Dois dedos de Liturgia (36)

 

 

emaus

– O ANDAR

Quantos serão os que sabem caminhar? Caminhar não é de facto um ir depressa e correr, mas sim um movimento pausado. Não é um arrastar-se preguiçoso para a frente, mas sim um avançar viril. Quem avança caminha com pé ligeiro, não arrasta; airosamente direito, sem se curvar; não incerto mas com equilíbrio estável.
É coisa cheia de nobreza o andar como se deve. Livre, mas bem ordenado, sereno e contudo cheio de força impulsiva.
E como é belo este avançar quando é piedoso! Pode tornar-se em autêntico acto litúrgico. Assim é o simples andar na presença de Deus, consciente e respeitoso, quando se avança pela Igreja fora, na casa do Altíssimo e de modo particular sob o Seu olhar.
Não será o andar uma expressão de nobreza da natureza humana?…Mas nós não somos só simples homens: somos mais que homens. “Sois da raça divina”, diz a Escritura.
A consciência deste mistério poderia, deste modo, encontrar plena expressão penetrada de beleza e vigor, no andar perfeito. Mas em simplicidade e verdade! Só a verdade pode florescer a beleza; da afectação vazia, não.

in “Sinais Sagrados” / Romano Guardini
* continuamos a aguardar as vossas questões em doisdedosdeliturgia@gmail.com

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