Refiro-me ao Santo Padre Bento XVI. De compleição débil, com voz mansa e de olhar sereno, dotado de inteligência superior, é um homem luminoso. Na palavra e nos gestos. Coerente. Como preocupação e paixão o amor à Igreja, que o leva a aceitar, apesar da idade, a escolha para Bispo de Roma e, por consequência, o ministério do apóstolo Pedro à Igreja Universal.
Passados 7 anos, com o mesmo amor, lucidez e transparência, convicto de que a Igreja é de Cristo e que não passa de “um humilde trabalhador da vinha”, consciente da fragilidade das suas forças e da gravidade e grandeza da hora presente, entende em consciência dever continuar a servir a Igreja, mas recolhido em oração e reflexão. Não desiste, não se demite, renuncia para que o Espírito Santo escolha para a Igreja quem, com mais fôlego, continue ao leme da “barca de Pedro”. Sem sobressaltos.
O Santo Padre Bento XVI sempre se mostrou avesso a protagonismos e nunca se pautou pelas correntes de opinião ou cedeu à tentação dos elogios. Livre como sempre, dá, com a Sua renúncia no próximo dia 28, às 20h00, um sinal de tal modo vigoroso e com uma tal carga profética, que a história jamais poderá apagar. Saiba a Igreja, saibamos todos, lê-lo segundo o Espírito Santo e à luz da Palavra de Deus que proclamamos neste 2º. Domingo da Quaresma.
P. Fausto
in diálogo 1369 (II Domingo da Quaresma – Ano C)
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