Dois dedos de Liturgia (74)

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– rezar com o corpo: de joelhos

Entre as posturas corporais que se devem adoptar na celebração litúrgica e na oração, uma das mais clássicas e conhecidas é a «de joelhos». É algo mais que fazer uma genuflexão pontual.
Orar de joelhos é a postura mais espontânea de adoração e de súplica humilde. É a atitude que encontramos tantas vezes na Bíblia, quando alguém quer expressar a sua veneração e súplica. Tinha sido também a atitude de Jesus quando, na sua agonia do Horto, «pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: Pai, se quiseres…» (Lc 22,41-42)
Nos primeiros séculos, não era usual que os cristãos orassem de joelhos. Esta postura reservava-se só para os dias penitenciais. Por isso, no Concílio de Niceia proibe-se explicitamente esta postura nos domingos e na Cinquentena Pascal. Mais tarde, a partir dos séculos XIII-XIV, a postura de joelhos converteu-se na mais usual para a oração, sublinhando sobretudo o carácter de adoração à Eucaristia. Na Missa, praticamente desde o Sanctus até ao final, estava-se de joelhos, incluindo o momento da Comunhão.
Actualmente, só se indica este gesto durante o momento da consagração, embora seja geralmente adoptada a partir da invocação do Espírito ou epiclese: expressa-se, deste modo, a atitude de veneração no momento em que, por obra do Espírito, se realiza o mistério eucarístico da identificação do pão e do vinho com o Corpo e Sangue de Cristo. O Missal permite que, por causas razoáveis, a comunidade fique de pé (cf. IGMR 43). Para a comunhão, a postura é de pé: aproximando-se em procissão e recebendo, de pé, o Corpo e também o Sangue de Cristo (cf. IGMR 286).
A postura de joelhos continua a ser a mais pedagógica para a oração pessoal, sobretudo, diante do Santíssimo. Também para a oração penitencial, quando, por exemplo, nas celebrações penitenciais, se reza o «Confesso a Deus…» e, sobretudo, quando o penitente, depois da sua acusação, recebe do ministro eclesial, a absolvição.
Orar de joelhos ajuda-nos a reconhecer a nossa pobreza diante de Deus e a sentirmo-nos pequenos na sua presença.

* continuamos a aguardar as vossas questões em
doisdedosdeliturgia@gmail.com

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