“Tu amas-me ?”

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A vida vai-se recompondo à medida que os apóstolos vencem o medo, saram o coração das feridas pela morte do Amigo e convivem com o sepulcro inexplicavelmente encontrado vazio. Talvez por isso os encontros de Jesus, a partir de agora, aconteçam junto ao mar, local próprio de quem tem de tirar daí o sustento para a família. Sim, porque as obrigações familiares não esperam. Assim acontece também com os apóstolos.
Depois de uma faina pouco conseguida e de outra, a conselho de Jesus, surpreendentemente abundante, assistimos a um encontro especial com Pedro. Já na semana passada acontecera, no mesmo dia, com Tomé, estando todos ainda em casa, de portas bem fechadas.
Hoje, recolhidas as redes e guardado o peixe, e depois de uma boa refeição preparada por Jesus, seguiu-se um verdadeiro exame de amor a Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?” A resposta não saiu clara, e Jesus voltou: “Simão, filho de João, tu amas-me?” E uma terceira vez Pedro foi interrogado sobre matéria tão delicada e séria.
A insistência da pergunta levou Pedro a reconhecer diante de todos, com humildade, de lágrimas nos olhos, que, semanas atrás, ao mesmo exame, merecia reprovação. Agora mereceu um excelente. Jesus não insistiu e confirmou: “Apascenta as minhas ovelhas”.
A Misericórdia recuperou definitivamente Pedro e faz-nos compreender que tudo na vida é uma questão de Amor e que só o Amor torna a autoridade verdadeiro serviço, de que Pedro, de hora em diante, estava pessoalmente investido.

P. Fausto

in Diálogo nº1655 (II Domingo da Pascoa – Ano C)

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