Dois dedos de Liturgia (38)

R9

 

– Os sinos

«Lá dentro o espaço da igreja fala de Deus, pertence por completo ao Senhor, e está repleto da Sua santa presença. É de facto casa de Deus, separada do mundo por paredes e abóbadas. Este espaço está voltado para dentro, para o Escondido, e fala do mistério divino.
E o espaço exterior? A imensidade sobre a planura que se estende ilimitada de todos os lados? A que se espraia sobre as alturas até ao infinito? A que se encaixa entre os vales em profundo repouso, cercada de montanhas? Não estarão esses espaços de algum modo unidos com o santuário?
Sem dúvida que sim! Vês essa torre da casa de Deus, que se ergue ao ar livre, como que tomando posse dele em nome de Deus? Pois ali dentro, no campanário, estão suspensos os sinos de pesado bronze. Tocados com arte, vibram em todo o seu corpo, reluzente e bem configurado, enviando sons atrás de sons pela vastidão do espaço. Ondas de notas harmónicas, ora breves e argentinas, ora suaves e cheias, ora profundas e pausadas, percorrem o espaço em torrente, enchendo-o da mensagem do santuário.
A mensagem da vastidão; a mensagem do Deus sem limites nem confins; a mensagem do desejo e da sua infinita satisfação.
Chamam pelo “homem de desejos”; pelo homem de coração aberto à imensidade…. Quando os sons dos sinos inundam o vale, ou sobem às alturas do céu azul, o coração alarga-se e sente que é muito mais amplo do que afinal imaginava…»

in “Sinais Sagrados” / Romano Guardini
* continuamos a aguardar as vossas questões em doisdedosdeliturgia@gmail.com

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