“E quem é o meu próximo?”

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Há perguntas e perguntas, e esta é uma das sérias para qualquer homem que se preze: “E quem é o meu próximo?” Quem pergunta é um doutor da lei, a quem Jesus responde com uma das mais belas páginas do Evangelho, em jeito de parábola.
Para os judeus, apenas os laços de consanguinidade e de religião convidavam ao dever de assistência, sendo todos os demais “estranhos”… Ora, é precisamente contra esta mentalidade, que Jesus quer chamar a atenção.
O homem assaltado, ferido e roubado, é um indocumentado, sem nome, sem família, sem pátria, sem nada que o credencie. É apenas um homem, a quem roubam tudo e deixam “meio morto”, à beira do caminho; mas nem por isso, diz-nos Jesus, perde a dignidade própria de um ser criado à imagem e semelhança de Deus.
O sacerdote e o levita olham-no e passam em frente, porque, mais importante que sujar as mãos e as vestes na ajuda à vítima, é preservar a sua pureza legal. E lá se vão, de passo apressado e consciência tranquila… Ao contrário, um samaritano passou junto do infeliz “e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão”. Faz tudo, tudo mesmo, livre de quaisquer preconceitos e, ainda por cima, com discrição e enorme generosidade.
Uma sociedade em que a noção do outro é cada vez mais ténue e a distância entre o “meu mundo” e o resto é maior, facilmente se torna campo fértil para a indiferença e para a rivalidade, que matam a proximidade e solidariedade, que nos caracterizam verdadeiramente como humanos.

P. Fausto

in Diálogo 1665 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano C)

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