Bartimeu, homem cego e a pedir esmola, duplamente dependente e carenciado, com pouso à beira do caminho para não ser estorvo. Eis o homem que se encontra hoje com Jesus, prestes a sair de Jericó com os discipulos e uma grande multidão, na direcção de Jerusalém.
A deficiência física e a indigência permanente, que condenavam à situação de dependência e isolamento social, não impediram, porém, este homem de sonhar e ousar gritar contra tudo e contra todos: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”.
O que era barreira intransponível proporcionou um acontecimento de graça, graças à atenção de Jesus aos gritos angustiados de Bartimeu, que face aos seus limites não se conformou, nem se intimidou com as resistências sociais.
A coragem, a determinação e a confiança de Bartimeu foram largamente recompensadas pela atenção e solicitude de Jesus que, reconhecendo-lhe fé viva, curou da cegueira os seus olhos e o seu coração. Os comportamentos de Jesus, como este, indicam-nos claramente que os gritos dos homens e mulheres que sofrem devem ser para todos os cristãos, sempre, escutados também como Palavra de Deus.
P. Fausto
in Diálogo 1268 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano B)
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