O Papa e o Angelus

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No Angelus de dia 8 de Dezembro, dedicado ao episódio evangélico da Anunciação, o Papa aprofundou o significado das primeiras palavras que o anjo dirigiu a Maria, «cheia de graça», o que quer dizer que «Maria é cheia da presença de Deus. E se é inteiramente habitada por Deus, nela não há lugar para o pecado. É algo extraordinário, porque no mundo infelizmente tudo está contaminado pelo mal». É uma reflexão sobre o dogma da Imaculada Conceição que leva a ver em Maria, ser humano único e especial, precisamente uma unicidade — ser cheia da presença de Deus — directamente ligada à maternidade, ou seja, à sua corajosa aceitação de se tornar medianeira entre Deus e a humanidade, permitindo a Encarnação.
A devoção mariana não é apenas protectora, mas leva ao centro da fé cristã, ao cerne do mistério da Encarnação, sem a qual não haveria o cristianismo. Portanto, a nova religião nasce da coragem de uma mulher muito jovem, à qual Deus pediu a autorização para realizar o milagre. A aceitação de Maria diante de uma perspectiva misteriosa e sobretudo socialmente muito perigosa para ela — um filho que nasce fora do casamento — abre as portas à salvação da humanidade.

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