Aos discípulos, que há muito deixaram família e redes para seguirem Jesus, com anos de catequese permanente e testemunhas privilegiadas de tantos milagres, nunca tinha sido posta a questão central do Evangelho de hoje: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Jesus não parece interessado em sondagens ou estudos de opinião sobre a sua pessoa e obra, mas aproveita o percurso longo que o leva a Cesareia de Filipe para, no caminho, revelar, contra a corrente, o seu futuro próximo e doloroso, para muitos incompreensível, sombrio e sem honra.
Em nome de todos, Pedro professa genuina e autênticamente a Fé em Jesus, o Messias de Deus, mas também representa quantos não sabem nem querem “ler”, ao longo da história, a atitude de Jesus que, com infinita humildade se abaixa para lavar os pés aos discípulos, se deixa crucificar injustamente e diz a todos, sem hesitar, que não basta perdoar 7 vezes, mas há que fazer da vida tempo permanente de reconciliação e perdão.
Compreender e aceitar tudo isto ainda era demais para Pedro. E continua a ser para nós, sempre que nos escandalizamos com o mistério do sofrimento, não descobrimos o seu valor redentor e passamos mais tempo a pedir o nosso bem estar físico que a graça de levarmos todos os dias a nossa cruz com amor.
P. Fausto
in Diálogo 1622 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano B)
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