“Os pais influenciam sempre, para o bem ou para o mal, o desenvolvimento moral dos seus filhos. Uma vez que esta função educativa das famílias é tão importante e se tornou muito complexa, quero deter-me de modo especial neste ponto.
A família não pode renunciar a ser lugar de apoio, acompanhamento, guia, embora tenha de reinventar os seus métodos e encontrar novos recursos. Precisa de considerar a que realidade quer expôr os seus filhos. Para isso não deve deixar de se interrogar sobre quem se ocupa de lhes oferecer diversão e entretenimento, quem entra nas suas casas através dos ecrãs, a quem os entrega para que os guie nos seus tempos livres. Só os momentos que passamos com eles, falando com simplicidade e carinho das coisas importantes, e as possibilidades saudáveis que criamos para ocuparem o seu tempo permitirão evitar uma nociva invasão.
É sempre necessária vigilância; o abandono nunca é saudável. A obsessão, porém, não é educativa; e também não é possível ter o controlo de todas as situações que um filho poderá enfrentar.Vale aqui o princípio de que o tempo é superior ao espaço, isto é, trata-se mais de gerar processos do que de dominar espaços.
Assim, a grande questão não é onde está fisicamente o filho, com quem está neste momento, mas onde se encontra em sentido existencial, onde está posicionado do ponto de vista das suas convicções, dos seus objectivos, dos seus desejos, do seu projecto de vida.”
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