a acompanhar Jesus ao deserto, onde, tentado pelo demónio, jejuou 40 dias, teve fome e passou frio. Apenas o Espírito Santo estava presente.Tentação, palavra fora de moda, que a publicidade usa a propósito de coisas fúteis, tem um significado muito importante e actual: significa escolher como viver, ordenar as próprias escolhas, pois é escolhendo que somos livres.Com a primeira tentação, Jesus quebra a ilusão de que os bens, por si só, enchem a vida. O pão é um bem inquestionável, é verdade, mas Jesus aumenta a parada ao dizer que “nem só de pão vive o homem”. O pão é bom, contudo melhor é a Palavra de Deus, que suscita no coração humano sede e fome de céu.Mas não se fica por aqui o diabo, que, de Bíblia na mão, no pináculo do templo, desafia: “atira-te daqui abaixo”, pois Deus tomará conta de ti. Aquilo que parecia o mais elevado acto de fé e confiança em Deus, não passa de uma caricatura, uma pura busca do próprio proveito.Por fim, o diabo eleva ao máximo a parada: “tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. O diabo, ao contrário de Deus, entra em negociações com o homem e promete-lhe dinheiro fácil, uma poltrona cómoda, um pouco de poder. Tudo efémero, a troco, tantas vezes, do desrespeito pela dignidade da própria pessoa! P. Fausto in Diálogo nº. 1945 (Domingo I da Quaresma – Ano...