Casar para quê?

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“Não separe o homem o que Deus uniu”, é o que se diz no ritual do Matrimónio, apesar de serem por muitos consideradas retrógradas, vazias e até desumanas, as propostas da Igreja para o projecto de vida conjugal, sustentado no compromisso, na fecundidade e na unidade.
Com efeito, é cada vez mais difícil falar de matrimónio uno, fecundo e indissolúvel, numa sociedade caracterizada por ser descartável, individualista, consumista, instável e erotizada…
Neste contexto, porém, têmo-nos mesmo de calar e “entrar na onda”? De modo nenhum, apesar do incómodo, às vezes sentido em reuniões de preparação para o Matrimónio ou na sua celebração, com Assembleias frequentemente pouco participativas.
Cabe-nos apenas, respeitando outras opções, aprender com Jesus, a quem os fariseus ardilosamente põem a questão: “pode um homem repudiar a sua mulher?”.
Há matérias que não se devem discutir e esta é uma delas. Consciente disso, Jesus evita a casuística em que os fariseus o querem enredar, valoriza a beleza do plano de Deus que une o homem e a mulher para serem felizes, lembra a sua comum dignidade e consequente complementaridade e exalta a grandeza do Matrimónio, com base num amor, tão belo e tão forte, capaz de levar o homem a “deixar o pai e a mãe, para se unir à sua esposa”, a fim de constituírem uma verdadeira e íntima comunidade de vida e de amor, sem tempo.
É isto que Jesus comunicou e que não podemos calar. Escusado será dizer que aos casais cristãos caberá, sempre e em primeiro lugar, o dever de testemunhar a sua felicidade, com as dificuldades e alegrias próprias da vida matrimonial, vivida segundo o projecto de Deus.

P. Fausto

in Diálogo 1625 (XVII Domingo do Tempo Comum – Ano B)

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