Só pode abençoar quem tem autoridade, por isso só Deus pode abençoar.
Quando abençoa, Deus fixa o olhar sobre a criatura e chama-a pelo nome por isso o poder de abençoar provém sempre de Deus e torna-se estéril quando alguém pretende possuí-lo por virtude própria.
Ele concedeu esta força de bênção divina àqueles que na terra fazem as suas vezes tanto que pelo mistério do matrimónio cristão, possui-a o pai e possui-a a mãe. Pelo ministério da consagração presbiteral tem-na o sacerdote. Pelo mistério do baptismo e pelo sacerdócio real da confirmação, deles são feitos participantes aqueles que “amam a Deus com todo o coração com toda a alma e com todas as tuas forças e ao próximo como a si mesmos”. A todos estes, deu Deus o poder de abençoar com a sua própria vida, a cada um, de modo diferente, segundo ministério que se lhe confia.
A bênção tem a sua expressão na mão, por meio de alguns gestos. Impõe-se a mão sobre a cabeça na confirmação e na ordenação, para que por ela desça para alma o que vem de cima, o que nasce do espírito de Deus. Com ela se traça o sinal da cruz na fronte ou sobre a pessoa, para que nela se derrame a plenitude de Deus. Porque a mão é dispensadora: ela cria, ela forma, ela dá! Mas a bênção, por excelência, é a do Santíssimo com o corpo de Cristo no Sacramento do altar. Deve realizar-se com grande respeito, observando a disciplina do mistério.
in “Sinais Sagrados” / Romano Guardini.
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