Dois dedos de Liturgia (41)

 

silencio

 

– O Silêncio

“Quando um profundo silêncio envolvia todas as coisas e a noite estava no meio do seu curso, a vossa palavra omnipotente, Senhor, desceu do seu trono real”. Este texto do livro da Sabedoria (18, 14-15) é o cântico de entrada do segundo domingo depois do Natal, e serve para tratar do silêncio na liturgia.
As nossas celebrações terminam repletas de som, verbal ou não. Certamente é porque temos um medo atroz ao vazio.
“Um profundo silêncio”. A Palavra fecunda de Deus surge sempre do silêncio: na criação do mundo, no nascimento de Jesus, ou na noite da nova criação, a Páscoa, depois do grande silêncio de Sábado Santo.
Na liturgia, como na música, o silêncio faz parte do desenrolar do ritual. Há aqueles que estão previstos e que deveríamos realizar com generosidade: durante o acto penitencial e depois do convite à oração, ajuda ao recolhimento; depois das leitura ou da homilia, é uma reclamação a meditar o que se escutou (em silêncio, certamente); depois da comunhão, favorece a oração interior de louvor e agradecimento (IGMR 23).
Também podemos criar momentos de silêncio: antes e depois da celebração, na igreja e na sacristia; no final das celebrações, durante o tempo quaresmal; ou ao início, nos dias em que não se celebre uma festa ou uma solenidade…
O silêncio, como parte da acção litúrgica, como na música, não é ausência de algo, mas presença; e deve conduzir à atenção, à união com aquilo que se está a ler, com a acção que se está a fazer, a sentir-se parte activa e consciente dela. Ou seja, a não pensar que aquilo não nos diz respeito, como se fôssemos mudos espectadores.

adaptado do Bloco MD49
* continuamos a aguardar as vossas questões em doisdedosdeliturgia@gmail.com

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