Fé ou crença?

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São tantos os baptizados que dizem ter muita fé ou, pelo menos, fé suficiente, que o pedido de uma fé maior, feito hoje pelos apóstolos a Jesus, parece infantil. Mas não é.
A fé não é coisa de quantidade e de peso, mas de qualidade e relação. Não se compra, não se troca, não se exige, não se reivindica; apenas se acolhe, porque é dom e mistério, mas pode morrer se não for alimentada.
Sem confiança não há amizade, não há amor e também não há fé. Como seria possível viver sem confiar em alguém? Humanizamo-nos pelas relações de confiança com os outros e com Deus.
Quando alguém diz “eu tenho muita fé” ou “eu cá tenho a minha fé” não se refere certamente à fé, como dom de Deus ou virtude teologal, mas apenas a uma crença em algo ou alguém…, porque a Fé, virtude teologal, tendo na base a confiança em Deus, introduz-nos num processo de intimidade, que, em crescendo, nos leva ao compromisso e à fidelidade. Sempre com riscos e às vezes com dúvidas. Assim acontece com o amor e também com a Fé.
Ter fé não é dizer com autoridade a uma árvore: “arranca-te daí e vai plantar-te no mar”, coisa que Jesus nunca fez, mas é algo que nos leva a ocupar no dia a dia o nosso posto, a cumprir os nossos deveres, a cultivar os nossos talentos para melhor servirmos, pondo tudo nas mãos de Deus, sem pretensões, expectativas ou esperanças. Sem precisarmos de louvores ou recompensas. Sem medo do castigo ou das sanções como servos inúteis.
Afinal, o que nos parece infantil no pedido dos apóstolos é o que mais precisamos de pedir a Deus, para sermos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

P. Fausto

in Diálogo 1669 (XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano C)

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