Desafios Pastorais da Pandemia à Igreja em Portugal – II

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“Embora a pandemia não tenha terminado, há inúmeros desafios “concentrados” no período de confinamento.
6. Defender a saúde dignifica a vida, mas o direito à vida não é só ter direito de viver. É exigível criar e manter as condições para uma vida digna, sem discriminações, minimizando o sofrimento decorrente de uma doença e tratando os doentes com todos os meios humanos, técnicos e científicos disponíveis para um cuidado com qualidade. Cuidar de um doente significa prestar assistência a uma pessoa fragilizada, abalada e insegura, em que a responsabilidade de quem cuida implica zelar, consolar e medicar de acordo com a individualidade de cada um. O cuidado para com a pessoa doente implica igualmente restaurar e curar a vida espiritual e suscitar esperança. Conscientes de que é na doença que se revelam as suas fraturas e deficiências, o acompanhamento visa recuperar e desenvolver a comunhão com Deus. Cuidar da vida desde a sua conceção até à morte natural é uma exigência da sociedade que decorre do bem comum.
7. Sabemos que não há recursos ilimitados, sobretudo devido às políticas económicas deficientes. Mas, se a vida não for prioridade inquestionável, o que o será? O conceito de lucro na saúde é problemático, quando se torna o critério decisivo, exclusivo ou principal. Quais as consequências para a qualidade do serviço de saúde público e privado? “Estamos todos no mesmo barco”, mas sabemos que a saúde não é igual para todos e que se vive e morre em “barcos muitos desiguais”. Se não formos capazes de alterar este binómio – vida e saúde -, onde se mede a igual dignidade de todos, não teremos uma sociedade justa e solidária.
9. Um desafio pastoral urgente poderá ser o de reunir pessoas atingidas pela experiência do sofrimento, que caminhem lado a lado e rezem na companhia de quem sofre. Pessoas que não tenham medo de abordar com palavras e espiritualidade a vida até à morte, sem esquecer a Vida Eterna. Não se pode abandonar na solidão quem está nos momentos mais exigentes e decisivos da vida. Saberá ajudar a morrer quem souber viver a transcendência.”

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