Desafios Pastorais da Pandemia à Igreja em Portugal – III

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10. A solidão mata, ouve-se dizer. Mas morrer na solidão deve ser tremendo. E quantos, nos hospitais, nos lares e nas famílias viviam e morriam já na solidão?
A questão dos idosos e a ideia de que são descartáveis é um escândalo que se revelou em toda a sua brutalidade. Devemos isolar de nós o vírus e não o idoso, tornando-o desumanamente solitário. Sentir-se solitário é o equivalente social a sentir dor física. (…) Mostrámos não ter capacidade de resposta para a solidão. Dói pensar nos idosos que não pudemos visitar, nos filhos que viram os seus pais e mães partirem na solidão, bem como a impossibilidade prática, tantas vezes presente, de lhes fazer chegar o conforto e a esperança espiritual.
11. O lugar ideal para vencer a solidão é a família. O modelo e o funcionamento dos lares devem ser profundamente repensados, tanto no que se refere ao equilíbrio do seu financiamento e gestão pelo Estado e por entidades da sociedade civil, como no respeitante à diferenciação dos serviços aí prestados e à articulação com as famílias.
12. As comunidades cristãs devem ser estimuladoras de uma cultura de proximidade, organizada e proactiva, que anime os sós. A partilha dos bens, do saber, do tempo, da simpatia e da amabilidade deve ver-se na elaboração de projetos de serviço voluntário que envolvam crentes e não crentes, para que ninguém viva, sofra ou morra na solidão. Quanto as gerações mais novas beneficiariam! Quanto individualismo e egoísmo seriam queimados para sempre pelo fogo da caridade!

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