A viagem necessária

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Jesus, na sequência dos conselhos dados aos discípulos e que Lucas condensa no Evangelho deste domingo,
desafia-nos a uma viagem ao interior. Uma viagem ao nosso íntimo mais íntimo, porque “a boca fala do que transborda do coração”. Sem sentimentos de culpa, nem tão pouco de superioridade.
E de que mais falam as pessoas à nossa volta?
A ser verdade que a língua fala da abundância do coração, mal vamos todos, porque não é de justiça, solidariedade, diálogo, paz, convivência, respeito… o centro das nossas conversas, mas antes ordenados, lucros, direitos, andares, carros, viagens, férias, seguros, amores e desamores…
Justamente preocupados com o ambiente e as alterações climáticas, vivemos também intoxicados por uma espessa camada de fofoquices e atordoados por níveis nada saudáveis de poluição sonora, moral e religiosa. Vivemos num mundo de ruídos, dentro e fora de nós.
É face a esta sociedade que produz e vende informação, polui a alma e impõe um ritmo incontrolável de consumo, que Jesus nos propõe uma descida ao nosso mais profundo, para, no silêncio e na oração, cuidarmos da árvore que dá frutos preciosos de vida nova, expressos nas
Bem-aventuranças. A Quaresma está aí. Aproveitemo-la desde o início.

P. Fausto

in Diálogo 1646 (VIII Domingo do Tempo Comum – Ano C)

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