Primeiros em quê?

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Apesar da permanente e intensa catequese de Jesus, o grupo restrito dos discípulos vive hoje um momento de grande tensão. Nos seus corações há ainda muito a limar e purificar, pois a atenção às precedências e a pretensão aos primeiros lugares ainda não foram erradicadas.
Tudo começa com uma estranha exigência dos filhos de Zebedeu, Tiago e João: “Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua esquerda e outro à tua direita”. Não sabiam verdadeiramente o que pediam.
Preocupações de ribalta, de holofotes, de aparências, de poder… são tentações de ontem e de hoje, mesmo na Igreja. Tentações a que não resiste quem persegue obstinadamente um lugar airoso, conceituado, vistoso… e não se conduz pela lógica do serviço e da gratuidade, que requer humildade e discrição.
Como nenhum dos discípulos quer ficar em segunda linha, todos se indignam com as pretensões de Tiago e João.
Com voz serena e paciência infinita, Jesus enuncia para todos a regra de ouro dos verdadeiros discípulos: “quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos”.
As palavras de Jesus são também para nós, porque a grandeza do coração e a beleza de um projecto de vida dependem da qualidade do serviço que se presta, que é tão mais importante quanto maior fôr o amor que se põe naquilo que se faz. Mesmo que ninguém valorize e dê conta.

P. Fausto

in Diálogo 1627 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano B)

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