Dois dedos de Liturgia (101)

QUARESMA

 

– Viver o tempo da Quaresma

A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solidão ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante 40 anos.
Quando chegavam estas semanas que precedem a Páscoa, o irmão Roger gostava de lembrar que este não era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um período para alimentar a culpa, mas um momento para cantar a alegria do perdão. Ele via a Quaresma como 40 dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.
No início do Evangelho de S. Mateus, quando João Batista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!». Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de nos voltar para Deus, para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal e o seu perdão constante permite-nos renovar a vida interior. É a uma conversão que somos chamados: não a voltarmo-nos para nós próprios, numa instrospeção ou num perfecionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e, também, uma comunhão com os outros.
Sim, o Evangelho chama-nos à simplicidade. Escolher a simplicidade abre o nosso coração à partilha e à alegria que vem de Deus. Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para provocar má consciência àqueles que não o fazem, mas como o propósito de sermos solidários com os mais desamparados. O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo de tudo na beleza simples da criação.

[In Ir. ALOIS, Ousar acreditar, ed. Paulinas]

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